CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Caro Guru,

Como bacharel em Ciências Econômicas não posso deixar de comentar sobre a ideia do demagogo de criar uma moeda única para a América do Sul.

Os países da zona do Euro, que abdicaram de suas moedas nacionais, tinham metas bem específicas sobre déficit fiscal, emissão de moeda etc.

No princípio foi muito bom porque países como Portugal, Espanha e Grécia tiveram um bom afluxo de moeda e de melhoria de suas respectivas infraestruturas. Sendo a Alemanha o país mais rico, emprestou muito Euro para esses países. Estão agora encalacrados e culpando exatamente a Alemanha por seus problemas.

A história, na verdade, vem de longe: um Euro, por exemplo valia perto de 2 mil liras italianas à época da conversão. O mesmo acontecia com as moedas de Portugal e da Espanha.

Por que?

Simples: esses países para impulsionar suas exportações usavam o artifício de desvalorizar suas moedas, encarecendo as importações e barateando as exportações.

Com a adoção de moeda única, tal artifício não pode mais ser utilizado.

Agora imaginemos a América Latina: inflação de 686,4% ao ano na Venezuela e 50,7% na Argentina (e acelerando).

Esses países teriam que parar de emitir moeda para ter uma inflação compatível com a do Brasil (por volta de 8%) ou a do Chile (por volta de 7% ao ano) e se comprometer com os limites de polícia fiscal e monetária que teriam que ser unificados.

Lembrou-me a estória dos ratos reunidos para debater como se proteger do gato. Um jovem rato sugere colocar um guizo no pescoço do gato e assim controlar seus movimentos; aplausos gerais. Então fala um sábio ratão. OK, mas quem vai colocar o guizo no gato?

3 pensou em “OSNALDO PEREIRA DE ARAUJO – BRASÍLIA-DF

  1. O que torna inviável a união de moedas na AL é o déficit fiscal que países como a Argentina e Venezuela têm. Eles imprimem $ para cobrir este buraco gerando grande inflação.

    Alguns diriam: “- Ahin, mas o BR tb tem déficit e emite moeda, o que tb gera inflação.”

    O BR está fazendo a lição de casa e diminuindo o déficit. “Especialistas” da área econômica previram que a relação dívida / PIB estaria em 100% ainda este ano. Nosso Paulo Guedes disse que este ano esta relação estaria em 80%. Ambos erraram, está em 78% com tendências a cair.

    Não fosse a pandemia estaria bem mais baixa resta relação.

  2. Coincidência….eu ia falar sobre isso, historiando a criação da união europeia e comparando com o mercusul. Ia falar do ajuste que a Grécia fez para ser aceita e que isso significa, na prática, quando se tem Argentina e Venezuela juntas.

Deixe uma resposta