OS SUCESSORES DA ESQUERDA

A “esquerda” que as pessoas com algum tipo de interesse por política conhecem, essa do tipo socialismo-comunismo-petismo e outras manifestações apenas patológicas, deixou de ser fator relevante na luta, centenária e fracassada, contra o capitalismo. Não é nenhuma surpresa, claro. Como alguém com a cabeça em ordem vai acreditar hoje em aberrações do porte das Venezuela, Cuba ou Angola da vida? Ou dessas miseráveis ditaduras africanas que se dizem “socialistas”, mas que são apenas espaços geográficos controlados por gangsters? “O socialismo tem um histórico de fracasso tão flagrante que só mesmo um intelectual poderia ignorar um desastre deste tamanho”, diz o pensador americano Thomas Sowell. O fato é que nem mesmo os “intelectuais de esquerda”, hoje em dia, acreditam mais que a “esquerda” tenha capacidade de eliminar o capitalismo da face da Terra, ou fazer qualquer coisa que não seja cuidar do próprio bolso. Resultado: outras forças assumiram o comando dessa tarefa.

O mais ativo inimigo da liberdade econômica, hoje, é um consórcio disforme, sem comando definido, que age por fora e por cima de partidos políticos. Sua meta é limitar, dificultar e quando possível anular os mecanismos de produção hoje em vigor no mundo. São milhares de grupos que trabalham em projetos apresentados ao público como essenciais, segundo os seus critérios de “bem” e de “mal”, para a melhoria da qualidade de vida na sociedade moderna. Chamam de “causas” os desenhos que fazem de como o mundo deveria funcionar. Estão presentes de forma maciça em toda a mídia mundial, onde transmitem uma imagem de cruzados em luta para salvar o planeta, nas organizações internacionais, nos departamentos de marketing e nas diretorias de multinacionais assustadas, em governos, em dezenas de milhares de ONGs, nas escolas — enfim, em virtualmente todos os lugares em que possam exercer alguma influência. Não são um sistema lógico de ideias; são uma religião.

Em primeiro lugar, na linha de vanguarda dessa confederação, vêm as mil diferentes modalidades de ambientalistas. São, para resumir a ópera, contra praticamente tudo que esteja ligado de alguma forma à atividade de produzir. São contra a indústria automobilística, porque ela gera emissão de carbono — assim como tudo aquilo que se movimente ou funcione com base em “energia suja”. Também são contra as usinas hidroelétricas que produzem energia limpa, a mais limpa disponível no mundo — pois elas interferem com os rios, estressam os peixes e provocam, a seu ver, todo tipo de desequilíbrio ecológico. São contra estradas, túneis, viadutos. São contra fábricas velhas, que poluem a atmosfera, e também contra as novas, que vão poluir. Na verdade, e como questão de princípio, são contra toda a atividade industrial — se saiu de alguma linha de montagem, ou de um processo automático, deve ser banido. São contra, talvez mais do que tudo, a agricultura moderna — que só consegue alimentar bilhões de pessoas por ser extensiva, mecanizada, tecnológica, resistente a pragas e de alta produtividade. Suas propostas, para substituir isso tudo, são o artesanato, a alimentação orgânica, a vida em comunhão com a natureza e por aí afora — ou algo equivalente à essas coisas.

Aos ambientalistas se juntam os movimentos pelo “fim das fronteiras” ou pela liberdade de imigração. São seus aliados os defensores da “relativização” da identidade nacional de cada país — as nações, segundo eles, deveriam reduzir suas exigências quanto à independência, tender à adoção de leis internacionais e abrir mão de valores próprios. Há os pregadores de uma “maior aceitação do islamismo” por países cristãos, os “animalistas” e toda uma constelação de entidades, grupos ou seitas com objetivos disparatados, mas com a suprema ideia comum de que “o capitalismo fracassou”.

São esses os revolucionários de hoje. Podem se revelar apenas um incômodo. Mas a cada dia vão fazer mais barulho — e levar muitas coisas a mudarem na economia.

6 pensou em “OS SUCESSORES DA ESQUERDA

  1. Señor Guzzo, siento decirle que seguramente esté usted equivocado: en izquierda hay más tribus que nunca, mucho jefe primitivo, creencias y sobre todo mucho rebaño tras el chamán de turno.

  2. Meu caro Guzzo.
    Essa é uma impertinência e uma desbocagem meio que longa de minha parte, mas parece que o mundo do século XXI esqueceu a lição de Santayana: conhecer a história é a melhor maneira de se evitar repetir os erros cometidos no passado.
    Mas parece que a esquerda, principalmente a latino-americana, ou é burra demais para refletir sobre isso, ou é canalha demais para não ver os resultados de se apoiar a ideologia genocida de esquerda. Senão, vejamos:
    Cuba – entre 1954 e 1958 – Os maiores apoiadores de Fidel Castro e sua guerrilha eram os intelectuais nas universidades, artistas e os ditos formadores de opinião. Quando Castro derrubou Batista – 1.º de janeiro de 1959 – os primeiros a serem perseguidos e calados foram justamente os intelectuais, artistas, jornalistas e os ditos defensores das minorias que, ao contrário do que dizem sobre Fulgêncio Batista, tinham sim, alguma liberdade na Ilha. Depois de Castro, poetas, escritores, intelectuais, artistas, jornalistas, gays, ou tiveram que fugir, ou foram para campos de trabalhos forçados para serem “reeducados” e formar o novo homem, na visão genocida do maior assassino produzido pelas Américas – Ernesto “Tche” – na escrita gaúcha – Guevara de la Syerna.
    Nicarágua – entre 1975 e 1998 – Quando a guerrilha sandinista de Daniel Ortega queimava plantações, aterrorizava pobres, os bispos e padres contaminados pela Teologia da Libertação davam total apoio a Ortega e sua guerrilha. Quando estes tomaram o poder, o primeiro ato de Ortega foi confiscar os bens da igreja, calar os bispos e tramar com a frente Farabundo Marti de Libertação Nacional, o assassinato de Dom Oscar Romero.
    Venezuela 1994 – quando Hugo Chavez venceu pela primeira vez a eleição para presidente, as universidades, e os canais de televisão, entre eles a Globovision foram os maiores entusiastas do governo. A atitude menos truculenta de Chavez foi cassar a concessão da Globovision com uma lei de quebra de monopólio de comunicações, intervir nas universidades e calar os jornalistas, ditos progressistas que apoiavam a ele e a sua “revolução bolivariana”.
    E exemplos sobre como a esquerda trata os seus apoiadores abundam em qualquer quadrante do planeta. Aí eu me pergunto: essa gente é idiota por vocação, ou canalha por opção mesmo?

    • Progresar significa ir adelante, sin mirar atrás. Regresar significa volver al pasado. La ideología marxista es REGRESAR, luego es imposible gramaticalmente que sean progresistas los marxistas, que jamás salieron de la revolución del proletariado y de la obsesión anticapitalista del siglo pasado.

  3. Textos do Guzzo são o único suporte que mantém a veja em pé!
    Um bom castigo pra estes ambientalistas é um pernilongo zunindo a noite toda dentro do ouvido!

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