PAULO FREIRE ENERGÚMENO?

Paulo Freire é, talvez, o brasileiro mais homenageado pelo mundo. Depois de Pelé. Tem 35 títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras. Sua Pedagogia do Oprimido é o terceiro livro mais citado nos trabalhos da área de humanas. Bem mais que Vigiar e Punir, de Foucault. Ou O Capital, de Marx. Não é pouca coisa. Mas ninguém é perfeito. Pode-se até dizer que não era tão preparado assim. Por exemplo, em concurso para a cátedra de Filosofia (na UFPE), ele foi derrotado indiscutivelmente por nossa confrade, na Academia Pernambucana de Letras, Maria do Carmo Tavares de Miranda. A Filósofa de Paris, como a definia Gilberto Freyre. Doutora pela Sorbonne, foi assistente do maior filósofo alemão do século passado, Martin Heidegger. Na Universidade de Friburgo (Alemanha). Para lembrar, uma de suas alunas era Hannah Arendt. Ou pode-se referir não ser tão original. Que teria só adaptado teses anteriores de Anísio Teixeira e outros. Mas “energúmeno”, com certeza, Paulo não era.

É difícil entender por que o presidente da República tem rompantes assim. Como esse, definindo como “energúmeno” alguém que nunca lhe fez mal. De graça. Descumprindo a regra básica da cavalaria, que manda cessar a batalha quando o oponente não pode mais pelejar. Ofendendo um morto. Então, por que a grosseria mal-educada? Duas hipóteses. Uma, é que se trate de uma pessoa instável. Que diz o que não deve, nas horas mais impróprias. Não acredito nisso. Num conto de Poe (O Escaravelho Dourado), a velhinha desconfia da loucura de um personagem. Por haver “um certo método”, nas ações dele. E é possível entrever esse método, por trás das diatribes do nosso presidente. Como se ele calculasse, antes de falar.

Única explicação possível, pois, é ser de propósito. Para ter vantagens eleitorais, ao ofender um ícone da esquerda. Alguém do PT. Lembro do estrategista militar e futurólogo americano Herman Khan. Autor de Quando a História Também é Futuro. Para ele, “alguns assuntos deveriam ser tratados só por loucos e entendidos”. Sigo nessa trilha. Como louco não sou (ou penso eu não sou, o que dá no mesmo), e muito menos entendido nas tramas da política (com certeza), melhor então ficar em silêncio. Outros expliquem. Mas, pensando no Brasil, e para não perder a oportunidade, faço um pedido natalino: Por que não te calas?, senhor presidente.

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  1. Nunca vi um presidente tão obcecado em melhorar o país destroçado por anos de demagogia, roubalheira, desvios de verbas públicas, destruição da “educação”, desvirtuamento dos valores familiares, pixulecos, acarajés, propinas, “agrados” e etc, ser tão bombardeado e atacado diuturnamente.
    Vôte!!
    Queiram ou não queiram alguns, ele é o PRESIDENTE do Brasil.
    Conformem-se!!

  2. Também penso que Paulo Freire não tenha sido um energúmeno. Ao contrário. Sua missão era produzir multidões de energúmenos, tarefa cumprida com eficiência, com tanta que se multiplicam ainda no século XXI. Coroando o extraordinário sucesso, nossa posição no PISA 2018. Explica com clareza quem foi o sujeito, melhor do que seus 36 títulos “Doutor Honoris Causa”. Missão cumprida, medalha no peito.

    • Pensei em fazer um comentário, quando li este do Sérgio, que concordo em cada palavra.

      O método Paulo Freire de ensino produziu milhões de analfabetos funcionais no Brasil e levou o nosso país aos últimos lugares no PISA.

      Eu preferiria que PF não tivesse ganho nenhum título de Doutor Honores Causa (o Lula tb ganhou dezenas) e que o Brasil tivesse numa posição melhor em educação.

      O Paulo Freire fez um método de ensino, que alfabetiza em semanas pessoas que não compreendem o que leem. Isso colocou o Brasil no atraso em que se encontra. Portanto ele fez sim, um grande mal à nossa nação.

  3. Como não conheci o Sr. Paulo Freire (nem sua comentada, festejada, atacada obra), não vou opinar sobre éle baseado em opiniões alheias, por mais honestas que sejam, favoráveis ou não. Agora, se a gente for comparar as pessoas pelos títulos de “Doutor Honoris Causa” que elas detenham, Lula é páreo duro. Dr. Paulo, parabéns pelo seu artigo.

  4. Finalmente uma voz sensata ( e com autoridade) se alevanta neste jornal para falar de Paulo Freir. Muito obrigado, caro amigo José Paulo Cavalcanti.
    Seu breve texto me enche de alegria por fazer justiça a um grande educador brasileiro, ao mesmo tempo em que respalda, dá sustentação à sua biobibliografia concisa que publicarei aqui no último domingo do ano (29/12)

    Se ele já recebeu as cacetadas vistas acimas, imagino o pau que vou levar quando publicar meu texto. Mas, desde já estou tranquilo e em muito boa companhia
    Sou lhe grato por este conforto que seu texto me proporcionou garantindo a validade e necessidade de sua publicação.

    Forte abraço
    Brito

  5. Dr. Paulo, comentando o seu artigo anterior e este agora.
    Invocar a Lei, como o Sr. fez para justificar fracassos continuados e culto a personalidade é deprimente.
    Penso e lamento vida dos milhões de brasileiros exilados das letras, das luzes, dos livros . A vaidade destes iluminados como Sr., condenou muita gente.
    Vamos procurar um padroeiro, será melhor.

  6. Embora não detenha o cabedal de conhecimentos necessário para debater com o ilustre colunista, peço vênia para discordar de sua conclusão. Parece-me que a sua primeira hipótese é mais plausível. E vou tentar explicar.

    Bolsonaro sempre se comportou como alguém que não tem polidez no trato com as palavras. São inúmeros os casos em que ele se envolveu em confusões por causa disso. Talvez o mais famoso deles seja aquele em que diz não ser capaz de estuprar Maria do Rosário porque ela não merece ser estuprada.

    Também não sou versado na “arte” da política (graças a Deus). Por isso tenho muita dificuldade em assimilar as falas, atitudes e comportamentos daqueles que o são. Por exemplo: a elevação de Paulo Freire a ícone da educação brasileira. Como seu próprio texto indica, ele não era lá essas coisas todas. Provavelmente há outros com melhores contribuições à nossa educação. Então, por que o PT o escolheu? Não sei. Mas permito-me intuir. Porque seu nome remete à fantasia que o PT tanto cultiva. O “empoderamento” dos pobres e “minorias”. Essa é a tática mais comum e eficaz de iludir e trazer as massas para suas “causas”.

    Festeja-se muito o “experimento” implantado por PF em Angicos-RN. Comenta-se que as pessoas aprenderam a ler e escrever em pouco mais de 40 dias. Ok. Isso melhorou em que a vida daquele povo e/ou daquela cidade? Até onde sabemos, Angicos continuou sendo curral eleitoral dos Alves por mais de 50 anos e não apresentou nenhum desenvolvimento superior às demais cidades do estado.

    As esquerdas adoram medidas impactantes e ilusórias, sem nenhuma preocupação com seus efeitos ou consequências. Fizeram isso com os médicos cubanos (semi-escravos), o FIES, que despejou milhões de “doutores” no mercado sem condições mínimas para exercer suas funções, enriqueceu empresários do setor amigos do governo e ainda deixou rombos bilionários nos órgãos financiadores (dinheiro público).

    Voltando ao tema da coluna. O que Bolsonaro ganha chamando PF de energúmeno? Vantagens eleitorais? Como?
    Os que votaram e talvez ainda votem nele certamente não o fizeram por declarações como esta. Eu votei porque não aguentava mais ver o país ser roubado e vilipendiado por inúmeras quadrilhas instaladas na máquina pública. Os que não votaram por não gostarem de seu jeito tosco, agora é que não votam mesmo.

    Portanto, é mais provável que o desarranjo verbal do presidente seja uma característica pessoal difícil de controlar do que uma estratégia política. Até porque, mesmo tendo sido seu eleitor, também gostaria que ele parasse de falar sobre coisas que não acrescentam nada aos interesses da sociedade.

    O jumento e a anta que o antecederam já fizeram isso ao extremo. Aliás, continuam fazendo.

    • Senhor Canindé

      O Bolsonaro não tem polidez alguma apenas com as palavras. Não tem também com a ética, honestidade, honradez; com a política, ou seja com a boa conduta social, com a cultura e a educação para resumir todo o pensamento
      .
      Se tivesse não teria se envolvido em ações terroristas no seu passado recente, as quais serviram de base para sua expulsão (delicada, dissimulada de promoção) do Exército.

      Não teria, agora há pouco,elogiado torturadores numa Assembleia do Governo; exaltando um criminoso reconhecido até pelo Governo. .

      Não estaria neste instante defendendo seu filho que se envolveu em falcatruas com o dinheiro público; em milícias que se achavam justiceiros com as próprias mãos e que desembarcaram na contravenção e na criminalidade declarada.
      .
      E faz isto em nome de uns 20% dos eleitores compostos de cães raivosos, que sempre existiram em todas as épocas em todas as sociedades. conflorme cabalmente demonstrado no texto de José Paulo Cavalcanti.

      Houve uma época ,agora há poco, que boa parte dos alemães (uns 20 e poucos por cento) desesperados com a crise seguram um maluco ditando regras e deu no que deu. Revejamos o filem ” O ovo da serpente, de Bergman. e tomemos alguma precaução.

      Não se trata aqui de exagerar na análise da situação atual, mas verificar que estamos num patamar elevado de irracionaiidade politica-social-cultural-eduacaional…. .

      Quando chegamos ao ponto de tratar Paulo Freire como o Presidente da República vem fazendo creio que é o momento de botar a barba no molho. Ainda mais quando já se organiza o Partido poíitico, mantido com verba pública, para angariar os cães raiosos, que são muitos, mais de 20% dos eleitores.

      Esta é a minha reflexão e contribuição que envio aos leitores do JBF,um jornal que admiro em muitas colunas que mantêm, oportunas e necessárias atualmente .

      .. .

      • Agradeço a deferência de dirigir-me seu comentário, senhor Carvalhosa.

        Pela forma como o redigiu, imagino que o senhor não é parente do outro. Aquele que vive exigindo respeito à lei e já pediu o impeachment de várias figuras carimbadas de nossa nauseabunda política e imunda justiça, dentre as quais Dilma Rousseff e Gilmar Mendes.

        Não entendi bem o propósito. Se foi concordando ou discordando. Não fiz defesa de Bolsonaro. Nem faço. Quando comento alguma coisa, limito-me ao tema. Se acrescento algo é para tentar fazer-me entender.

        Não sei se o senhor não gostou porque tratei Lula e Dilma de jumento e anta. Se foi isso, peço desculpas por ter ofendido sua crença, mas é como penso.

        Não precisamos voltar tanto no tempo para constatarmos o desastre que pode ser provocado por políticos desonestos e messiânicos. Aqui do lado, há um estado em que o povo está morrendo de fome e fugindo aos borbotões por terem acreditado num vagabundo apoiado por nossos amáveis políticos esquerdistas. Esses mesmos que hoje vivem bradando nossa desgraça com o novo governo, como o senhor fez, esquecendo que estamos assim depois de 14 anos de governos esquerdistas.

        Feliz Natal.

  7. O livro do Paulo Freire é citado e não lido, se lerem vão entender que aquilo não dá para aplicar. Quem aplicou está abaixo da posição 60 no PISA e baixando. Não dá para fazer em cada aula uma batalha para transformar os alunos em revolucionários. Não dá para chamar axiomas em conhecimento bancário e depois falar que os banqueiros exploram o povo. No texto “Ivo viu a uva” não dá para discutir sobre os imaginários latifundiários plantadores de uva.
    Ou ensina ou doutrina.

  8. O “(in)sucesso” de Paulo Freire está nos números. A matemática não mente.

    PISA 2018 – Brasil cai em ranking MUNDIAL de educação em matemática e ciências; e fica estagnado em leitura. Esse é o legado da tal Pátria Educadora? Viram o que essa 10graça educacional fez com o Brasil?

    – Acertô mizerávi?

    – Naum pai, errei foi quasi qui tudo nu PIZZA2018. sÓ ACERTEI meu nome!

    País teve novamente um dos 10 piores desempenhos do mundo em matemática no Pisa 2018, a avaliação mundial de educação. E somos horríveis em leitura e ciências. “Contra fatos não há argumentos!”, é um velho ditado popular conhecido de todos nós.

  9. Pois é, Doutor Paulo. Sua defesa do PF é interessante, todavia seria bom mostrar o antes de seu famoso método de alfabetização. É um plágio descarado de um método desenvolvido por um missionário americano que trabalhou nas Filipinas em meados do século XIX e início do séc XX. Lá obteve sucesso, alfabetizava as pessoas para que ,pudessem ler a Bíblia, ensinava operações de aritmética básica, com a finalidade de não serem passados para trás e valorizassem o que produziam. Esse missionário veio ao Brasil, a convite do governo Vargas, palestrou em várias cidades, e Paulo Freire à época diretor de Educação do Sistema S, recém criado, o ciceroneou no NE, recebeu uma apostila do método, ofertada pelo missionário, copiou “ipsi literis”, ideologizou o material e tornou-se o ícone. Vale a pena buscar as origens do método.
    Como professor, cansei de ser execrado pelos colegas quando dizia que PF era um plagiador e que o método dele era de pouca ou nenhuma serventia.

  10. Prezado Dr. José Paulo,
    Eu adoro aprofundar meus conhecimentos sobre qualquer assunto.
    Por conta disso, já cursei seis (06) mestrados, nas mais diversas áreas: Administração (Brasil e Estados Unidos), economia (Brasil), psicologia (Brasil), engenharia industrial (Japão), gestão pública (Espanha), e por aí vai.
    Decidi estagnar no título de mestre só para não ter ABSOLUTAMENTE NADA em comum com certas escorias da humanidade que ganharam títulos de “Doutor Honoris Causa” às dúzias, mesmo sendo completas bestas quadradas. Sem falar nos inúmeros doutores e pós-docs que conheço e que são também completas bestas quadradas.
    O tipo de gente que recebeu esses títulos diz muito bem sobre o que é que vai na mente das pessoas que lhes deram os referidos títulos.
    Tô fora! Fui!

    • Os títulos de Doutor Honoris Causa dizem muito mais de quem deu a homenagem, do que do homenageado.

      Todas escolas de humanas dominadas pelo pensamento de esquerda.

    • Dominado pelo demônio é Aquele que já colocou Jesus Crisco abaixo Dele e se compara a Deus sempre que faz suas palestras regadas à “água benta”.

      Todos sabemos de quem se trata.

  11. As regras básicas da cavalaria não serviram para amparar vários oficiais generais que foram tachados de torturadores, mesmo sem nunca ter sidos e que, já não mais pertenciam ao mundo dos vivos.. Para um lado,cesse a batalha,pois as regras básicas da cavalaria tem que ser respeitadas.Para o outro lado, a batalha tem que continuar, para tornar a matar, os que já estão mortos. Triste constatação !

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