MARCELO ALCOFORADO - A PROPÓSITO

Movidos pelo desejo de fazer as coisas como acreditam devam ser feitas, este fim de semana muitos recifenses protagonizaram uma sangrenta batalha. De um lado os manifestantes, de outro a polícia pernambucana, ao que parece treinando para uma modalidade olímpica de “tiro ao olho”, tais os globos oculares atingidos pelas dolorosas balas de borracha. Apesar de tudo, salvaram-se todos, é fato, alguns com cortes e escoriações.

A propósito, o dia lembrou um dia em que os Sete de Chicago foram julgados por conspiração, incitação à revolta e outras cominações relacionadas com protestos principalmente contra a presença americana na Guerra do Vietnã. Absolvições e condenações, apelações e reversões e, ao final, alguns os acusados foram condenados, embora tats condenações tenham sido revertidas.

Os protestos em crescendo pareciam anunciar uma tempestade. E ela aconteceria. Grupos pacifistas, pediram à prefeitura de Chicago autorização para uma marcha partindo do distrito comercial central, mas a prefeitura negou todas as permissões, exceto a de uma tarde em uma velha concha acústica, contudo impôs um toque de recolher, às 11 horas da noite, aumentando a tensão ainda mais. A situação ficou intolerável, com a polícia reforçando o toque de recolher, retirando multidões das ruas. Mesmo assim, os confrontos verbais e físicos, o gás lacrimogênio e os cassetetes para espancar as pessoas recebiam dos protestantes pedras e garrafas.

Ao longo de mais de seis meses, o júri se reuniu trinta vezes e ouviu cerca de duzentas testemunhas. Ao fim os sete réus foram condenados, situação depois revertida.

Quanto ao confronto pernambucano, fosse Fouché chamado a opinar sobre a ação policial do último domingo, provavelmente diria: “Foi mais do que um crime, foi um erro”.

1 pensou em “OS SETE DE CHICAGO E OS INÚMEROS DO RECIFE

  1. Quando necessário o uso do projétil de borracha, o alvo tem que ser os membros inferiores. Se não passaram essa instrução para a tropa, tem mais do que um erro !

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