GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

No ano de 2001 a Marinha do Brasil colocou em operação o porta-aviões São Paulo, comprado da França para substituir o imponente, porém obsoleto, Minas Gerais. É desse segundo porta-aviões que eu vou falar, o Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais, de matrícula A-11, que serviu a Marinha do Brasil entre 1960 e 2001. Suas dimensões são magníficas, desde que não sejam comparadas com os modernos navios de guerra americanos, chineses e de outras bandeiras de países com uma marinha de guerra forte. Ele possui 211 metros de comprimento e se desloca a uma velocidade de 46 km/h e foi essa velocidade que o fez obsoleto.

Porta-aviões São Paulo A12, substituto do Minas Gerais na Marinha do Brasil

O Minas Gerais foi construído na Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, à sombra dos bombardeios alemães. Foi batizado com um nome sugestivo para a época: Vengeance, Vingança em português, com a principal finalidade de combater as tropas japonesas no Pacífico e seguiu para esta zona logo após seu batismo, mas não chegou a entrar em combate, quando a guerra acabou o Vengeance estava aportado em Sidney na Austrália, porém seguiu para a região e foi o primeiro navio britânico a entrar em Hong Kong após o armistício, o navio serviu de escritório para a assinatura da rendição japonesa. O Vengeance ainda hoje é cultuado pelo povo de Hong Kong.

O Vengeance “australiano”

Durante sua estada na Austrália, o Vengeance foi preparado para a Guerra da Coréia, porém foi substituído por outro navio, já que este era emprestado pelos ingleses enquanto concluíam outro porta-aviões, o Melbourne, encomendado pela Marinha Real Australiana. Há quem acredite que essa foi uma desculpa da marinha australiana por não poder pagar e que a Inglaterra não tendo como reincorpora-lo a sua marinha, vendeu ao Brasil por um precinho camarada.

Breve história do Minas Gerais:

O Brasil construía a nova capital quando o já batizado Minas Gerais chegou ao Rio de Janeiro, o primeiro de uma marinha das Américas, excluindo os EUA, foi a nau capitânia da armada brasileira, ou seja, o mais importante da Marinha. Apesar da grande importância ostensiva do “Minas”, este nunca foi efetivamente usado em conflitos, o mais próximo que chegou de um confronto foi quando foi deslocado para aguas territoriais em Pernambuco para combater os franceses na Guerra da Lagosta, que por sorte nossa, foi resolvida sem haver necessidade de disparar um só tiro.

O NAeL Minas Gerais navegando imponente em águas brasileiras

Depois de 4 décadas de serviços prestados ao Brasil (o Minas Gerais era o último porta-aviões da Segunda Guerra ainda em operação), o gigante já não servia mais para a guerra e finalmente em julho de 2002 foi vendido em um leilão por dois milhões de dólares para um estaleiro chinês que se interessou na reciclagem do material. Entre os interessados estava uma ONG inglesa de ex-combatentes da Segunda Guerra, que o queria o-transformar em um museu flutuante, porém não conseguiu juntar dinheiro suficiente para arremata-lo. “Como um velho cachorro já sem controle sobre as próprias pernas, o Porta-aviões Minas Gerais saiu do Rio de Janeiro rebocado, abandonando assim a baía que foi sua casa por quarenta anos, e foi em direção à eutanásia nas areias de Alang, na Índia”, descreveu o site Mar Sem Fim, sobre a partida do navio que nunca disparou um só tiro em conflito. Alang é o maior “abatedouro” de navios do mundo e é lá que está em avançado estado de decomposição o pacato e majestoso Vengeance/Minas Gerais.

Jornal de Hong Kong mostra a situação do Vengeance

5 pensou em “O TRISTE FIM DO VENGEANCE / MINAS GERAIS

  1. Nasci e morei em Santos e sempre visitava as embarcações da Marinha de Guerra. O visitei com meu pai ,uma vez quando esteve aportado lá . O porta-aviões Minas Gerais impressionava bastante.

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