MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Esse texto é dedicado a Goiano e Ceguinho Teimoso, dois grandes diáconos da Igreja daqueles que trabalham muito e roubam pouco.

No esteio do que foi publicado aqui no JBF sobre o texto do jornalista Ascânio Seleme, sobre já ser tempo de perdoar do PT, teci alguns comentários por ai falando sobre o contexto e a extensão do perdão. Eu acho que todos nós, independente de credo, sabemos que o perdão é um ponto fundamental na base da doutrina cristã. Difícil de ser adotado. Eu, particularmente, conheço pessoas que diziam não rezar o Pai Nosso por conta daquele “perdoai as nossas ofensas assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Mas, fiquei intrigado com a matéria. Eu não tenho muita disposição pra ler ou ver o que o Grupo Globo produz, então um colega compartilhou e por atenção, a ele, li o texto. Fiquei deveras intrigado e sem entender bulhufas do que o cara estava falando. Como pode se conceder o perdão a quem não fez nada? A quem é inocente? Como se sabe o PT, numa manobra da força tarefa da Lava Jato, mais atualmente, teve seu nome envolvido em desvios de recursos públicos e até o momento nem o Ministério Público e nem a Polícia Federal conseguiram entender como o dinheiro saiu, por encanto, dos cofres públicos e foi parar em contas pessoais de José Dirceu ou em obras promovidas pelo IGD – Instituto das Graças Divinas, presidido pelo Sr. Gilberto Carvalho, que reformou apartamentos no Guarujá, em São Bernardo do Campo, com alugueis pagos no dia 31 de junho, que reformou um sítio em Atibaia, etc.

Anteriormente, o PT tinha sido vítima de um movimento promovido pelas elites com o interesse de sufocar a vida dos trabalhadores brasileiros, que se transformou na ação 470 no STF, relatada pelo Ministro Joaquim Barbosa. Pessoas maldosas, tentando manchar a estrela vermelha da decência, da moral e das boas práticas administrativas passaram a chamar esse movimento elitista de mensalão e Lula, então presidente, indignado ocupou o horário nobre da TV, em cadeia nacional, e pediu desculpas ao povo brasileiro. Meses depois, Paris, perguntaram a ele sobre o “mensalão” e ele disse que nunca existiu e que foram apenas recursos de campanha não contabilizados. Gostei do “apenas”. Campanha cara da peste.

O PT não tem culpa nenhuma. O que se praticou no Brasil foi uma injustiça inominável com esse partido. Dallagnol com seu maldito PowerPoint, enlameou a imagem de um partido probo, idôneo, com dirigentes de caráter ilibado. Três tesoureiros presos, dirigentes como Lula, Palocci, José Dirceu, também presos pela insanidade dessa justiça brasileira e outros tantos enrolados com a justiça como Paulo Bernardo, Gleisi Hoffman, João Paulo Cunha, Guido Mantega, Marco Maia, Jacques Wagner, Humberto Costa, etc. pessoas que nunca derrubaram uma folha de uma árvore, que dirá botaram a mão em dinheiro público. Todos ostentam uma aureola milagrosa, não vê quem nçao quer. Multiplicaram seus patrimônios como Jesus multiplicou pães e peixes. Assim, do nada.

Um fato que surpreendeu na matéria foi que estamos apenas a uma eleição da derrocada do PT. Saiu do poder em 2016 e já devemos pensar em perdoar o PT, ou seja, esse perdoar significa dar uma chance para o PT voltar ao poder. São 30% do eleitorado que não pode ser desprezado, mas, de acordo com dados do IBGE, 31% da população brasileira são evangélicos e estão sendo humilhados, menosprezados, ironizados, tratados como imbecis porque pagam dizimo, obedecendo a Bíblia, porque não votam na esquerda.

Lula, na cadeia, deu ordens para que a gerente do cabaré desenvolvesse ações para atrair evangélicos. Não sei como vai se colocar evangélicos num puteiro, mas o cara é santo e tudo pode. Então, para isso os evangélicos são importantes, são fundamentais e fora disso são “gado, boiada, alienados”.

Lula, fora da cadeia, disse na Bahia, em novembro de 2019, que o PT não tinha que fazer autocrítica. Lembro de entrevistas nas páginas amarelas de Veja, do senador Humberto Costa, falando nos erros cometidos e nessa necessidade de dizer que erraram. José Dirceu confessou em entrevista que foi “confundindo” as coisas, que começou a gostar das facilidades e vai por ai. Rui Costa, salvo engano, foi o último a dizer que era necessário fazer autocrítica. Todos foram devidamente repreendidos pelo dono do cabaré. Puta não tem preferência, tem que atender o freguês.

Então, vem esse “Lascânio” da vida, numa matéria tendenciosa, falar de perdão para um partido que não reconhece que errou, que não se arrepende do que fez e que, de acordo com o que disse o presidente do diretório do PT em Laje de Muriaé, Sr.Liedo Luiz da Silva, deve “fazer muito e roubar pouco”. O sr. Lascânio tem um sobrenome interessante: SELEME, que é um anagrama de MELE-SE outro é SE MELE. Então, peço encarecidamente ao Sr. Lascânio que Se Mele sozinho nisso. Chega.

O PT já foi devidamente perdoado. Os condenados no mensalão foram indultados por Dilma. Ninguém mais está preso. O aliado do PT, “o homem de R$ 51 milhões” foi solto ontem. Na verdade, usando a poesia de Chico Buarque – cara visionário, pois escreveu Meu Guri sem saber que Lula ia se encaixava nos versos – eu chego a conclusão de que eu devo pedir perdão ao PT. Eu traí o PT quando acreditei nessas mentiras que foram propaladas, quando achei interessante aquele maldito powerpoint. Como diz Chico, “te perdoo por te trair.”