ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Durante os anos de 2012 até 2014, fui premiado com a confiança do Dr. Luiz Gonzaga Paes Landim, então Superintendente da SUDENE, e desempenhei as funções de Coordenador Geral de Planejamento da autarquia. Naquela ocasião, criamos diversos grupos de trabalho a fim de executar o planejamento em cada uma das principais áreas a serem atendidas pelo órgão e pelos governos estaduais da região Nordeste.

Cada um dos grupos era focado em um assunto como Educação, Energia, Turismo, Transportes Terrestres, Transportes Aéreos, Desenvolvimento Tecnológico, Comércio Exterior, Desenvolvimento Industrial, etc. e eram formados, prioritariamente, pelos respectivos secretários estaduais para aquele assunto específico e coordenado diretamente pelo Superintendente, tendo a mim como Secretário Executivo. Para cada um destes grupos, convidávamos representantes da sociedade que tivessem mais expressão naquele tema pautado.

Naquela ocasião, colocamos como prioridade, para o grupo de Transportes Terrestres, a construção de uma ferrovia que ligasse todas as 08 capitais dos estados abrangidos pela Sudene. Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza, Teresina e São Luiz.

Demos a esta ferrovia, na ocasião, o alvissareiro nome de TREM DO SOL!

Lula e Dilma embirraram com a construção duma ferrovia que vai de “Lugar algum” a “Lugar nenhum”, a famigerada Transnordestina. Gastaram neste projeto absurdo bilhões e mais bilhões para nada! Até agora, está na situação de um cadáver insepulto. O grande sonho dos nordestinos, que ainda possuem neurônios e que os usam, ficou postergado indefinidamente. Prevaleceu mais uma vez a velha mentalidade de colonizado, ao priorizar ferrovias que visam levar riquezas do nosso interior até os portos, para que, de lá, sejam exportados a preço de banana podre, e não projetos que propiciem a nossa integração e um desenvolvimento autóctone.

Quando iniciamos as discussões sobre a tão sonhada ferrovia, esta sim uma verdadeira Transnordestina, juntou-se ao grupo profissionais da ANTT, do Sindicato dos ferroviários, engenheiros representantes das maiores empresas ligadas ao setor ferroviário, e os secretários de transporte de todos os estados abrangidos.

Foi um sucesso retumbante! A cobertura dada ao projeto pelos meios de comunicação de todos os estados, e por meios de comunicação especializados, são um testemunho veemente disso que estamos afirmando.

Vejam, por exemplo, a notícia clicando aqui.

Procurem no Google páginas sobre a Ferrovia do Sol. Surgirão dezenas de referências! Nas páginas da Sudene, da ANTT, da transporta Brasil, no Diário do Nordeste, na página do Sindiferro, no Viaje de trem, no Bahia notícias, na Gazeta Web, e muitas outras mais.

Naquela época, passamos a manter cerrada cooperação com a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, chegando mesmo a assinar um Termo de Cooperação entre a Sudene e esta mesma agência. Realizamos uma viagem à Espanha, ocasião na qual pudemos discutir detalhadamente com o pessoal dos trens de Alta Velocidade daquele país, de modo a ver quais as características que melhor se adequariam às condições do Nordeste brasileiro.

Os espanhóis se mostraram imensamente interessados em participar do projeto, e até mesmo em financiá-lo. Estivemos também na China, discutindo com as grandes empreiteiras do setor, assim como com o China Development Bank – banco deles responsável pelo financiamento de inúmeros projetos estruturadores realizados em diversos países. Os mesmos também se mostraram grandemente interessados. Estivemos em Doha, onde recebemos bastante apoio do Qatar Slamic Bank. Só que a norma deles é não investir em projetos “Green Field”. Ficariam para uma 2ª etapa.

Adotamos algumas ferrovias, mundo a fora, como referência para aquilo que sonhávamos. Vejam esta:

Califórnia – Coast Starlight

Vai de Seatle a Los Angeles – 1.377 Milhas (2.200 Km). A viagem dura pouco menos de 35 horas. O bilhete mais barato custa US$ 99,00. O trajeto é bem parecido com o que estamos planejando para a Ferrovia do Sol.

A última notícia que tínhamos do projeto do Trem do Sol foi de 2015, quando as pessoas que nos sucederam na Sudene pegaram alguns arquivos meus, que haviam herdado, e apresentaram ao governo do Rio Grande do Norte.

Confira clicando aqui 

De lá para cá, mais nada! Eis que o Senador Roberto Rocha, do Maranhão, em uma iniciativa extremamente louvável, assume a liderança do processo de pressionar pela implantação desta ferrovia tão sonhada. Clique aqui e leia

Já começou na internet o boato de que o governo de Bolsonaro teria criado um grupo de trabalho para cuidar do assunto. Infelizmente, não é AINDA verdade. Esperamos que muito em breve, nosso presidente assuma também a liderança desse projeto. O Ministério da Infraestrutura afirma que não há nenhuma decisão a respeito, enquanto a Sudene afirma que está sendo discutido a continuidade do projeto. Blah, blah, blah…

Clique nos dois títulos abaixo:

Governo Bolsonaro cria projeto de construção de Ferrovia do Sol

Não há uma ‘Ferrovia do Sol’ sendo construída pelo governo Bolsonaro no Nordeste

O grande problema de projetos como este é que NÃO SE PAGAM! Em todo o mundo, ou a passagem é cara, ou o governo arca com pesados subsídios. Quando não são os dois, O entendimento é que as externalidades positivas, geradas pelo projeto, são tantas e tão grandes, que justificam plenamente a aplicação de grandes somas a fundo perdido, e mesmo subsídios posteriores na operação do sistema. Sem isso, nada feito de grandes projetos ferroviários. Vejam o exemplo dos Estados Unidos. Só este assunto dos custos envolvidos já merece toda uma outra análise.

Por que os Estados Unidos não têm Trem Bala?

A maneira ideal que encontramos para viabilizar o “nosso” trem foi a solução espanhola. A ferrovia é construída por uma empresa estatal, que fica como dona de toda a infraestrutura, inclusive das estações. O material rodante seria de propriedade de empresas específicas: Uma, para os trens de alta velocidade entre os estados; outra para os trens urbanos e metropolitanos; uma terceira para os trens de carga, etc. Cada uma delas alugaria o direito de utilizar trechos da ferrovia durante horários específicos. Os trens interestaduais circulariam assim: Um pela manhã, um pela tarde e outro noturno. Os trens urbanos circulariam das 5:00 da manhã até às 22:00 hs. Os trens de carga circulariam sempre entre as 22:00 e as 5:00 da manhã.

As três empresas rateariam os custos de manutenção da estrutura de base e ajudariam a amortizar o investimento nela realizado. É a mesma maneira que funciona tão bem para os aviões, e a que melhor ajudaria o governo a arcar com o custo de algo como uns US$ 10 milhões por quilômetro, o que deve dar um total algo próximo aos US$ 22 Bilhões (5 anos do Bolsa Família), sem contar com as costumeiras postergações e aditivos. Essa análise dos custos envolvidos é matéria para todo um artigo novo.

Este trem abaixo é o nosso sonho. Deus queira que o senador maranhense tenha mais sucesso do que tivemos. O Nordeste e os nordestinos precisam desesperadamente de uma boa notícia como essa.

A TIM captou esse grande anseio da população em um belíssimo comercial veiculado na época.

O Trem Azul

4 pensou em “O TREM DO SOL

  1. Meu caríssimo colunista Prof. Adonis, em Pindorama, não se tem amor à pátria e sim amor a verba da pátria… dos “contribuintes”.

    Se o projeto for promissor, viável e benéfico para a população, esqueça. Não rola.
    Agora, se o projeto for inviável mas, vantajoso para os ávidos por verba pública, dispensa de licitação ou coisa do tipo, os ” representantes do povo” aprovam em menos de 24h. (Tai o COVIDÃO),

    O país se encheu de “benfeitores e salvadores” de vidas.

  2. Brasil, mostra a tua cara… Como caminhoneiro em um país que “enterrou” suas ferrovias dou testemunho de quase 30 anos de estrada Brasil afora de observar transporte, via caminhão, de “certas” cargas totalmente inadequadas para tal mister, cujo transporte via ferrovia seria mais barato e seguro, além do que a camada asfáltica de péssima qualidade em agumas estradas, principalmente as federais, não suportar o “excesso” de caminhões que circulam pelo Brasil.

    A falta de investimentos em suas ferrovias levou o Brasil a um grande caos: o excesso de caminhões e carretas nas rodovias. Hoje o país paga caro por não ter enxergado o transporte ferroviário como o mais apropriado para cargas.

  3. Meu caríssimo colunista Prof. Abonis, em Pindorama, não se tem amor à pátria e sim amor a verba da pátria… dos “contribuintes”.

    Se o projeto for promissor, viável e benéfico para a população, esqueça. Não rola.
    Agora, se o projeto for inviável mas, vantajoso para os ávidos por verba pública, dispensa de licitação ou coisa do tipo, os ” representantes do povo” aprovam em menos de 24h. (Tai o COVIDÃO),

    O país se encheu de “benfeitores e salvadores” de vidas.

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