PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Os olhos dela, os olhos de Clemência
São como o infindo azul resplandecente:
Olhos em cuja luz misticamente
Desponta a estrela d’alva da inocência.

Nada perturba a calma transparência
Desse infantil olhar terno e dormente,
Onde se estampa ainda fielmente
Do Divino cuidado a paciência.

Deixa que eu cante, ó anjo, a formosura
Do teu olhar dulcíssimo: – entretanto
Cedo virá a hora ingrata e escura

Em que outra voz apregoará o encanto
Dos olhos teus, queimados de amargura,
De amor, de febre e de insensato pranto.

Colaboração de Pedro Malta

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