GUILHERME FIUZA

Enquanto Renan Calheiros, o herói da ética e da vida, dava seu show no Senado para o consórcio de imprensa marrom, outro parlamento abrigava um evento menos concorrido e sem a mesma torrente de manchetes em tempo real dedicadas à CPI dos justiceiros de várzea. Como você já notou, a CPI é um sucesso nacional – mesmo entre os que adoram odiá-la, e assim lhe garantiram a audiência necessária para que o festival de bravatas não caísse na vala da sua desimportância.

O outro parlamento referido acima era a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em sessão quase simultânea ao arraial de Calheiros e Aziz, deu-se ali provavelmente uma das últimas esperanças para a vida em democracia – mesmo que os adeptos da democracia estejam ocupados demais odiando Renan Calheiros. Reunindo alguns dos principais estudiosos da pandemia, a audiência pública sobre o famigerado passaporte vacinal demonstrou o que todo indivíduo atento já vinha captando: a imposição da vacinação contra covid não tem nada a ver com saúde.

“A vacina de covid não só não está funcionando para fins de bloqueio sanitário, como não está funcionando para o controle da doença”, declarou o doutor Francisco Cardoso, infectologista e perito médico.

Muito aplaudido pelos públicos interno e externo (assistindo à sessão por telão), o doutor Cardoso sintetizou o que os diversos e conceituados médicos presentes à audiência expuseram (veja em vídeo a íntegra do evento clicando aqui), com aprovação de deputados de variados partidos e orientações ideológicas que compareceram à Assembleia: a obrigatoriedade da inoculação de substâncias que não impedem a transmissão do vírus entre os indivíduos não faz sentido como medida de saúde pública.

Chamando a atenção para o ambiente propagandístico que se impôs sobre a ciência na campanha de vacinação contra covid, o infectologista demonstrou a quantidade de desinformação que rondou os dados sobre a eficácia das vacinas desde o início da aplicação em massa:

“Os estudos conclusivos que autorizaram o uso experimental dessas vacinas não eram tão conclusivos, porque agora já estamos falando em terceira dose. Já estamos falando da segunda dose da Janssen, por exemplo, que seria dose única. Estamos falando em terceira dose para idosos com mix de vacinas, sem nenhum estudo científico que corrobore essas estratégias”.

O doutor Cardoso demonstrou a inconsistência das informações supostamente científicas sobre consolidação de eficácia das vacinas. Mesmo o estágio de desenvolvimento dos imunizantes está, na prática, indefinido:

“O próprio fato de se falar em terceira dose é a comprovação de que tudo que se falou até agora sobre estudos comprobatórios de vacina foi no mínimo precipitado. Ou seja: nós estamos voltando para a fase 2. Esquece a fase 3. Se nós estamos tendo que fazer a terceira dose para ver se dessa vez a pessoa adquire algum tipo de imunidade contra covid, é porque estamos voltando para a fase 2 – que é a fase em que se estabelece o número de doses necessárias para se adquirir imunidade”.

E concluiu com a constatação constrangedora para os propagadores da suposta ciência imunológica: “Ou seja, aqueles estudos de fase 3 lá do início do ano, que deram 95% para a Pfizer, 50% para a CoronaVac, etc., tudo aquilo pode ser jogado no lixo. Não serve para nada”.

Sobre a suposta segurança das vacinas, o doutor Francisco Cardoso apontou as premissas igualmente falsas (como as de eficácia) que levam a população a se sujeitar a esse experimento para, por exemplo, não perder seu emprego – sem o conhecimento dos riscos ainda não dimensionados, mas já constatados em múltiplos casos clínicos pós-vacinação com efeitos adversos como tromboses, miocardites e doenças autoimunes: “Se nós estamos num terreno desconhecido, principalmente no que diz respeito a efeitos colaterais, nós não podemos obrigar ninguém a tomar”.

O infectologista recorreu a uma referência histórica para chamar a atenção sobre os propósitos dissimulados, quando se está diante de propaganda de imunização sem lastro real na medicina:

“Os nazistas faziam isso: mentiam em nome da ciência. Quando implantaram a ditadura na Alemanha usaram da ciência e de práticas higienistas para exercer controle social. Depois é que descambaram para a violência pura e explícita. Mas no início era tudo em nome da higiene”.

3 pensou em “OS HIGIENISTAS

  1. Guilherme.
    Considere-se que em outro Rio Grande, o do Norte, há um outro parlamento que nos dá exemplo de bem agir, em situações como as que estamos vivendo.
    Sem o estardalhaço da mídia voraz e sem os holofotes que só têm iluminado Renan, Alcolumbre e Randolfe, os parlamentares riogradenses do norte nos dão uma lição de como a verdadeira nação brasileira espera e deseja que se comportem aqueles que receberam o nosso aval para bem dirigir os destinos do País.
    Não são gritos, agressões e, até mesmo, trejeitos que devem ter sido copiados, como relembranças dos teatros de “vaudeville” da Praça Tiradentes, que vão assegurar o progresso da nação brasileira, mas o combate à corrupção e à ladroagem que os integrantes desse quadrilhão que luta para não ser afogado na onda de moralidade que se intenta estabelecer no Estado brasileiro.
    Demos, pois, os espaços que esses batalhadores merecem, esperando que se façam exemplos que se façam exemplos multiplicativos, levando outros a se imbuir do chamado do Almirante Barroso, quando disse que o “o Brasil espera que cada um cumpra com seu dever.”
    Cumpramos, pois, o nosso.

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