ORGULHO

Nômade sem destino, ave noturna,
sem fé, sem ilusões e sem coragem,
só descanso minha alma taciturna
dos carrascais na rústica estalagem.

Nas grutas penso ouvir-te a voz, soturna,
numa ânsia rude e estranha de selvagem
julgando ver-te a luz em cada furna,
vendo-te em tudo refletida a imagem!

E me devolve o olhar das lapas frias
as chispas de um desejo insatisfeito,
garras de fogo em desabrida luta.

Mas de orgulho emudeço, ante as harpias,
como se elas ferissem no meu peito
inerte coração de rocha bruta.

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