JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Quando a porta fechou e tu partiste
E eu fiquei afogada em solidão
Ruminando essa tua ingratidão
Um punhal com o qual tu me feriste
O meu peito era apenas ave triste
Sobre um galho de angústia abandonada
Sem cantar, sem voar, sem comer nada
De tristeza morrendo a toda hora
Desde que resolveste e foste embora
Na saudade vivendo engaiolada.

Cada cena da gente relembrada
Duas águas escorrem em meu rosto
Vão salgando os meus lábios de desgosto
Vão deixando minha alma ensopada
Tu serás pela vida alma penada
Que no amor cometeu assassinato
Enquanto eu voltarei ao meu recato
Pois, perdi pela vida seus encantos
E quando eu me cansar de tantos prantos
O meu lenço será um pano de prato.

20 pensou em “PANO DE PRATO

  1. Jesus
    Vendo seu belo poema, lembrei de uma bela canção cantada por Maria Bethania: Drama, que diz mais ou menos assim: “E ao fim de cada ato, limpo num pano de prato as mãos sujas das canções”. É uma beleza!

  2. Poema lindíssimo, Jesus de Ritinha de Miúdo! A dor do amor é responsável pelos versos mais bonitos dos poetas…”O amor é a coisa mais triste, quando se desfaz…..”.

    Tenha um excelente domingo!

  3. Porra, poeta, aí é phodda!!!
    Peguei um pano de prato e estou chorando até agora. Hoje estou muito emotivo. Deve ser a TPM.

  4. Meu caríssimo Jesus de Ritinha de Miúdo:

    Seus versos têm uma sublimidade (adjetivo muito utilizado por mamãe para significar ternura, doçura, meiguice…), que não há análise que alcance sua beleza.

    Há momentos que a gente pensa estar cantando TERESINHA, música e letra geniais de Chico Buarque interpretada magistralmente por Maria Bethania.

    Que esse pano de prato fique eternizado na pureza desses versos geniais.

    Valeu, Grande Poeta! Seja na crônica, seja na poesia, você é o mainstream dessa leveza de espírito no JBF.

    Deus lhe deu esse talento porque quis, porque sabia a quem estava dando

  5. O Jesus de Ritinha de Miúdo,
    Poeta de romântico ardor,
    Tem a verve e pureza do amor,
    Tem o dom, o esmero e sobretudo
    Da Poesia é amante bem agudo;
    Bem nos brinda com sua obra-prima
    Recheando lirismo nesse clima
    E encanta todos nossos corações,
    Suas palavras são feito orações
    Que ecoam na força das suas rimas.

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