GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Quatro pessoas foram presas no interior de São Paulo, suspeitas de serem os autores da invasão dos telefones celulares do atual Ministro da Justiça Sérgio Moro, do Procurador da República Deltan Dallagnol, e de quem mais se poderá saber com o avanço das investigações.

Várias indagações e alguns desdobramentos têm surgido ao longo do noticiário, sobre serem ou não os detidos capazes de usar a tecnologia para rastrear telefones, se seriam eles mesmos os invasores, se tendo mesmo invadido haveria relação com a obtenção de dados pelo The Intercept e outros detalhes.

Também parece terem-se concentrado o foco, as atenções e as suspeitas sobre um deles, Walter Delgati Neto.

Bem, o noticiário está repleto de informações, assim como as redes sociais replicam muitas delas; e elas e vários blogues acrescentam boatos e fuxicos.

Mas nada disso, no momento, nos interessa, particularmente. As apurações policiais prosseguem e aos poucos teremos os resultados; e mentiras e fofocas tenderão a perder o sentido (embora isso não aconteça de todo, haja vista que inúmeros leitores insistem em manterem-se filiados a teorias da conspiração, como a de que Adélio Bispo não sofre das faculdades mentais e está pronto para abrir a boca e entregar quem o contratou para matar Bolsonaro).

A grande surpresa, caso esse suspeito, alguns ou todos eles estejam realmente envolvidos com os crimes visados, é que isso poderia resultar em um efeito colateral indesejado por quem se mostrava interessado na busca dos hackers.

Por enquanto, parece improvável que sejam eles, mesmo, que tenham obtido todo o material que o The Intercept diz ter recebido e que o tenham passado para Glen Greenwald.

O problema é que, se foram, mesmo tendo sido o material obtido de forma ilícita, tais sejam as escutas telefônicas não autorizadas por ordem judicial, um resultado poderá eventualmente ocorrer: o da confirmação da existência dos diálogos, de sua integralidade e da não-edição.

As consequências imediatas seriam a prisão dos invasores dos telefones e a pura desmoralização de alguns envolvidos nas conversas, pois sabemos que materiais obtidos de forma ilícita não servem como provas de crimes.

Nada deveria prejudicar o The Intercept e os jornalistas que fizeram as publicações, porque estariam protegidos pela liberdade de imprensa, pelo direito de informar, pela garantia de sigilo das fontes.

Mas, já temos conhecimento que, mesmo obtido de modo ilícito o material, as escutas podem servir como prova em favor de condenado.

Neste caso, o efeito colateral menos desejado pelos que se interessaram com afinco nas buscas e prisões pode acontecer: a prova da parcialidade na condução de certos processos judiciais, dentre eles os que condenaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aí, a direita no poder poderá estar com os dias contados.

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