A PALAVRA DO EDITOR

É difícil sair da lembrança do natalense a propaganda inovadora e agressiva lançada pelo Motel Tahiti, que funcionou entre 1974 e 1995, no Bairro Capim Macio. A partir da criatividade do logotipo verbal que marcou o empreendimento financiado com dinheiro do BDRN: Motel Tahiti: O paraíso é aqui!

A assertiva guardava lá suas razões de ser, pois o produto oferecido pelo irreverente pernambucano Alcyony Dowsley, primou pela qualidade durante os 21 anos de existência.

Possuía conforto, higiene, segurança, privacidade e boa comida. Dispunha de grupo gerador próprio, poços tubulares, maquinas de fabricar gelo, de lavar e de esterilizar roupas; saunas, piscinas automatizadas e outras inovações tecnológicas da época para melhor funcionamento do empreendimento e bem-estar da clientela.

Segundo declarava o empresário “A roupa daqui é mais esterilizada do que nos hospitais da cidade” ou “Pode faltar água e luz em Natal, menos no Tahiti”.

Em depoimento à revista RN Econômico, em junho de 1984, o jornalista Vicente Serejo assim se expressou: Alcyony é um profissional numa terra de amadores. O Tahiti tem a neurose da perfeição. Sua campanha alegre e bem-humorada conquistou a opinião pública. Além disso, o Tahiti tem uma das melhores cozinhas de Natal. Ir ao motel hoje é como ir a um restaurante. Graças ao Tahiti, motel não é mais visto como pecado.

A prática de casais casados frequentarem o Motel Tahiti tornou-se corriqueira. Quer por curiosidade das esposas, quer por comemoração de datas especiais, quer para apimentar o matrimônio ou, apenas, para terminar uma noitada com uma boa refeição num ambiente mundano.

Eis algumas das mensagens de duplo sentido das campanhas publicitárias levadas a efeito pelo Motel Tahiti. Segundo pessoas próximas do proprietário, tudo produção da mente fértil de Dowsley:

– Na Semana Santa: Não é peixe nem é carne, pode comer à vontade.

– Promoção de almoço executivo: Coma duas e pague uma.

– No período Junino: Acenda a sua fogueira.

– Campanha contra o fumo: Seja homem! Deixe de fumar! Esse tabaco mata.

– Vaguejada de Jucurutu: O bom derruba dentro.

– Incentivo ao turismo: Turista merece casa, comida e roupa lavada. Carinho nele.

– Dia das mães: Pai, leva mãe para o Tahiti, ela também merece.

– Campanha de vacinação: Vacine o cachorro do seu marido – Raiva mata!

– Incentivando o matrimônio estável: Não troque de mulher. Troque de ambiente.

Quando Aureliano Chaves visitou Natal em campanha para a sucessão de João Figueiredo na Presidência da República, a comitiva do então vice-presidente se deparou, em pontos estratégicos do percurso estabelecido pela comitiva, com a seguinte mensagem: Aureliano, meu amor! – Motel Tahiti.

Para melhor cuidar do empreendimento, o proprietário residia no próprio motel. Alcyony Dowsley faleceu em 2001. No local onde funcionou o motel construíram uma lagoa de captação. Lançando mão do estilo bem-humorado do empresário, bem que caberia ali uma placa indicativa dizendo: Motel Tahiti: O paraíso foi aqui!

5 pensou em “O PARAISO É AQUI

  1. Muito bom o texto. Leve e bem humorado. Eu fiz projetos econômicos e o BNDES não financia motéis. Quando me perguntavam eu dizia que balanço de motel só apresentava o demonstrativo de resultados, 9 meses depois.

  2. Após concluir o CPOR, em 1973, fui servir como Aspirante a Oficial no 7o Batalhão de Engenharia de Combate, em Natal, no ano de 1975.
    Era a época áurea do Motel Tahiti, logo ali na início da estrada para Ponta Negra.
    Não conto as vezes em que terminamos a noitada, eu e demais aspirantes, lá no motel, cada um com suas respectivas “Namoradas” de aluguel.
    Houve uma vez que estávamos tão bêbados, que um dos colegas conseguiu capotar um fusquinha que havia levado de Recife, lá no girador quando chega na praia.
    O carro estava lotado de jovens raparigas e a PRF, ao chegar ao local, levou todo mundo para o pronto socorro que fica na avenida principal. SÓ QUE TODO MUNDO PRESO!
    A notícia chegou bem rápida ao batalhão. Imediatamente, o oficial do dia preparou uma patrulha para ir “resgatar” os companheiros que haviam sido presos. Era uma “desonra” inadmissível para a classe dos militares naqueles tempos.
    A confusão no Pronto Socorro, foi grande! Quiseram levar presos todos os agentes de PRF. A confusão foi braba. Quase sai bala!
    Ao final, chegou-se a um armistício! Ninguém prendeu ninguém e voltou todo mundo para suas respectivas casas. Saíram todos ilesos, menos uma das meninas que quebrou o braço, e outra que deslocou o ombro.
    Depois dessa bronca, encerramos com o costume de dar Ordem Unida às raparigas dentro do motel, todos devidamente nus e os oficiais com suas respectivas “Espadas” em riste.

    • Adonis, eu lembro dessa passagem. Nessa época eu era engenheiro do DNER, e a Polícia Rodoviária Federal subordinada a nós, do Ministério dos Transportes. O fuzuê foi grande.
      Você foi resgatar esse fato do fundo do baú.
      Realmente, o Tahity era um Paraíso.

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