A PALAVRA DO EDITOR

A OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico é uma organização internacional com a finalidade de promover políticas econômicas que tragam desenvolvimento econômico e o bem-estar social no mundo. A Organização é composta por 36 países seduzidos pela democracia representativa e pela economia de mercado.

O lado positivo da OCDE é ter como membros somente países desenvolvidos. Donos de elevado PIB per capita e de excelente nível de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A OCDE surgiu em Paris em 1948, onde mantém a sede, com o propósito de administrar o Plano Marshall e reconstruir a Europa destruída pelas bombas da Segunda Guerra Mundial.

Em 1961, a OCDE trocou de nome, adotou a identidade atual e abriu as portas para que países não europeus, mas genuinamente ricos, pudessem se filiar à Organização. O lado positivo da OCDE é que agrupa num só teto mais da metade da riqueza do mundo.

Todavia, desde a sua criação, a OCDE não arreda pé dos reais objetivos. Lutar por um desenvolvimento duradouro de seus associados, abrir empregos, aumentar o nível de vida, acabar com a instabilidade financeira, colaborar na luta para que outros países também se desenvolvam e, finalmente, manter a concentração na expansão do comércio mundial.

Afinal, poder contar com a assistência da Organização visando se manter estruturada em temas importantes como comércio, investimentos, finanças, tributação, energia, siderurgia, serviços, economia do trabalho, política ambiental. Poder receber, quando necessário, aquela gabaritada assistência de quem entende do riscado é o sonho dos países membros.

Da fundação da OCDE participaram 16 países. Posteriormente dois países ingressaram na Organização. A Alemanha em 1955 e a Espanha em 1959. Depois da Reforma, em 1961, chegaram o Canadá e os Estados Unidos. Daí em diante foram engrossando a lista de países membros o Japão, o México, a Hungria, a Coreia do Sul, o Chile, Israel e mais alguns.

Na lista de espera pela aprovação do pedido de adesão encontram-se Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia. O Brasil estar confiante da aprovação do seu ingresso no conceituado grupo dos fortes.

A maior virtude em fazer parte da Organização que congrega o clube dos ricos é garantir vantagens comerciais nas transações internacionais. Exportar para obter divisas, importar produtos, máquinas e equipamentos de primeira qualidade para reciclar a tecnologia, barateando preços. Estar no topo do comércio internacional.

Porém, os participantes da OCDE pagam. A efetivação não é gratuita. O custo não é barato. A contribuição anual obrigatória é calculada de acordo com o tamanho do PIB de cada país.

Contudo, compensa estar na companhia das mais elevadas economias como membro efetivo. O país associado ganha projeção e credibilidade internacional. Torna-se destino de investimentos. Para mostrar serviço na solicitação, o Brasil prova que tem metade do PIB sul-americano e um mercado consumidor em franca expansão.

Mas, não é fácil o ingresso nesse seleto grupo. Poucos países pobres conseguiram o intento. O México faz parte do grupo desde 1994 e o Chile entrou em 2010. Todavia, o Peru, faz tempo, tenta e não consegue aprovação. Mais recentemente a Argentina e a Colômbia passaram a figurar como pretendentes. Sem outras alternativas, o negócio é a convocação oficial. Sem politicagem.

Por isso, resta ao Brasil apenas aguardar o ok da OCDE. Enquanto isso, tem de continuar batalhando para cumprir algumas exigências do clube nos campos fiscal e econômico. No primeiro convite feito em 2007, na era petista, o governo recusou o convite sob a alegação de que já tinha o selo de qualidade. Provava que sua política econômica e social estava bem montada. Dando bons resultados. Não precisava de mais conselhos. Grande erro. Enorme arrogância.

Até hoje, o Brasil paga caro pela falsa condição de grandeza. No entanto, especialistas também discordam do interesse do Brasil em participar do grupo. Caso participe, obtenha aprovação, o Brasil perde a liderança entre os países emergentes e pula para o último lugar em qualificação dentre as nações desenvolvidas e ricas

Outro detalhe compartilhado pelos especialistas diz respeito à condição do Brasil figurar, ao lado da China, também não integrante da OCDE, como um dos cinco destinos internacionais, dentre as dez mais importantes economias do mundo, de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Por outro lado, caso o pedido seja aprovado, Brasil perde a liderança entre países em desenvolvimento e pobres do grupo G77.

Como efeitos positivos, a entrada do Brasil na OCDE visa facilitar a captação de recursos a taxa menores. No longo prazo, a sociedade seria favorecida, tendo em vista a abertura de portas para os investidores estrangeiros com a nova imagem do país a ser exibida no exterior. Embora as vantagens só comecem a aparecer no cenário internacional após longo prazo.

Todavia, para ser aceito, como possuidor do famoso selo de reconhecimento internacional, fornecido pela Organização, o Brasil tem de concordar com os 238 instrumentos normativos da OCDE. Por enquanto, o país só assinou umas 40 resoluções. O caminho é longo e cansativo.

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