OLIGARQUIAS

Governo, qualquer um deles, é a forma que gente esperta encontrou para se locupletar às custas de um bando enorme de otários. Conforme já afirmei reiteradas vezes nestes meus opúsculos: GOVERNO BOM É GOVERNO MORTO!

O grande crime organizado em nosso país não é, nem de longe, o Primeiro Comando da Capital – PCC, O Comando Vermelho, ou outras facções menos votadas como “Os Amigos dos Amigos”. Não é mesmo! A maior facção criminosa de nosso país, e disparadamente maior que qualquer outra que venha a surgir, se chama GOVERNO!

Essa conversa para boi dormir que diz que TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A LEI é a piada mais escrota de todos os tempos. É uma imbecilidade galopante acreditar nessa imensa balela. Precisa ser muito ingênuo para levar a sério esta afirmativa da nossa constituição. Alguns sempre quererão ser “mais iguais” que todos os demais.

Quem é que, não fazendo parte desta gangue, tem a seguinte condição:

• Salários dignos de altos executivos de multinacionais e sem que tenha nenhuma obrigação com resultados?

• Aposentadoria precoce e recebendo o abusivo salário de forma integral?

• Não pode ser demitido em praticamente hipótese nenhuma?

• Se fizer alguma patifaria bem grande, o máximo de punição que recebe é ser mandado para casa de férias eternas e recebendo integralmente os nababescos salários?

• Define ele mesmo seu próprio salário e, o que é mais importante ainda, os incontáveis adendos que serão agregados a este mesmo salário, multiplicando-o por cinco vezes, dez vezes, ou até mesmo 50 vezes?

• Férias em dobro e sucessivos recessos, sempre recebendo integralmente e até adicionais de férias? Etc.

Esse problema tem origem em um fato muito simples: O POLÍTICO PROFISSIONAL!

É aquele cara que não sabe fazer mais nada na vida. Toda sua atividade sempre foi voltada para assumir postos governamentais. Sem essa condição, sua vida se torna um tremendo fracasso. É por isso que fica sempre pulando de galho em galho, ou de cargo em cargo, sob pena de não ter meios para custear suas despesas mais básicas.

Assim, diante da incerteza intrínseca desses mesmos cargos, age tal qual um castor, ou mesmo como uma mamãe ursa previdente: trata de acumular o mais que pode de recursos durante o período da abastança, seja de que modo for e doa a quem doer, de modo a poder fazer frente aos longos períodos de vacas magras que se seguirão.

Esta condição faz com que só dois tipos essenciais de pessoas se direcionem às funções públicas: Ou ricos vaidosos, ansiosos por posições de eminência na sociedade, e para isso gastam uma parte das suas fortunas; ou pobres expertos, que se valem de todos os meios para entrarem pobres e saírem milionários da vida pública, seja através de concurso público, seja através de indicação política, seja até mesmo através de eleições.

Essa distorção já está tão entranhada na nossa estrutura governamental que já se estabeleceram verdadeiras oligarquias políticas, passando os “feudos” políticos de pai para filho, esposa, nora, genro e agregados.

No seu sentido original, a palavra oligarquia significava “governo” (archein) “de poucos” (oligos). Com o passar do tempo, o sentido se expandiu, para fazer referência também a todo o regime que fosse comandado por pessoas ou famílias com alto poder aquisitivo. Desta forma, os governos oligárquicos passaram a ser confundidos com o governo das elites econômicas. De forma semelhante, nas situações em que um único partido político ocupa os mais altos escalões de um governo, podemos classificar também como sendo uma oligarquia. A presença das práticas oligárquicas é um dos grandes inimigos da verdadeira democracia.

No nosso país, a prática oligárquica familiar vem desde a sua fundação e se prolongou ao longo de todo o período histórico que nos antecede. Logo no início, a elite dominante era formada pelos donatários. Depois, o domínio se deslocou para as mãos dos “Senhores de Engenho”, muitos deles descendentes diretos dos mesmos donatários. Após a independência, já no império, o poder continuou concentrado nas mãos dos grandes fazendeiros, a grande maioria deles enricados através do tráfico negreiro. Mesmo no período republicano, iniciado através das pressões feitas pelos senhores de engenho nordestinos sobre o exército, durante muitas décadas tivemos o predomínio das oligarquias agrárias de Minas e de São Paulo, período que ficou conhecido como da política “Café com Leite”. Nos tempos recentes, quando o poder foi devolvido pelos militares aos civis, surgiram inúmeras lideranças políticas que, para o bem ou para o mal, continuam atuantes na luta incessante pelo poder até hoje e, com uma agravante terrível e muito pior: estão todas transmitindo o seu DNA de aprendizes de déspotas e de sanguessugas vorazes do tesouro nacional a todos os seus descendentes, muitos dos quais já se encontram firmemente encastelados em posições de poder. Tudo isso sem que se verifique a mínima melhora no desempenho, muito menos nos aspectos morais, sendo muitos deles classificados como sendo os “Ronaldinhos dos negócios”, já que apresentam todos a interessante característica de conseguir enricar milagrosamente no curto espaço de tempo em que seus progenitores ocupam cargos de poder na estrutura estatal e governamental.

Assim, saímos de uma situação em que a elite econômica detinha as posições de poder, para uma situação em que os ladravazes que detêm o poder político almejam se tornar, em curtíssimos espaços de tempo, membros efetivos da elite econômica, simplesmente através do roubo de somas monumentais do erário público.

A formação dessas oligarquias familiares se dá, preferencialmente, no ambiente estadual, evoluindo depois para a esfera federal. Dentre as mais representativas, poderíamos citar rapidamente as seguintes:

1. RORAIMA – Romero Jucá.

2. PARÁ – Jáder Barbalho.

3. MARANHÃO – Sarney e Lobão.

4. PIAUÍ – Wellington Dias, Ciro Nogueira e Mão Santa.

5. CEARÁ – Ciro Gomes.

6. RIO GRANDE DO NORTE – Os Maias e os Rosados

7. PARAIBA – Cunha Lima

8. PERNAMBUCO – Miguel Arraes, Fernando Coelho, Paulo Guerra, Moura Cavalcante e Wilson Campos

9. ALAGOAS – Renan Calheiros, Teotônio Vilela, Artur Lira e Collor de Mello.

10. BAHIA – Antônio Carlos Magalhães

11. MINAS GERAIS – Tancredo Neves

12. RIO DE JANEIRO – Os Maias, Getúlio Vargas, Leonel Brizola

13. SÃO PAULO – Mário Covas

14. PARANÁ – José Dirceu

15. RIO GRANDE DO SUL – Tarso Genro

16. BRASIL – Bolsonaro e Lula da Silva

No caso do setor Executivo do governo brasileiro, a grande desculpa para a concessão de benesses a estas oligarquias políticas era a tão falada “GOVERNABILIDADE”. Se o governante não atendesse às chantagens dos congressistas, estes não votariam a favor das propostas do governo. Confundiu-se Política de coalizão com política de cooptação. A cachorrada e a ladroagem evoluiu da seguinte maneira:

1ª Etapa – Os partidos passam a exigir o direito de colocar seus asseclas em posições de comando na estrutura governamental, especialmente naquelas posições cujo orçamento fosse maior, que é para poder roubar bastante.

2ª Etapa – Passaram a exigir a liberação de gordas verbas para as “Emendas dos parlamentares ao Orçamento”, para que eles votassem algo do interesse do governo. Pura e simples chantagem. Depois, os asseclas estaduais desses mesmos parlamentares se encarregariam de se apossar das verbas a eles destinadas.

3ª Etapa – Mensalão puro e simples! Esta inovação queimou etapas e passou a destinar o dinheiro das propinas e maracutaias diretamente ao bolso dos parlamentares.

4ª Etapa – Com a chegada de Bolsonaro ao poder executivo, as três etapas anteriores foram praticamente eliminadas. É quando Rodrigo Mais implantou a quarta etapa: Agora, o congresso faz o orçamento, aprova, libera para seus correligionários regionais (asseclas?) e estes se encarregam de coletar as propinas. Querem deixar o Poder Executivo só assistindo à lambança. Minha modesta sugestão para as próximas eleições:

NÃO VOTE EM NENHUM POLÍTICO PROFISSIONAL!

Só votem em quem tiver um emprego, uma empresa, uma atividade qualquer que lhe dê sustento fora da política.

NÃO VOTE EM NENHUM PARENTE DE POLÍTICO!

Só vote em quem for novo na atividade política. Evite a formação de oligarquias políticas.

Temos que garantir um congresso que não seja tão canalha quanto o atual, nem aceite passivamente a nomeação de excrescência como Gilmar Mendes para nada. O mesmo vale para as Assembleias Estaduais e Prefeituras.

4 pensou em “OLIGARQUIAS

  1. Parecem as capitanias hereditárias. Elder Barbalho é governador, ACM Neto, prefeito de Salvador, Bruno Covas, em São Paulo, Aécio Neves, envergonhando Minas.

  2. E, agora,, como vamos desatar esses nós que cada mais aumentam em número e tamanho?

    Veja o número de deputados e senadores – por estado – que não tem nada a ver com a proporcionalidade do número de habitantes!!!

    Por exemplo, o número dos de São Paulo, em relação aos de outros estados bem menores em população.

    Esses se unem e aprovam o que bem entenderem – e como quiserem, contrariando os desejos de outros que – somados – são bem mais populosos.

    Por exemplo, os do Nordeste e suas oligarquias sugando o que podem, verdadeiros gigolôs juramentados do erário público federal e maiores criadores de leis que só os beneficiam e os protegem em suas costumazes falcatruas.

    E não adianta querer modificar a constitutição ou criar uma nova.

    Os ditos cujos, eternos presentes ou seus indicados, agirão da mesmíssima ou da, ainda, pior maneira

    Ou alguém acredita que esses sobejamente mal intencionados e perpétuos larápios vão querer perder as suas “mamatas”???

    Resumindo: Fodamo-nos todos, per secula seculorum!!!

  3. Adônis, em fevereiro deste ano a Câmara dos Deputados começou seus trabalhos com uma renovação de mais de cinqüenta por cento, graças à revolução que trouxe à presidência da república mais renovação na política.
    Eu digo o contrário de ti, prefiro profissionais em tudo, na medicina, na advocacia, na engenharia, na veterinária e…na política. Os novatos entram sem saber como agir no meio e quando aprendem se tornam profissionais; segundo teu aconselhamento, quando aprendem devem ser retirados. A meu ver, as soluções não passam por aí, talvez devam (as soluções) aguardar até que o povo fique esperto, vale dizer, educado e conscientizado, não só para votar melhor, como também para fornecer pessoas melhores para ocupar os cargos políticos. A ciência da solucionática, que nos convenceu a colocar Jair Messias Bolsonaro na presidência da república, e que leva a procurar soluções simplistas e rápidas, pode nos induzir a encher a Câmara dos Deputados e o Senado Federal de bolsonaros, o que pode ser tema futuro para filmes de terror.

  4. Caro Goiano,
    Pela primeira vez, sou forçado a concordar integralmente com os teus argumentos.
    Só tem um porem:
    Eu prefiro mil vezes aprendizes com caráter, mesmo inexperientes, (O tempo rapidamente se encarregará de os ensinar) a velhos escolados e canalhas, como os temos às dúzias atualmente.

Deixe uma resposta