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Comentário sobre a postagem MILÍCIA DIGITAL

Marcos Mairton:

É, meus amigos… Depois séculos questionando o poder opressivo do Estado, os seres humanos agora se deparam com o poder opressivo privado. Isso não significa que a opressão do Estado acabou. Apenas surgiu outra mais forte e, aparentemente, com maior poder de destruição.

A opressão do Estado vem sendo contida, ao longo dos séculos, pela reação dos súditos, que gerou as leis, a separação dos poderes, o processo legislativo, a Constituição e tantos mecanismos que o cidadão pode lançar mão em defesa de si mesmo.

Mas o Twitter é privado (como as redes sociais em geral). Aceita entre seus usuários quem seus dirigentes quiserem. Logo, se um usuário diz algo que lhes desagrada seu perfil pode ser suspenso ou cancelado, o que revela um curioso paralelo com as penas de prisão e de morte.

As grandes marcas também são privadas. Anunciam nos veículos que bem entenderem. Se um veículo de comunicação diz o que seus dirigentes não gostam, podem deixar de anunciar.

Acontece que essas são formas de poder, o que se acentuou desde que surgiu esse mundo paralelo que é o mundo da internet, notadamente das redes sociais. E, quando falo de gigantes, não me refiro apenas a esses que têm marca e endereço físico.

Há também os anônimos, ocultos sob nomes fictícios, que movimentam milhares (ou milhões) de robôs em apoio a bandeiras hoje chamadas de hashtag, ou simplesmente #.

Perfis administrados por seres humanos dotados de corpo físico também embarcam nessas hastags, destilando o seu ódio, cada um por suas razões particulares. Isso também é poder.

E aqui surge um paradoxo: os gigantes privados que têm nome e endereço também temem os anônimos. Não querem ver suas marcas ligadas a # negativas, que possam reduzir a sua influência e, consequentemente, sua clientela.

O fato é que hoje, nas redes sociais, acusa-se, julga-se, condena-se e aplicam-se penas, sem que seus efeitos se limitem ao mundo virtual. Cada vez mais eles alcançam a vida real.

Quem não tem medo atualmente de ser motivo de uma # expondo e condenando sua conduta?

4 pensou em “O PODER OPRESSIVO PRIVADO

  1. Não dá para comparar o poder das Big Tech’s (Google, Face, Whatsapp, youtube, Twitter, Amazon e outras) com os das empresas privadas normais, porque elas formam um oligopólio mundial.

    Seu poder suplantou o da mídia tradicional (jormal, rádio e televisão). A internet mostrou a partir de 2015, que a população migrou para este meio de comunicação e alterou a narrativa do Poder da imprensa.

    Como consequência tivemos o Brexit, a eleição do Trump e aqui no BR, a eleição do Jair Bolsonaro; todas estas contra a vontade do Sistema.

    A reação foi imediata, ou se tirava principalmente o Trump ou eles das Big Tech’s teriam que dividir este poder e se dividirem em empresas menores como aconteceu no início do século 20 com a Standart Oil, que era maior economicamente que quase todos os países e estava influenciando diretamente no rumo dos EUA.

    Com Trump fora da presidência, o risco diminui. Eles usaram para isso todo o poder de que dispõem, especialmente este citado no comentário do Sr. Marcos, o da cultura do cancelamento.

    Portanto, comparar o movimento destas grandes marcas privadas com o poder do estado, como se fossem coisas semelhantes na opressão do povo não é correto, uma vez que são oligopólios transnacionais que têm muita influência geopolítica e se confundem com grandes estados.

    • Meu caro João Francisco, em tudo o que se conhece da história dos seres humanos há esse embate entre o indivíduo e o grupo ao qual ele pertence, porque não se tem notícia de humanos vivendo sozinhos, salvo raras exceções.
      O que aponto em minhas considerações – e aparentemente você concorda, embora não o diga – é que por séculos o Estado foi o poder maior, o Leviatã, de Hobbes, mas hoje é superado por entes privados. Dentre estes, vejo que as gigantes tech apontadas por você são detentoras de grande poder, mas também outras, como as que citei, inclusive as que não têm nome nem endereço.

  2. Prezado Marcos,

    Infelizmente, considero a sua afirmação

    “A opressão do Estado vem sendo contida, ao longo dos séculos, pela reação dos súditos, que gerou as leis, a separação dos poderes, o processo legislativo, a Constituição e tantos mecanismos que o cidadão pode lançar mão em defesa de si mesmo.”

    como sendo extremamente otimista.

    aqui no Brasil não funcionou muito bem não. Todo o aparato estatal, através dos seus poderes e do processo legislativo, se uniu para esfolar o cidadão. Vivemos numa ditadura absolutista de uma corja substanciada pela classe política, pelo aparato estatal e pelo judiciário canalha e inoperante.

    ESTE PAÍS NÃO TEM MAIS SOLUÇÃO!!!

    • Não vejo ditadura no Brasil não, Adonis.
      Ao contrário, vejo aqui o poder muito pulverizado, com seus detentores agindo de maneira descoordenada, muitas vezes agindo em favor de interesses próprios ou de um grupo específico.
      Espero que você esteja errado quanto a não ter solução, mas minha esperança também anda um tanto combalida.

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