MAGNOVALDO SANTOS - EXCRESCÊNCIAS

Em um longínquo ano que longe se vai, houve a necessidade de se reformar o restaurante dos mensalistas da General Motors em São José dos Campos, que já se mostrava insuficiente para atender ao crescimento do quadro de pessoal da empresa.

Essa reforma tinha que ser feita em um final de semana prolongado, já que demandava a demolição de uma parede, a construção de uma nova, a instalação de novos equipamentos e a relocação de alguns existentes.

Para ganhar umas horinhas extras, ofereci-me para ficar de plantão durante o final de semana, já que o bendito orçamento familiar estava curto e uma graninha adicional ajudaria muito a pagar a mensalidade das escolas das crianças.

Logo no primeiro dia, haveria a derrubada da parede interna. Quando os operários da construtora iam começar a demolição, notaram que havia um painel elétrico que estava fechado com cadeado e também mostrava aquele famoso sinal da caveira com ossos cruzados e o aviso de perigo:

Claro, a demolição foi interrompida e o mestre de obras veio procurar-me, já que não havíamos sido avisados dessa instalação elétrica.

Verificando as plantas, vi que não deveria haver nenhuma rede elétrica de alta ou baixa tensão naquele local. Como não se pode brincar com eletricidade nem com mulher de sovaco cabeludo, chamei meu colega eletricista, que teve seu final de semana interrompido e veio em meu socorro.

Consultando velhos arquivos na Manutenção Elétrica, meu colega verificou que muito tempo atrás havia um painel de controle naquele local, mas que tinha sido desativado.

Quando estávamos para arrebentar o cadeado e remover o painel, chegou um arretado mineirinho com os olhos arregalados, mais assustado que beradeiro entrando num avião, e, usando uma chave do seu chaveiro, abriu a caixa. Não havia nada lá dentro, exceto alguns palitos e farelos de pão.

O simpático mineirinho trabalhava no restaurante. Sua amorosa esposa todos os dias preparava um lanchinho caprichado para ele. Para evitar que lhe afanassem o lanche, como já havia acontecido, ele teve a brilhante ideia de arrumar um decalque com a caveira e um cadeado, usando a caixa vazia como local para guardar seu precioso tesouro. Nunca mais se lho roubaram (êta língua a nossa)!
Quem não gostou do episódio foi meu colega, que perdeu um dia de seu descanso.

2 pensou em “O PAINEL ELÉTRICO

  1. Estimado Magnovaldo Santos,

    O mestre tem um dom magnífico de escrever crônicas. Todas as palavras e frases postas perenizam as crônicas.

    Não importa o tema abordado o mais importante é que o mestre escreve com uma leveza de espírito cativante e acolhedor.

    Parabéns por “O Painel Eletrônico.”

    “Abraçaço e Feliz Natal, extensivo à família.

    • Meu prezado Cícero:
      Seu comentário é um lindo presente de Natal para mim. Grato por suas palavras de estímulo.
      Desejo a você, à sua família e aos seus queridos um Natal cheio de paz, saúde e prosperidade.
      Grande abraço,
      Magnovaldo

Deixe uma resposta