PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Dizem que os colibris são beija-flores,
que as flores beijam cariciosamente!
Aqui os vejo, nesta árvore frondente,
a mais florida desses arredores.

Fingem que as beijam, mas de enganadores,
nesse adejar sutil e permanente,
furtam-lhes, sábia e cautelosamente,
o néctar, como a luz lhes furta as cores.

A falarmos diríamos: é triste
a vida de quem vive porque existe…
Mas as flores diriam, se falassem:

– Inda estamos por ver, sem que outros vissem,
lábios que de beijar não se iludissem,
nem olhos que de olhar não se enganassem.

Quintino da Cunha, Itapagé-CE, (1875-1943)

3 pensou em “OS BEIJA-FLORES – Quintino da Cunha

  1. Gostei deste texto, que ainda não conhecia, embora já tenha lido e escutado diversas relatos irreverentes atribuídos a José Quintino da Cunha, um cearense rico em catilogência e que virou lenda no Ceará (onde é conhecido como Quintino Cunha).
    Se vivo estivesse, Quintino da Cunha certamente estaria integrando, com sua catilogência e presepadas, o timaço de colaboradores desta gazeta escrota.
    Valeu!

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