GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

Esse mês de março de 2020 começou com um feriado inusitado na primeira sexta-feira do mês, feriadão no dia 6, era a primeira comemoração da Data Magna da tomada do poder dos portugueses, que ficou conhecida como Revolução dos Padres ou Revolução Pernambucana. Na verdade a comemoração já existia há algum tempo, porém era deslocada para o primeiro domingo de março e como feriado não combina com domingo, ficou esquecida da população até que agora virou folga e praia para os pernambucanos.

Praia lotada no feriado de 6 de março de 2020

A Revolução Pernambucana teve início por ideia dos maçons revoltados com o alto vulto de impostos que era enviado da capitania pernambucana para o Rio de Janeiro a fim de custear as despesas da coroa portuguesa que havia se mudado para a capital do Brasil. A corte era gastadeira: muitas construções, roupas caras, grande número de funcionários e festas ocasionavam a necessidade de transferência de riquezas das capitanias para o Rio, por outro lado, faltava dinheiro para resolver problemas locais, como enfrentamento das secas, infraestrutura urbana e até pagamento dos soldados.

Tela “Benção das Bandeiras da Revolução de 1817” de Antonio Parreiras

A Revolução contou com apoio internacional, Os Estados Unidos haviam aberto seu primeiro consulado no hemisfério Sul na capital pernambucana. Os militares franceses que haviam apoiado Napoleão também se ofereceram para ajudar o movimento com uma condição: resgatar Napoleão Bonaparte de uma ilha no meio do Oceano Atlântico, essa ilha eu já falei dela aqui no SÓ SEI QUE FOI ASSIM, ficou curioso? Clica aqui. Depois de resgatado, Napoleão seria trazido para Pernambuco e posteriormente para Nova Orleans, nos EUA. Alguns destes soldados chegaram a Pernambuco, mas já era tarde, a revolução já havia sido debelada. Assim que chegaram foram presos.

Mapa diagrama dos deslocamentos das forças reais

Após o início da revolução, as províncias da Paraíba e Rio Grande do Norte se juntaram a Pernambuco, o Ceará veio logo depois. Mandaram Cruz Cabugá como embaixador para os Estados Unidos, Cabugá é considerado o primeiro embaixador brasileiro, “era um mulato rico, solteiro, farrista e apreciador dos prazeres da vida. O apelido “Cabugá” lhe foi posto na ourivesaria de seu pai, por conta de certa dificuldade de dicção dele ao falar “bugar”, que é limpar o ouro”, afirma Gustavo dos Santos Ribeiro em “A Missão Cabugá nos EUA”. Criaram uma bandeira e promulgaram uma constituição baseada na da Colômbia. A bandeira era igual a atual de Pernambuco, sendo que tinha três estrelas, simbolizando as três províncias rebeldes. O bairrismo já existia, as hóstias passaram a ser de mandioca e o vinho foi trocado por cachaça.

Bandeira de Pernambuco revolucionário

Pernambuco ainda tentou o apoio de outras províncias, mas sem sucesso. Para a Bahia foi enviado Abreu e Lima, o Padre Roma, que foi fuzilado a mando do governador Conde dos Arcos logo ao desembarcar, a população comemorou cantando: “Bahia é cidade; Pernambuco é grota; Viva Conde d’Arcos; Morra patriota!”. Esse Abreu e Lima é o pai do general homônimo que dá nome a refinaria da Petrobrás e à cidade de Abreu e Lima.

Bárbara de Alencar, heroína de 1817, primeira presa política do Brasil

A coroa mandou 8 mil homens para combater a revolução, pelo mar fecharam o porto e por terra chegaram pelo sertão vindos da Bahia, a batalha final se deu em Ipojuca. Após a vitória da coroa, a comarca de Alagoas pertencente a Pernambuco foi desmembrada em agradecimento aos produtores alagoanos que ficaram ao lado dos portugueses. A Bahia ganhou toda a parte da margem esquerda do Rio São Francisco que hoje pertence ao território baiano. Mesmo sem obter êxito, a Revolução Pernambucana foi importante para que o povo brasileiro se tornasse independente de vez, pois foi a semente da Proclamação da República de 1922.

2 pensou em “OS 75 DIAS QUE PERNAMBUCO VIROU UMA NAÇÃO

  1. Eu creio cá comigo que se as diversas revoluções que tentaram separar partes do Brasil tivessem sido vitoriosas, estaríamos melhor hoje, vivendo em vários países amigos, ao invés dessa imensidão desgovernada que temos hoje.

  2. Concordo contigo, Marcelo.

    Só que, se o Nordeste for se separar agora, não vai ter nem como alimentar a população. Será uma imensa Biafra, com mais de 50 milhões de morta-fomes analfabetos, que não produzem nem o que comem.
    Teremos de retornar ao canibalismo celeremente.
    Hoje, o que suporta os estados nordestinos são os repasses federais, sempre bancados pelo superavit tributário do estado de São Paulo. Eram mais de 200 Bilhões anuais que recebíamos de esmola federal, da última vez que analisei estes números em um artigo aqui mesmo no JBF.!
    Isso representa hoje quase a metade do PIB desses estados, todos falidos e governados por bestas quadradas, todos entupidos de arrogância e ideologias imbecilizantes.
    Perdemos a chance em 1817, graças a esse bando de baianos filhos da puta.
    Sustentamos financeiramente essa merda dessa coroa por mais de 200 anos e, ao final, só sobrou decadência econômica e dependência.

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