DEU NO JORNAL

Marcelo Rocha Monteiro (Procurador do MPRJ e professor da UERJ)

Em abril de 2018, o TRF de Porto Alegre, após condenação em segunda instância, por corrupção e lavagem de dinheiro, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, determinou sua prisão.

Como todos lembram, Lula refugiou-se em um sindicato em São Bernardo do Campo e lá, cercado por centenas de seguidores (alguns aparentemente dispostos a tudo para que a ordem de prisão fosse descumprida), organizou uma manifestação inédita de desacato a uma ordem judicial, transmitida ao vivo e em cores para todo o país.

Quem acompanhou talvez lembre que, dentre as pessoas que acorreram ao local para apoiar Lula no ato de descumprimento de uma decisão do Judiciário estava, curiosamente, uma juíza, ou melhor, uma desembargadora (ela fora promovida meses antes), a senhora Kenarik Boujikian, uma das fundadoras da AJD (Associação Juízes pela Democracia), uma organização conhecida no meio jurídico por suas posições de extrema-esquerda.

Você pode vê-la em outro momento, na imagem abaixo (de óculos, lenço vermelho no pescoço), juntamente com outros juízes, dentro do Instituto Lula, entregando uma carta de apoio (DA ASSOCIAÇÃO DE JUÍZES da qual ela fazia parte) ao já então presidiário mais famoso de Curitiba.

Agora, com tudo que você já leu até aqui, vá ao Google e tente encontrar uma manchete de O Globo, Folha de São Paulo, UOL etc. referindo-se à senhora Kenarik como “juíza petista”. Vai ser difícil.

Mas vai ser facílimo achar manchetes que se referem a juízes, promotores e procuradores politicamente à direita (exemplo: o locutor que vos fala) como “procurador bolsonarista”, “juíza olavista”, “promotora que apoiou Bolsonaro na eleição” e por aí vai, mesmo (e isso é interessante) quando o fato abordado pela reportagem nada tem a ver com a preferência política daquele procurador (ou daquele juiz, etc.).

Não dá para negar que, em muitos casos, isso seja fruto de má fé de jornalistas-militantes de esquerda que querem subliminarmente transmitir a mensagem de que, na Justiça, os profissionais de direita são perigosamente parciais, enquanto os “companheiros” do outro lado são “gente boa” e isenta.

Mas quero fazer uma ponderação: as redações da maioria dos veículos da grande mídia brasileira são de tal maneira dominadas por esquerdistas (há importantes e honrosas excepções, mas exceções elas são), que um jornalista que nelas trabalhe, ainda que não seja um militante radical das causas “progressistas”, respira o esquerdismo de seus colegas todo santo dia de trabalho a tal ponto que já não mais o percebe senão como algo tão natural quanto… o ar que se respira.

É o conhecido exemplo do peixe: imerso na água desde sempre, ele dela nem se dá conta.

Assim como 9 em cada 10 estrelas do cinema usavam aquela marca de sabonete, 9 entre 10 jornalistas da grande mídia no Rio de Janeiro (por exemplo) são simpatizantes do PSOL (mais) ou do PT (um pouco menos).

Imersos nessa bolha esquerdista, mesmo profissionais um pouco mais moderados passam a achar tão natural quanto um peixe dentro d’água que uma juíza na ativa (ela só se aposentou em 2019) suba num palanque (como representante de uma associação de juízes!) para se solidarizar publicamente com um réu petista que desafia uma ordem de prisão, ordem expedida pelo Poder ao qual a própria magistrada pertence. Chamá-la de “juíza petista” é algo que sequer vem à mente desse profissional da imprensa.

Mas se um procurador manifesta, como cidadão comum, em redes sociais, suas opiniões, convicções e preferências políticas, mesmo que em momento algum tenha deixado que tais preferências interferissem em sua atuação profissional, será imediatamente rotulado como “procurador bolsonarista”. É como se o jornalista gritasse:

“Vejam, leitores! Que coisa exótica (e perigosa)! Um profissional da Justiça que não vota no PSOL nem no PT! E não frequenta o Instituto Lula! Muito estranho.”

Para quem, há décadas, só convive com esquerdistas no trabalho e nos bares chiques que a esquerda caviar frequenta, um conservador é um peixe fora d’água – e precisa de um rótulo para que todos saibam o “perigo” que ele representa.

4 pensou em “O PEIXE E A ÁGUA

  1. Pensa num a coisa que deixa esquerdista raiz e “Isentões” tensos:

    Saber que os conservadores estão recuperando o espaço perdido dentro da sociedade brasileira onde eles são a grande maioria.

  2. Quando um juiz decide qualquer coisa contra a esquerda a mídia publica o nome ,foto, facebook, até o nome do cachorro dele. Agora quando decidem algo para a esquerda a manchete começa “A Justiça decidiu…”

  3. O que esperar de uma ” grande imprensa ” que trata o Botafogo como primeiro ministro , sem nunca lhe perguntar porque ele tinha este apelido na lista da Odebretech ?

  4. Tomando o exposto pelo Airton, eles só dão nome aos bois quando se trata de seus desafetos.

    Do contrário, escondem-se no meio da turba. Da massa. Do coletivo.

    Como a gigante súcia de calças marrons que são.

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