AUGUSTO NUNES

A jornalista Suéllen Rosim, 32 anos, é prefeita de Bauru por ter convencido grande parte do eleitorado de que estava mais preparada que os adversários para solucionar os principais problemas da cidade. O mais antigo é a escassez de água potável. Esse pode ser resolvido com verbas e métodos modernos. O mais recente é a pandemia de coronavírus. Esse é bastante complicado. Se ainda não apareceu a estratégia perfeita para o combate à covid-19 em nenhum município, ninguém pode dizer com segurança o que deve ser feito num município cuja economia, afetada pela carência de indústrias, se ampara no vigor do comércio e do setor de serviços. É o caso de Bauru. Ao longo da campanha eleitoral, Suéllen optou por uma fórmula destinada a reduzir perdas e danos: fortalecer a franzina rede hospitalar e, simultaneamente, adotar rígidas normas de distanciamento social que evitassem a paralisia por períodos extensos demais dos alicerces econômicos de Bauru. É o que ela tem tentado fazer desde 1º de janeiro, quando assumiu o cargo.

Passados 35 dias de mandato, milhares de bauruenses constataram que, neste momento, o ranking dos piores problemas enfrentados pela prefeita é o governador João Doria e seus generais metidos na guerra em curso na frente paulista. Como sabem os espectadores da Ópera dos Soldados da vida, ninguém ama com tanta intensidade os brasileiros de São Paulo quanto o sumo sacerdote da seita que detém o monopólio da paixão pela vida. Ninguém enfrenta o vírus chinês com o tino e a tenacidade do líder de máscara negra, amparado na disciplina dos devotos que capricham no papel de coadjuvantes há quase 200 entrevistas coletivas. Os integrantes do alto-comando baseado no Palácio dos Bandeirantes conhecem todas as cidades paulistas muito mais que seus prefeitos. Quem ousa contestar uma única vírgula dos decretos baixados pelo chefe supremo é sumariamente remetido às galés em que gemem bolsonaristas, terraplanistas, inimigos da ciência e da vida. É lá que o clube dos adoradorias sonha instalar Suéllen Rosim.

Desde o dia da posse, aflita com a ofensiva do coronavirus na região, Suéllen faz o que pode para conseguir os leitos de UTI que faltam há muitos meses e encontrar secretários estaduais dispostos a ouvi-la sobre as urgências e peculiaridades da cidade que governa. Em São Paulo não encontrou nenhum. Voou para Brasília e descobriu o aliado ideal: Marcos Pontes, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e, mais importante ainda, nascido em Bauru. O único astronauta brasileiro abriu-lhe as portas de ministérios relevantes e conseguiu que fosse recebida por Jair Bolsonaro. No mesmo dia, Suéllen divulgou a foto dos dois. Os brasileiros normais viram na imagem o presidente da República e a prefeita de Bauru. O governador enxergou uma dupla de inimigos. E então emergiu a terceira e talvez definitiva versão de João Doria. É bem diferente das anteriores.

A versão original parecia saída das páginas de um manual de boas maneiras. Jornalista bem informado, empresário bem-sucedido, educado, procurava controlar-se mesmo quando lidava com atropeladores de sua mais aguda obsessão: a pontualidade de matar de inveja um lorde britânico. Nem sempre conseguia. Para não antecipar ou retardar o horário das centenas de eventos dos encontros que promovia na ilha de Comandatuba, o presidente do Lide interrompia com um apito o jogo de vôlei a dois pontos do fim, ou negava os 30 segundos a mais solicitados pelo orador autorizado a discursar por três minutos. Agora está claro que o respeito à pontualidade camuflava o autoritarismo que ficou mais nítido no Doria prefeito e começa a exibir dimensões preocupantes no modelo governador.

O empresário cavalheiresco, risonho, gentil não se reconheceria no político que produziu em 1º de fevereiro a enxurrada de grosserias que deixaria constrangido até um Nicolás Maduro. “Infelizmente, existem os poucos que, como a prefeita de Bauru que, de forma negacionista, ainda faz vassalagem ao presidente Jair Bolsonaro, visitando-o no Palácio do Planalto, ao invés de proteger a população de Bauru e defender a saúde e a vida de seus habitantes”, desandou o governador que em dezembro, depois de fechar São Paulo de novo, decolou rumo às lojas de uma Miami livre de quarentenas. A prefeita acusada de negacionismo jamais fechou os olhos à pandemia de coronavírus e à necessidade de combatê-la. O que Doria reduziu a um ato de vassalagem foi uma audiência concedida pelo presidente da República à prefeita de uma grande cidade. Ainda durante a campanha eleitoral, Suéllen deixou claro que concordava com várias ideias de Bolsonaro e discordava de outras tantas. “Nunca fui vassala de ninguém”, frisou a mulher que se transformou em alvo do chilique insultuoso por ter incorrido, aos olhos de Doria, no pecado da independência e no crime de altivez.

Dias antes, tão logo recebeu o decreto que castigou São Paulo com outro lockdown fantasiado de “fase vermelha”, assessores da prefeita editaram um decreto municipal que incluiu o comércio e o setor de serviços na relação de atividades consideradas essenciais. Colérico, Doria revidou com um recurso logo acolhido pelo Tribunal de Justiça. Suéllen conformou-se com o golpe sofrido pela economia de Bauru. E reagiu ao besteirol agressivo com uma aula de civilidade, encerrada com o recado pedagógico: o governador deve tratar a prefeita tão respeitosamente quanto a prefeita trata o governador [veja o vídeo abaixo]. A ira não cessou. No meio da semana, o decreto que abrandou a quarentena na maior parte do Estado manteve Bauru na zona vermelha. “A liberação de 120 leitos de UTI já me deixou feliz”, consolou-se Suéllen.

A elegante firmeza da moça que cuida de Bauru contrasta com o servilismo obsceno de jovens áulicos que aplaudem até escorregões do governador. Um deles é Marco Vinholi, 36 anos, secretário do Desenvolvimento Regional, que se apressou em bajular o chefe com uma nota escrita em português de colegial sem chances no Enem. “Suéllen age não apenas como uma militante bolsonarista, age como fã; e fã faz tudo pelo ídolo, inclusive ser pouco racional”, delirou Vinholi. “Num momento em que Bauru tem recorde de casos de coronavírus e 90% dos seus leitos de UTI, a prefeita passa por cima da Ciência e da Medicina, lançando mão de negacionismo.” Sempre torturando o idioma com selvageria, Vinholi ameaçou instalar Bauru no fim da fila da vacinação. “Muita gente faz priorização por partido, por política ou por qualquer outro tipo de questão”, avisou em inglês castiço. “A nossa priorização será para aqueles que respeitam a vida. Todos terão parceria, mas a prioridade serão com os gestores responsáveis.” Vassalagem é isso aí. Vassalagem e ignorância, berra esse “a prioridade serão com”. Nos anos 60, Nelson Rodrigues advertiu que os idiotas haviam perdido a vergonha e estavam por toda parte. O cronista genial talvez soubesse que, 60 anos depois, estariam congestionando os primeiros escalões do poder.

No momento da agressão a Suéllen, mulher e negra, onde estavam os movimentos feministas e antirracistas que localizam misoginia na ausência de mulheres na final da Libertadores, e enxergam um sórdido preconceito no branco das paredes nuas? O que não teriam feito se a ofendida fosse alguma militante do PT ou do Psol? Como a prefeita negra é também evangélica e conservadora, foi abandonada por esses clubes de farsantes. Para eles, gente assim não é gente. É uma não pessoa. E portanto pode ser chicoteada verbalmente por um figurão da elite branca que não consegue disfarçar o ódio a divergências e o desprezo pelo convívio dos contrários, sem o qual não existem genuínas democracias.

14 pensou em “O PRÍNCIPE AUTORITÁRIO E A PREFEITA NEGRA

  1. Nosso apoio e admiração pela prefeita Suéllen!
    Parabéns e força a essa guerreira do bem!
    Quando a humanidade vai entender que cor e sexo não importam?
    Que o importante é o caráter?

  2. E como diz o Goiano quando não protesta contra a injustiça praticada contra o Jornalista Oswaldo Eustáquio: – Cada um que defenda o seu.

    Ele diz: imaginem se um petista estivesse na mesma situação se um Bolsonarista o defenderia?

    Eu posso dizer por mim, um conservador de direita. Tenho como maior referência no conservadorismo, o Dr. Sobral Pinto, católico fervoroso, que defendeu Prestes de graça quando ninguém o queria. Salvou sua filha da morte.

    Injustiça é injustiça. Não importa quem seja o injustiçado os justos têm que se colocar ao seu lado.

  3. Pois é ……..

    O convite foi lançado pela churrascariade SP mas é UM ABSURDO…….
    Imagina só ……. Fornecer 1 ano de churrasco grátis para quem matar Doriana.
    Noooossa …..!!!! …… È muito triste se alguém resolver aceitar o convite …… eu vou chorar muito..

    Apesar de ser um grande filho da puta ele não merece morrer ……. é muito suave, digo violento.

    Um amigo dizia que um tiro no joelho, um no cotovelo e outro no calcanhar seriam muito mais efizazes para o sofrimento do canalha ……. mas pelo amor de Deus, não desejo isso para Doriana não …….

    Um cara honesto, de palavra, leal, competente e quem sabe nosso futuro presidente …….

    UEBA …. !!! Aí quando for presidente podemos assassiná-lo que ninguém vai falar nada……

    KA KA KA …… Seria uma comédia este STF, esta justiça estes calhordas se não fosse tão trágico para o povo brasileiro ……

    • É melhor JAIR se acostumando…O pior, caríssimo Arthur, é saber que o momento político brasileiro descortina-se da seguinte maneira para 2022:

      SE E SOMENTE SE, tirarem Bonoro, Bolsonero, Bolsoringa da disputa presidencial (qualquer um desses três vence facilmente qualquer dos oponentes, no primeiro turno), o que nos resta? Infelizmente, da famosa lista dos que estão tentando há muito tempo vestir a faixa, dos novos aspirantes ao Plananlto, acrescido do ex-juiz e do animador de auditório, o Agripino é o menos ruim… Ou você votaria no…, na… ou no…?

      E foi isso que ocorreu com Sancho sempre que foi às urnas… Tive que votar em FHC, Serra, Aécio, todos tucanos, porque os que com estes duelaram nunca me inspiraram a mínima confiança…

      Resumo da ópera: em 2022 votarem em Jair…

  4. Esse farsante Baitola vai conhecer de forma contundente a lei de causa e efeito. Força prefeita, esse FDP de calcinha côr de Rosa vai tomar onde ele mais gosta em 2022.

  5. ““Num momento em que Bauru tem recorde de casos de coronavírus e 90% dos seus leitos de UTI ” .A única coisa que secretário de merda ” esqueceu ” , é o que o seu governador querido fez em Bauru , fez na cidade de SP , de SBC e de outras tantas , fechou UTI’s . Também fechou hospitais de campanha , alguns que nunca funcionaram plenamente . E a ” grande imprensa ” só fala do governador do RJ .

  6. politica.estadao.com.br
    Chamado de ‘promotor da doença’ por Gabbardo, membro do Ministério Público em Bauru cobra abertura do HC na cidade e denuncia fechamento de ala inteira em hospital de base
    Rayssa Motta
    14-19 minutos

    A briga judicial travada entre o braço do Ministério Público de São Paulo em Bauru, no noroeste paulista, e o governo do Estado para zerar a fila da Saúde na cidade é antiga. Uma ação civil pública foi aberta ainda em 2013 para cobrar iniciativas das administrações estadual e municipal. Com a escalada da pandemia de covid-19, que agravou a sobrecarga no Sistema Único de Saúde (SUS), o dinheiro bloqueado no processo, na ordem de R$ 17 milhões, deve ser usado para custear a internação de pacientes na rede privada.

    A decisão foi tomada pela juíza Ana Lúcia Graça Lima Aiello, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Bauru, na semana passada. Além do governo João Doria (PSDB), que deve custear metade da dívida, a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), organização social que administra os hospitais de alta complexidade na cidade, é cobrada a pagar o restante. Ambos ainda podem recorrer da decisão.

    “O título executivo demonstra a urgência das medidas a serem empregadas, não podendo os jurisdicionados, que aguardam a resolução da questão da espera por vagas de leitos hospitalares desde 2013, continuarem a mercê da boa vontade dos órgãos administrativos figurando em imensas listas de espera para internação”, diz um trecho de uma decisão anterior, tomada em dezembro pela mesma magistrada, que bloqueou o dinheiro.

    A juíza atendeu a um pedido do promotor de Saúde Pública de Bauru, Emilson Komono, que vem marcando pesado na fiscalização das ações do governo. Com mais de duas décadas de carreira no Ministério Público, Komono foi transferido para Bauru em 2017 – cinco anos após a conclusão da construção do prédio do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) na cidade, ainda na gestão do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). O atraso na inauguração da unidade está no centro da disputa judicial, que agora ganha combustível em meio ao surto do novo coronavírus.

    “Na verdade, o objeto da ação não tem a ver com a covid-19. Tem a ver com falta de leitos de uma forma geral, que é um problema crônico em Bauru, documentado há pelo menos oito anos”, explica o promotor.

    Embora, na origem, o processo tenha sido aberto anos antes da chegada da pandemia, e a ordem para execução da sentença expedida em fevereiro do ano passado, o aumento da pressão sobre as taxas de ocupação dos leitos por pacientes com covid-19 trouxe os pedidos de abertura do HC de volta à baila.

    “Só no dia em que eu fiz a solicitação, tinham 58 pacientes nas UPAs e no pronto-socorro esperando vaga de internação. A covid-19 piora ainda mais o nosso cenário”, acrescenta Komono.

    Enfermaria com leitos clínicos no 5º andar do HC de Bauru. Foto: Márcio Antonio da Silva/HRAC-USP

    A cobrança pela inauguração definitiva do HC aumentou depois que a unidade passou a ser usada como hospital de campanha no ano passado. Em outubro, Doria chegou a dizer que o local seguiria aberto após a pandemia. O discurso da Secretaria de Saúde, no entanto, é o de que não há solução de curto ou médio prazo para a ativação do prédio, afirma o MP. A previsão é que as obras para adequação do edifício, estimadas em R$ 12 milhões, levem quatro anos. Não há data definida para o início da reforma.

    O governo afirma que ainda não estamos no ‘depois da pandemia’. “Enquanto for preciso assistir casos graves de covid-19, manteremos leitos para esta finalidade”, disse em nota. A gestão garante que prepara a abertura de dez leitos de UTI no hospital para atender pacientes com o novo coronavírus. Por enquanto, conforme mostra a visita do promotor (assista o vídeo abaixo) na última sexta, 29, não há movimentação na unidade.

    Parcialmente equipado, mas com as portas fechadas, o hospital ainda é pivô de um procedimento preparatório de inquérito civil aberto no Ministério Público para apurar se é possível enquadrar as autoridades por improbidade administrativa.

    Fase vermelha

    Corre ainda, em paralelo à disputa judicial, uma briga pública extra-oficial entre o governo de São Paulo e o promotor Emilson Komono na esteira decreto estadual que endureceu as medidas para contenção da pandemia.

    Na última segunda-feira, 25, a prefeitura de Bauru foi notificada pelo governo Doria por descumprimento da fase vermelha, a mais restritiva do plano de combate ao novo coronavírus. Um decreto da prefeita Suéllen Rosim (Patriotas) permite o funcionamento do comércio, bares e restaurantes de segunda-feira a sábado, contrariando a regra estadual que barra o funcionamento diariamente, entre as 20 horas e as 6 horas, e em tempo integral nos fins de semana.

    O dispositivo ganhou apoio de Komono. O promotor defende que o governo estadual tem sido ‘negligente’ diante da falta de leitos na cidade e ignorado a realidade local.

    “Eu apoiei [o decreto municipal], porque a gente acompanha tudo aqui. A gente apurou com todo o setor médico, de epidemiologia, que o problema não é o setor de comércio e serviços. A forma laranja, com horários prolongados, público reduzido e fiscalização rígida, estava funcionando. A gente está monitorando aqui, a gente é responsável. O boom que a gente teve é porque todo mundo migrou para o litoral no final de ano e voltou agora”, defende.

    Além do Hospital das Clínicas fechado, o Hospital de Base de Bauru teve uma ala cirúrgica com 17 leitos desativada nos últimos dias, acusa o promotor. A denúncia chegou ao MP e Komono esteve no local na sexta. Segundo ele, a informação repassada pela diretoria da unidade foi a de que houve corte de verbas do governo estadual na ordem de R$ 2 milhões mensais (cerca de R$ 750 mil para o próprio Hospital de Base e de R$ 1,2 milhão para o hospital estadual).

    “O governo e a procuradoria-geral querem atropelar o trabalho dos gestores locais. Isso é bola dividida. Dizer se tem que fechar. Eu respeito. O absurdo é, nestes dez meses, o Estado não ter feito o dever de casa. O governo ter imposto várias restrições e não ter equipado e aberto de vez o Hospital das Clínicas – o que ia resolver não só o problema da covid-19, mas também das outras dezenas de doenças. Tem gente morrendo por falta de leito de UTI e cirurgia”, afirma.

    Na outra ponta, o governo de São Paulo afirma que o que ocorreu foi um ‘direcionamento de 17 leitos para uso sob demanda’. De acordo com a gestão, a medida foi tomada considerando o ‘risco de realização de procedimentos eletivos neste momento’ e ‘os impactos financeiros da pandemia em todos os setores’.

    O posicionamento do promotor , que apoiou a administração municipal, vai na contramão das orientações expedidas pela cúpula do Ministério Público de São Paulo. Na terça-feira, 26, o procurador-geral de Justiça do Estado, Mário Sarrubbo, enviou uma recomendação dirigida aos prefeitos para que as gestões adequem as legislações municipais e os atos administrativos ao decreto do governo estadual que endureceu as medidas restritivas. O ofício assinado pelo chefe do Ministério Público foi encaminhado em consideração aos prefeitos que iniciaram os mandatos em 2021. Em caso de descumprimento, adverte o documento, as prefeituras podem ser acionadas judicialmente.

    As declarações em apoio à prefeitura também foram rebatidas pelo coordenador do Centro de Contingência contra a covid-19 do Estado de São Paulo, João Gabbardo dos Reis, que chamou o Komoto de ‘promotor da doença’ durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

    COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

    A reportagem entrou em contato com Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, que através de sua assessoria de imprensa respondeu aos questionamentos abaixo.

    ESTADÃO: O governador disse que o Hospital das Clínicas, que chegou a ser usado como hospital de campanha, ficaria aberto depois da pandemia. No entanto, segundo o Ministério Público de São Paulo, a informação passada pela Secretaria de Saúde é de que não há solução de curto ou médio prazo para a ativação. O governador prometeu algo que não pode cumprir? Há data para início da regularização, levando em conta que o prédio foi entregue em 2012?

    Marco Vinholi: Este raciocínio está totalmente equivocado. A pandemia chegou agora a um momento igual ou pior em comparação à primeira onda. Ainda não estamos no “depois da pandemia”. Estamos no durante. E é justamente por isso que é crucial não apenas manter esse hospital de campanha, mas ampliá-lo. E é o que estamos fazendo: esse serviço funciona desde 2020, e neste mês já aumentamos em 50% o número de leitos entre 1º de janeiro e 1º de fevereiro de 2021, com direito à ativação de mais leitos de enfermaria somente na última semana. Mais dez leitos serão ativados na primeira quinzena de fevereiro e também estão em andamento medidas relacionadas a dez leitos de UTI, que dependem do município também. Enquanto for preciso assistir casos graves de covid-19, manteremos leitos para esta finalidade. O compromisso do Governo do Estado é e sempre será manter a assistência a quem precisar. As medidas para implantação de um serviço de alta complexidade no local envolvem discussões técnicas como aprimoramento de infraestrutura e perfil assistencial, sendo objeto de análise pelas equipes da Secretaria, para efetivação com total respaldo e coerência. Importante lembrar que o hospital que estava parado desde 2012 entrou em atividade em julho de 2020 e segue em funcionamento, cumprindo a palavra e o compromisso do Governo do Estado.

    ESTADÃO: Na semana passada, a juíza Ana Lúcia Graça Lima Aiello, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Bauru, determinou que o dinheiro bloqueado (cerca de R$ 17 milhões) em uma ação civil pública aberta ainda em 2013 para cobrar iniciativas das administrações estadual e municipal para resolver a fila da Saúde em Bauru deve ser usado para custear a internação de pacientes na rede privada da cidade. Além do governo estadual, que deve custear metade da dívida, a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar, OS que administra os hospitais de alta complexidade na cidade, é cobrada a pagar o restante. O governo vai recorrer?

    Marco Vinholi: O Estado recorreu da decisão em dezembro, quando houve o bloqueio de bens, e apresentou o planejamento de abertura de leitos na região de Bauru. Contudo, houve resposta negativa do desembargador. Estamos reunindo os elementos necessários para seguir recorrendo.

    ESTADÃO: O Hospital das Clínicas ainda é pivô de um procedimento preparatório de inquérito civil aberto no Ministério Público para apurar eventual improbidade administrativa. Como o governo vê a iniciativa?

    Marco Vinholi: Este é outro ponto que não faz sentido. O Governo do Estado tem priorizado a missão de salvar vidas e combater a pandemia de covid-19, assegurando assistência igualitária em todas as regiões, incluindo Bauru. Tanto é que implantou o hospital de campanha no prédio da USP, no próprio município, e vem expandindo a capacidade de leitos no local, que ainda terá mais 10 leitos de enfermaria e outros 10 de UTI, chegando a 50 leitos exclusivos para covid-19.

    A Secretaria de Estado da Saúde está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

    ESTADÃO: Komoto esteve na última sexta, 29, no Hospital de Base de Bauru, que teve uma ala cirúrgica com 17 leitos desativada nos últimos dias, segundo ele constatou na visita. De acordo com o promotor, a informação repassada pela diretoria da unidade de saúde foi a de que houve corte de verbas do governo estadual na ordem de R$ 2 milhões mensais (cerca de R$ 750 mil para o próprio Hospital de Base e de R$ 1,2 milhão para o hospital estadual). O governo confirma? Se sim, há justificativa para o corte?

    Marco Vinholi: Não houve fechamento de leitos no Hospital de Base, mas sim direcionamento de 17 leitos para uso sob demanda, considerando o risco de realização de procedimentos eletivos neste momento e a responsabilidade do uso racional de recursos que deve ser adotada por qualquer gestão, considerando inclusive os impactos financeiros da pandemia em todos os setores.

    ESTADÃO: Como o governo recebe a acusação de negligência?

    Marco Vinholi: Não tem lógica. É uma crítica vazia, não fundamentada na verdade. A Prefeitura de Bauru não tem UTI hospitalar própria para covid-19 na cidade, e insiste em se eximir de qualquer responsabilidade, transferindo-a integralmente ao Estado. Por sua vez, o Governo do Estado mantém integralmente 50 leitos do tipo no Hospital Estadual de Bauru, e está preparando a ativação de mais 10 leitos de UTI no hospital de campanha.

    Ignorar a importância do funcionamento do hospital de campanha e até mesmo o trabalho da pasta estadual em relação à ativação de leitos é negligenciar a população. Somente na região de Bauru, os casos e óbitos cresceram mais de 20% na última semana. Já são 74,2 mil casos e 1,2 mil mortes somente nessa área, sendo cerca de 1/3 das infecções e 1/4 das mortes especificamente da cidade de Bauru.

    É essencial que as autoridades municipais deixem de priorizar posicionamentos ideológicos e priorizem a ciência e a vida, se alinhando às diretrizes estaduais para combater a pandemia. Desrespeitar as definições do Plano São Paulo, como a gestão municipal de Bauru vem fazendo, é mais uma evidência da falta de cuidado com sua população.

    O Estado faz sua parte na instalação de novos leitos, contudo precisa que gestores e cidadãos respeitem os protocolos sanitários para reduzir a transmissão do novo coronavírus e, consequentemente, evitar que mais pessoas adoeçam e necessitem de atendimento hospitalar.

    A Secretaria reitera, portanto, o apelo para que cada cidadão se conscientize de que este esforço conjunto deve estar acima de qualquer ideologia.

    Por fim, e não menos importante, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, diferentemente do que está sendo divulgado nos últimos dias pela prefeita e seus apoiadores, a Secretaria de Estado de Saúde investiu cerca de R$ 357 milhões em 2020 só em Bauru. Foram R$ 186,5 milhões para o Hospital Estadual de Bauru, outros R$ 118 milhões ao Hospital de Base de Bauru, pouco mais de R$ 37,9 milhões à Maternidade Santa Isabel, além de R$ 14,4 milhões ao Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

  7. Parabéns a prefeita de Bauru. Antes ser casa ela do presidente eleito com 57 milhões de voto do que ser vassalo do ditador chinês que não precisa de votos do povo pra usurpar o poder

  8. região de pres. prudente passou para fase amarela, marilia para laranja.e bauru continua na vermelha ,tudo perto uma da outra,este merda de governador ta mesmo ´querendo é ferrar com a prefeita.

  9. Gabardo fez parte de um grupo gaúcho que fez de tudo para implantar – Diagnósticos à distância – com um programinha feito com dinheiro publico pela bagatela de noventa e nove milhões e sonhou vender, disse vender e locupletar-se com a manobra……num deu…….. mas quanto a Prefeita de Bauru, estou sentado aguardando a Lacrosfera- Mexeu com uma mexeu com todas e a mariazinha fror se manifestarem a favor dessa prefeita coerente e corajosa. Pra cima desse individuo que está passando um tempo no Bandeirantes.
    Dá-lhe Prefeita!!!

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