XICO COM X, BIZERRA COM I

Elas já não cuidam de nós e permitem as maiores atrocidades. Suas varinhas mágicas, escondidas sob suas roupas agora pretas, parecendo togas, não produzem mais efeitos. Os sapatinhos de cristal, quebraram-se todos nos degraus das escadas dos palácios suntuosos. Procurou-se, em vão, sapateiros para consertá-los, mas sapateiros já não há nas cercanias do reino encantado e os súditos, desesperançados, andam descalços, pisam pedras. Os guardas sumiram nas carruagens sem placas, bêbados e em alta velocidade: ao que parece, eles não estão interessados em moralizar o trânsito. Os que outrora se intitulavam príncipes mofam nas masmorras mais sombrias. Outros estão por ir fazer-lhes companhia. De nada adiantou procurar as fadas no calabouço, ao lado do pomar das melancias verde-rosa, onde imaginei estivessem escondidas: tinham todas saído para rebolar suas bundas num show de Anita. É triste saber dos desmandos todos, mas mais triste ainda é saber dos ladrões de tatuagens. Já faz pra mais de um ano que sumiram com as da princesa. Descobriram os ladrões. Falta descobrir quem mandou roubá-las. Eles podem quase tudo, mas não poderão roubar a coragem e o amor tatuados no coração dela.

(… Homenagem a MARIELLE, tão reverenciada por tantos, com justiça, e a menina BEATRIZ MOTA, assassinada no colégio de Petrolina, e que poucos lembram sequer o seu nome.)

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