Os olhos dela, os olhos de Clemência
São como o infindo azul resplandecente:
Olhos em cuja luz misticamente
Desponta a estrela d’alva da inocência.
Nada perturba a calma transparência
Desse infantil olhar terno e dormente,
Onde se estampa ainda fielmente
Do Divino cuidado a paciência.
Deixa que eu cante, ó anjo, a formosura
Do teu olhar dulcíssimo: – entretanto
Cedo virá a hora ingrata e escura
Em que outra voz apregoará o encanto
Dos olhos teus, queimados de amargura,
De amor, de febre e de insensato pranto.
Colaboração de Pedro Malta