ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Existem duas coisas infinitas: O universo e a Imbecilidade Humana! Sobre o universo, ainda não estou bem certo. – Albert Einstein

O grande filósofo Platão, na sua célebre analogia da caverna, argumentava que a alguns homens é dado ver a luz, enquanto os demais permanecem nas trevas da ignorância, sendo extremamente difícil para os “iluminados” transmitir aos demais o conhecimento que adquiriram ao ousar sair daquela toca e encarar a realidade. Esta seria a razão básica pela qual grande parte da humanidade estaria indelevelmente ligada à escravidão da ignorância e se sentiria bem nela. Abdicariam da liberdade pela segurança.

De acordo com o Wilkipedia, a primeira democracia conhecida foi a Ateniense, cujo desenvolvimento iniciou ao redor do século V a.c. Era um sistema de Democracia Direta, na qual os cidadãos participantes votavam diretamente, em assembleia (Eclésia), as leis e propostas apresentadas.

A participação nestas assembleias era limitada aos homens maiores de 20 anos e que possuíssem o status de cidadão Ateniense. Mulheres, crianças, estrangeiros e escravos não participavam, o que limitava o público votante a estimados 10% da população total. O resultado destas votações era grandemente influenciado pela competência retórica de quem estivesse defendendo determinado argumento. Quem fosse bom de conversa, normalmente ganhava as discussões. A galera, já naquele tempo, assim como continua acontecendo até hoje, seguia sempre aqueles oradores cuja competência em convencer se destacasse.

Assim, a competência oratória passou a significar a mais importante fonte de poder sobre as decisões relativas às coisas públicas. Tornou-se tão importante que Aristóteles se dedicou a destrinchar os mecanismos que estariam por trás desta competência e escreveu uma extensa obra magistral, que denominou RETÓRICA, versando apenas sobre este assunto.

Nesta obra, o grande estagirita identificou os 3 mecanismos principais através dos quais se dava o convencimento e os denominou: ETHOS, PATHOS e LOGOS.

O ETHOS diz respeito ao “argumento da autoridade”. As afirmativas do orador passariam a ser consideradas mais seriamente como verdadeiras a partir da respeitável história de vida daquele que as estivesse apresentando.

Quanto ao PATHOS, se refere aos argumentos baseados na emoção. É desta palavra que se originam os termos “Empatia”, “Patético” e “Patológico”. Este argumento é particularmente poderoso quando o orador apela para aqueles medos e esperanças mais básicos e irracionais da plateia, ou demonstra que a linha de ação proposta apresenta concordância com algum dos valores básicos da audiência, seja isto verdade ou não.

Já o LOGOS, como o próprio nome indica, diz respeito à argumentação LÓGICA, palavra esta que se origina deste termo grego e que não necessita explicações maiores.

O problema todo começa quando constatamos que os humanos parecem ter, em sua constituição mais básica, uma irrefreável tendência a decidir com base nas emoções. Quando surgem as consequências desastrosas da escolha feita, passa a racionalizar e procurar argumentos que justifiquem o porque de ter tomado aquela nefasta decisão. Em suma: Decidimos com base nas emoções do momento e, depois, quando vem o desastre, ficamos buscando argumentos “racionais” pra justificar a besteira que fizemos.

Quando se juntam estas duas características humanas, (a tendência da maioria “optar” por permanecer na santa paz da ignorância e a tendência de seguir argumentos emocionais) temos a perfeita combinação de fatores necessários ao surgimento de tantos demagogos, oportunistas e facciosos, ao longo da história da humanidade.

Ao longo do último século, com a ampla disseminação do conceito de “Democracia” e a extensão do direito de voto a todo tipo de proto-humano disfarçado de cidadão, passamos a testemunhar, em todo o mundo, a eclosão de um verdadeiro tsunami de vulgaridade. As massas ignaras, manipuladas por todo tipo de disseminador de ideologias imbecilizantes, passaram a ter uma consciência aguda da sua hegemonia e da sua força numérica sobre as assim chamadas “elites”.

Vivenciamos o paraíso das falácias, associadas ao rancor invejoso contra qualquer coisa que seja minimamente superior ao simiesco nível de primatas das turbas manipuladas. A epítome deste processo é o Brasil do século XXI.

Estamos presenciando diuturnamente paroxismos de imbecilidade, associados ao frenesi de uma voracidade predadora digna de piranhas famintas, quando estes se veem no usufruto das benesses propiciadas pelo domínio do aparato estatal. Algo como “nunca se viu antes na história deste país”.

Imbecis? Sem dúvida. Mas burros? Não! Nem um pouco. Ao contrário, espertíssimos!

Os desdobramentos desta quadra negra da nossa história deverão se prolongar por inúmeras décadas, mesmo que haja uma improvável inflexão imediata rumo à moralidade e ao predomínio da racionalidade e do bem comum em nossa gestão pública.

É por tudo isso que, mesmo não tendo perspectivas de vir a usufruir pessoalmente das consequências positivas de possíveis mudanças moralizadoras, é em nome de nossos filhos e netos que convoco todos que ainda usam seus respectivos cérebros e que possuem um mínimo de decência neste país:

DITADURA JÁ!

Isso mesmo! Ditadura, sim! Ditadura da moralidade. Ditadura do mérito. Ditadura da competência. Ditadura da eficiência. Ditadura do primado da ética, mesmo que a lei seja omissa ou proteja os tiranetes do momento. Ditadura da vergonha na cara. Ditadura da punição rigorosa e severa das condutas desviantes. Ditadura da paternidade e maternidade responsável. Etc. etc. etc.

E aqueles primatas disfarçados de gente que se julgam no direito de defecar verbalmente suas vulgaridades a qualquer pretexto? Enfiem a língua no rabo e obedeçam a seus superiores.

12 pensou em “PEQUENA INTRODUÇÃO À IMBECILIDADE HUMANA

  1. Grande e magistral Adônis. Seu texto não foi longo, porém falou o necessário para que possamos entender o momento atual. Obrigado pela aula.

  2. (…)E aqueles primatas disfarçados de gente (…)

    Tirando a grave e desnecessária ofensa aos primatas (espero que o Kong Kong não se ofenda e não venha tomar satisfações com Adônis), uma verdadeira aula do momento atual da umanidade (ops, roubaram o agá).

  3. “Isso mesmo! Ditadura, sim! Ditadura da moralidade. Ditadura do mérito. Ditadura da competência. Ditadura da eficiência. Ditadura do primado da ética, mesmo que a lei seja omissa ou proteja os tiranetes do momento. Ditadura da vergonha na cara. Ditadura da punição rigorosa e severa das condutas desviantes. Ditadura da paternidade e maternidade responsável”

    Eu acho o Professor um sujeito muito divertido, mas preferia quando ele sonhava em ir para os Países Nórdicos admirar as mulheres brancas e louras que habitam aquelas bandas. Agora ele está defendendo ditadura de forma surpreendente. Mudou bastante. Respeito o seu desejo e para ajudá-lo a encontrar o seu mundo ideal: Ele existe Coréia do Norte. Vai adorar, é tudo isso que escreveu acima.

    Boa viagem. Lá existe ordem e Kim Jon-un promete que o progresso vai chegar

  4. Quem não enxergar o que está ocorrendo com o Brasil nesse momento…..liberdade de e expressão é constitucional. Se eu ultrapassar nos limites, me processe por calúnia, injúria e difamação. E isso que a lei diz.

  5. Texto fantástico, mestre Adônis.

    Ganhei o domingo!

    Quanto mais acidez nas palavras, mais elas adquirirem primazia.

    Parabéns!

  6. Parabéns, mestre Adônis, pela magna aula de filosofia! Para corroborar a máxima, citada por você, do grande Einstein: “Existem duas coisas infinitas: O universo e a Imbecilidade Humana! Sobre o universo, ainda não estou bem certo”. (Albert Einstein), envio-lhe máxima, da mesma espécie, do grande Adenauer: “Tendo o Criador imposto severos limites à inteligência dos seres humanos, é profundamente injusto que não lhes haja, igualmente, limitado a estupidez.” (Konrad Adenauer). Um forte abraço, Boaventura.

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