Dizem que os colibris são beija-flores,
que as flores beijam cariciosamente!
Aqui os vejo, nesta árvore frondente,
a mais florida desses arredores.
Fingem que as beijam, mas de enganadores,
nesse adejar sutil e permanente,
furtam-lhes, sábia e cautelosamente,
o néctar, como a luz lhes furta as cores.
A falarmos diríamos: é triste
a vida de quem vive porque existe…
Mas as flores diriam, se falassem:
– Inda estamos por ver, sem que outros vissem,
lábios que de beijar não se iludissem,
nem olhos que de olhar não se enganassem.

Quintino da Cunha, Itapagé-CE, (1875-1943)
Gostei deste texto, que ainda não conhecia, embora já tenha lido e escutado diversas relatos irreverentes atribuídos a José Quintino da Cunha, um cearense rico em catilogência e que virou lenda no Ceará (onde é conhecido como Quintino Cunha).
Se vivo estivesse, Quintino da Cunha certamente estaria integrando, com sua catilogência e presepadas, o timaço de colaboradores desta gazeta escrota.
Valeu!
Caríssimo Jairo.
O seu valioso comentário, acrescido do envio de tão interessante documentário ,dá mais brilho ao poema do Quintino Cunha .
Votos de um excelente dia.
Fraterno abraço