PERNAMBUCO IMORTAL!

Esta é a bandeira original de Pernambuco. Foi criada pelo padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, em 1817, como símbolo da Revolução Liberal que pretendia separar Pernambuco, junto com os demais estados do Nordeste, do restante do país. Foi adotada em 6 de março de 1817. Vigeu apenas durante o curto período em que a revolução foi vitoriosa, sendo depois banida e proibida pelos governos imperiais. A bandeira original foi mantida escondida por patriotas durante quase um século e, hoje, encontra-se exposta no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, na Rua do Hospício. Em 1917, no centenário da revolução, foi adotada como sendo a bandeira oficial do estado, por decreto do então governador, Manoel Antônio Pereira Borba.

O detalhe que chama a atenção é apresentar 3 estrelas, ao invés de apenas uma, como é a versão atual. Representavam as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, parceiras na aventura revolucionária separatista. Deveriam ser acrescentadas mais estrelas, à medida que novas províncias se juntassem à nova república.

Hino de Pernambuco

A “Nova Roma de bravos guerreiros” tem uma longa história de rebeldia, patriotismo e heroísmo, muito especialmente quando se trata de defender os princípios liberais que estão profundamente entranhados na alma dos pernambucanos.

Sofremos longamente, desde 1640 até 1654, para conseguir a expulsão dos holandeses de nosso território. A partir daí, e por opção própria, retornamos ao regaço da coroa portuguesa. Como consequência, passamos a sofrer sob o comando de uma sucessão de canhestros governadores, todos representantes da corte de Lisboa. Não fora para isso que os pernambucanos haviam pelejado duramente contra os batavos, especialmente quando consideramos que realizamos esta proeza sem que nenhuma ajuda nos viesse de Portugal ou da Bahia, já que o próprio Portugal se encontrava também extremamente debilitado pois havia acabado de ser liberado do jugo da corte espanhola, em 1640, após o final do que ficou conhecido como a “União Ibérica”.

Já em 1711, como consequência da hegemonia dos mercadores portugueses sobre a economia pernambucana, travou-se a guerra empreendida pelos senhores de engenho da terra contra os mercadores portugueses alojados em Recife. Nesta ocasião Bernardo Vieira de Melo liderou, na Câmara de Olinda onde era vereador, o primeiro grito pela independência do Brasil e pela implantação de uma República aqui em nossa pátria pernambucana, razão pela qual nosso hino apregoa que “A República é filha de Olinda!”

Esta nossa convivência pacífica e harmoniosa entre diferentes estratos de uma população heterogênea é herança do período onde fomos comandados pelo Príncipe Maurício de Nassau (1630 a 1640), ocasião na qual funcionou em Recife a primeira Câmara de representantes do povo, Câmara esta repartida igualmente entre os holandeses, os portugueses e os pernambucanos.

Todo este nosso sentimento de natividade permaneceu latente ao longo do século XVIII, terminando por culminar em diversas sedições ocorridas ao longo do século XIX, todas de caráter liberal e republicano.

Iniciamos este século com a conspiração dos irmãos Cavalcante, do engenho Suassuna, em 1801. Era o ato final de uma longa ebulição advinda da independência norte-americana, em 4 de julho de 1776, seguida da Revolução Francesa de 1789 e do longo período das Guerras Napoleônicas na Europa. Esta conspiração, mais uma vez de cunho liberal, emancipacionista e republicana, era a continuação de todo um processo de formação da mentalidade política da capitania, vinda desde os seus primórdios.

O processo de fermentação política exacerbou-se ainda mais com a vinda da família imperial portuguesa para o Brasil, já em 1808, o que levou a algumas consequências fundamentais para a formação de uma forte onda de desejo por emancipação do domínio português. Os principais fatores foram a enorme elevação nos impostos a serem pagos sobre a produção de açúcar e algodão, principais produtos da capitania mais rica do país, a fim de fazer frente às imensas despesas decorrentes da instalação da corte no Rio de Janeiro, cominadas com uma grande seca que, em 1816, reduziu substancialmente a produção, junto com as despesas advindas da necessidade de enfrentar antagonismos diversos nas províncias cisplatinas.

A gota d´água que fez transbordar a revolta foi o sistemático preterimento das lideranças locais, quando da nomeação de posições de comando, sempre em detrimento dos da terra e em favor de protegidos advindos da corte portuguesa. O gatilho que detonou a revolta foi quando o então governador da província, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, ordenou ao Brigadeiro Manoel Joaquim Barbosa de Castro que executasse a prisão dos principais conspiradores revoltosos. Este, em 6 de março de 1917, ao dar ordem de prisão ao capitão José de Barros Lima, este sacou a espada e, num único golpe, degolou o brigadeiro. O governador, com medo de morrer também, se refugiou no Forte do Brum e, na primeira ocasião, fugiu embarcando em direção à capital no Rio de Janeiro. A partir daí os revoltosos foram os senhores absolutos da situação durante 70 dias. Tal ato de bravura e valentia, que rendeu a Barros Lima o apodo de “Leão Coroado”, foi o suficiente para inflamar a população e, em sua homenagem, todos os anos assistimos às exibições de diversos maracatus que, em sua homenagem, levam seu nome (em Olinda, Araçoiaba, Lagoa de Itaenga, em Recife, etc.) e Pernambuco passou a ser conhecido como “O Leão do Norte”.

Maracatu Nação Pernambuco

Lenine

A liderança do movimento separatista era exercida pelas pessoas de maiores letras da província: Os padres, todos formados no seminário de Olinda, juntamente com comerciantes, congregados através do movimento maçônico e cuja formação intelectual tinha forte embasamento nos princípios iluministas franceses. Eram estes detentores de todo um maciço apoio por parte da maioria absoluta de nossa população.

A partir deste movimento, a capitania de Pernambuco passou a ser a “República de Pernambuco” e tornou-se a única no Brasil todo a conquistar a sua independência. Chegamos a enviar um embaixador aos Estados Unidos, o Cruz Cabugá, o qual foi bem recebido por eles que nos reconheceram como independentes. Estabelecemos contatos com Napoleão Bonaparte, a esta altura prisioneiro na Ilha de Santa Helena, situada entre a costa pernambucana e a África, a fim de que este viesse assumir a liderança da nossa jovem nação.

Ocorre que a festa durou apenas míseros 70 dias. O governo imperial aglutinou imensas forças militares na Bahia e estas marcharam contra os pernambucanos. Nossa primeira derrota foi a traição do povo das Alagoas. Estes, seduzidos pela promessa de emancipação de Pernambuco, permitiram que as tropas imperiais, não só atravessassem o Rio São Francisco incólumes, como também atravessassem todo o território alagoano sem dar um único tiro. Só vieram a encontrar resistência a partir de Barreiros e Palmares. Alagoas nasceu de uma traição!

Ao se apoderar da praça do Recife, além da enorme quantidade de pernambucanos que morreram em combate, as tropas imperiais mandaram executar e esquartejar centenas de revoltosos. Talvez seja esta a razão pela qual o povo recifense tenha um rancor atávico contra os baianos, assim como não haja uma praça, rua, ou qualquer outro logradouro nesta capital que homenageie D. João VI ou D. Pedro I.

Só sei que até hoje, o povo pernambucano é respeitado e conhecido por duas coisas: a primeira é que é um povo valente e soberano. A segunda é que não leva desaforo para casa.

Por isso tudo, o povo de Pernambuco deu ao nosso país inúmeras lições de valentia, de amor próprio, de amor pela terra natal, de povo que não foge à luta. Viva Pernambuco! Imortal! Imortal!

Hoje, devido às sucessivas e abjetas lideranças de canalhas e patifes, o Bravo “Leão do Norte” se encontra em estado lastimável: Velho, decadente, desdentado e brocha…reduzido que foi a uma situação de completa penúria e mendicância por repasses federais a fundo perdido, repasses estes bancados pelos estados mais desenvolvidos do sul do país. A mesma terra que deu à luz criaturas do porte de Frei Caneca, Frei Miguelinho, Vigário Tenório, Dom Vital, João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Felipe Camarão, Bernardo Vieira de Melo, Barros Lima, Bernardo Vieira de Melo, Joaquim Nabuco, e tantos outros desta estirpe, esta terra de contrastes também vomitou excrescências nauseabundas como o megapatife de nove dedos e seu fiel lacaio, um certo bosta.

Por tudo isso, considero-me muito mais PERNAMBUCANO, que brasileiro. VIVA PERNAMBUCO!

Hino de Elefante

6 pensou em “PERNAMBUCO IMORTAL!

    • Mas com este arco-íris de Xibungo Power, não sei não, se não vai atrair toda a xibungada nacional para Pernambuco.

      • Caro Adail,
        Na época em que o padre usou o símbolo do arco-íris como representando a união harmônica das diferentes raças que formaram o povo pernambucano (Portugueses, Pretos, Índios, Holandeses, judeus e outros em menor quantidade), o ato de gozar pelo ânus ainda era altamente reprovável e vergonhoso.
        Só muito depois foi que a perobagem se apossou deste símbolo lindo e deu a conotação atual.

  1. Como sempre, uma ótima crônica.
    Depois que descobri a BF foi que tomei conhecimento real da
    grandeza e importância do Estado de Pernambuco.
    O que mais me chamou atenção foi o grau cultural desse
    povo bravo e que segundo a história, nunca levou desaforo
    para casa.
    Depois de ter lido TODOS os livros do editor BERTO, fiquei ainda mais
    entusiasmado pela história desse grande e histórico Estado.
    No seu livro “Memorial do mundo novo ” ele criou um personagem
    fictício que repassa 500 anos pela história do Estado e nos mostra
    que o nome Diogo de Paiva é apenas um nome que passou como tantos outros e que tiveram sua importância na criação, luta e grandeza de um
    dos mais importantes Estados do Brasil.
    Na verdade, para mim esse livro é uma odisséia de bravura, lutas
    criação e superação de dificuldades , mas é sobretudo impulsionado
    pelo desejo de afirmação de um Estado que teve seus gerenciadores
    ilustres como Nassau e outros nem tanto.

    Parabéns professor, parabéns para o grande Estado de Pernambuco Imortal.

Deixe uma resposta