GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

Antes de iniciar esta história, gostaria de lembrar que este texto não tem nenhum fundamento científico por ter sido baseado em várias fontes da internet, muitas destas não foram checadas a sua veracidade, mas a verdade é que ocorreu mais ou menos assim.

Em 13 de junho de 1927, Lampião e seu bando invadiram a cidade de Mossoró, Virgulino foi contra seu próprio ensinamento que dizia que “cidade com mais de duas torres de igreja não é lugar para cangaceiros”, Mossoró tinha quatro. No inicio de 1927 o grupo de Lampião sofreu uma grande baixa, Antonio Ferreira, irmão de Lampião, morto acidentalmente em Tacaratu pelo cangaceiro Luiz Pedro. Os cangaceiros, liderados por Jararaca, fizeram alguns saques a cidades do estado de Pernambuco, depois o bando decidiu mudar de estado. No dia 15 de maio o grupo ataca Uiraúna, na Paraíba, com 35 cabras, mas foram rechaçados pelos 15 homens da policia local, e seguiram rumo ao Rio Grande do Norte. Em Luiz Gomes se incorporou ao bando o cangaceiro Massilon Leite, e seguiram rumo a Mossoró, cidade próspera, com Banco do Brasil e um povo pacato, segundo Massilon, que era o guia do bando no estado potiguar. Atacaram várias cidades e fazendas por onde passaram. Na Fazenda Nova não pouparam nem o Coronel Joaquim Moreira, padrinho de Massilon, que foi sequestrado. Em Aroeira, hoje Paraná, a Senhora Maria José foi levada como refém.

1. Lampião e Antonio Ferreira, 2. Nenen e Luiz Pedro 3. Casa que morava Massilon em Luiz Gomes (RN)

Lampião sabia do risco de invadir uma cidade do porte de Mossoró, mas incentivado por Massilon, que havia invadido Apodi com apenas seis homens, seguiu o programado. Nesse deslocamento o bando desviava das cidades e estradas mais movimentadas, para poupar homens e munição. Já em 10 de junho atacaram a Vila Vitória, só escaparam as casas que tinham fotos de Padre Cícero. Esse ataque a Vila Vitória fez a polícia potiguar se preparar para uma resposta, e em Marcelino Vieira teve um combate com uma morte de cada lado, o cangaceiro Azulão e o soldado José Monteiro, este último é considerado herói no lugar. “Quando acabou a munição os outros foram embora, mas ele disse ‘eu morro, mas não corro!’ e morreu lutando.”, contou Seu Pedro, morador local, ao G1. Já no dia 12, atacaram Umarizal e chegaram ao povoado São Sebastião, hoje Governador Dix-Sept-Rosado (os moradores locais falam “Dissé Rosado”) onde saquearam o comércio, queimaram um vagão do trem, e ao deixarem o local cortaram os fios do telégrafo, mas era tarde, nos fios já haviam seguido as mensagens do ataque para a estação de Mossoró. Quando a noticia chegou a Mossoró, o mensageiro correu até uma casa onde estava ocorrendo uma comemoração pela vitória do Humaitá, time de futebol local. A princípio acharam que era boato plantado pelos torcedores do Ipiranga, time derrotado, para acabar com a festa, mas mesmo assim findaram a farra e começaram os preparativos.

1. Massilon 2. Homenagem ao soldado José Monteiro em Marcelino Vieira 3. Equipe do Ipiranga de Mossoró

Em 13 de junho, após varias tentativas de se evitar o combate por parte do Capitão Virgulino, ele mandou este ultimato rabiscado de próprio punho: “Coronel Rodolfo. Estando eu até aqui pretendo dinheiro. Já foi um aviso aí para os senhores. Se por acaso resolver me mandar, será a importância que aqui nos pede, eu evito a entrada aí. Porém, não vindo essa importância, eu entrarei até aí, pensa que a Deus querer eu entro e vai haver muito estrago por isto, se vir o doutor. Eu não entro aí, mas me resposte logo. Capitão Lampião.” O prefeito atendeu um pedido do cangaceiro, foi ligeiro na resposta, mas quanto ao dinheiro foi inflexível: “Virgulino Lampião: Recebi o seu bilhete e respondo que não tenho a importância que pede; o comércio também não tem. O banco está fechado, pois os seus funcionários se retiraram daqui. Estamos dispostos a suportar tudo que o senhor quiser fazer contra nós. A cidade confia na defesa que organizou. Rodolfo Fernandes, prefeito.” Foi escolhido o Tenente Laurentino para preparar toda a logística. Em vagões de passageiros e de cargas, as mulheres, crianças e idosos foram despachados para Areia Branca, cidade portuária vizinha. Na cidade, montaram 23 trincheiras, as torres das igrejas eram as principais, o prefeito recusou reforço na defesa da sua residência. Os mossoroenses se espalharam com armas pelas trincheiras e quando os cangaceiros cruzaram a ponte da linha férrea, começou a chuva de balas, que duraria por cerca de quarenta minutos, ao final os bandoleiros bateram em fuga, o cangaceiro Jararaca, que havia bebido demais no dia anterior, não conseguiu fugir, foi preso e enterrado vivo.

1 e 2. Mossosoenses preparados nas trincheiras; 3. Jornal com noticia da época; 4. Memorial da Resitencia de Mossoró

A cidade de Mossóró cultua esses guerreiros como os heróis da resistência, e na antiga estação de trem ergue-se o Memorial da Resistencia de Mossoró, que conta toda a história desta batalha de pessoas comuns que se juntaram para enfrentar bandidos perversos treinados para fazer o mal. Durante a fuga no sentido do Ceará, Lampião ainda comentou com os comparsas justificando a derrota: “da torre da igreja, até os santos atiravam na gente.”

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