OLHOS ALEGRES – Luís Edmundo

Há uma lágrima, sempre, atenta em nossos olhos:
branca, redonda, clara, adamantina, pura;
e, assim como no mar os traiçoeiros escolhos,
ela, escondida, a flor das pálpebras procura.

E, aí fica parada; os íntimos refolhos
da nossa alma reflete, e, quando uma ventura
em riso nos entreabre os lábios, com doçura,
ela, a lágrima, fica a nos tremer nos olhos.

Tu, que és moça e que ris, e não sabes da mágoa
do mundo, tem cuidado! Olha essa gota d’água;
se não queres, da vida, achar-te entre os abrolhos,

ri, mas ri devagar, que a lágrima traiçoeira,
talvez, vendo-te rir assim, dessa maneira,
trema e caia, afinal, um dia dos teus olhos!

Luís Edmundo, Rio de Janeiro, (1878-1961)

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