HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O tempo é tão majestoso
Mas de certo nos derrota
Deixa a gente experiente
Rugas na face ele bota
Sem compaixão nos liquida
Regendo a canção da vida
Sem tocar nenhuma nota

Eu vi a besta do tempo
Num galope sem medida
Anunciando os flagelos
Desta terra combalida
Sem um pingo de clemência
Vi os dentes da existência
Roendo o osso da vida

Reluto entregar-me ao tempo
Com seus caprichos medonhos
Nos estilhaços das horas
Persigo dias risonhos
Lançando flores de vida
Na palidez dos meus sonhos

Minhas maiores lições
Não aprendi na escola
O tempo dita os conselhos
O medo não me controla
Em cada queda um impulso
E o chão servindo de mola

Não sei por que tanta pressa
Se essa vida pouco dura
Somos fantoches do tempo
Placebos de criatura
Correndo não sei pra onde
Marchando pra sepultura

7 pensou em “O TEMPO E A VIDA

  1. Hélio,
    Nós é que temos que agradecer por versos tão profundos.
    Comentei com o Berto que fiquei emocionada e ao mesmo tempo assustada por lembrar (não é uma coisa que a gente fica pensando toda hora) da finitude da vida.
    Abraços

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