RODRIGO CONSTANTINO

O presidente Lula renovará o enxoval de cama e banho do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto com direito a algodão egípcio. A licitação aberta pela Presidência da República prevê a compra de 168 peças, por R$ 89 mil, entre colchas, lençóis, fronhas, edredons, cobre-leitos, tapetes e roupões.

A sensação é de déjà vu. Afinal, com boa memória – ou Google – é possível lembrar disso aqui, de 2003, o primeiro ano de governo dos “pobres” e para os “pobres”:

Apesar da ordem generalizada de austeridade nos gastos do governo, a Presidência da República não vem economizando em suas aquisições desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. […] Os palácios estão passando, de resto, por uma renovação de enxoval. Agora, a intenção é comprar, por R$ 152.600, entre outros itens, roupões de algodão de fio egípcio, taças de cristal, toalhas, lençóis e colchões. Espera-se gastar ainda R$ 15.200 com 40 peças de jogo americano.

Lula vive como nababo, gosta de vinhos caros, é milionário – sem nunca ter trabalhado de fato na vida. Mas, por algum motivo, é tido por alienados como “líder dos pobres”, ou “pai dos pobres” para usar expressão mais populista e demagógica mesmo.

É inegável que muitos são ricos por conta de esquemas ou conluios com o Estado. Esse tipo de riqueza é mesmo condenável. Mas no Brasil, onde o sucesso individual é pecado, qualquer riqueza é vista com desconfiança a priori. A menos, claro, que o rico seja um esquerdista que fala em nome da igualdade…

Em The Ethics of Redistribution, Bertrand de Jouvenel mostra com sólidos argumentos como a inveja pode estar por trás das políticas de redistribuição de renda por meio do aparato estatal. Ele cita comunistas franceses que deram caros presentes para seu líder, aparentemente indo contra os próprios valores comunistas, explicando que as pessoas têm sido mais generosas com aqueles que julgam melhores e com seus líderes.

O burguês apresentaria duas convicções básicas que diferem desse sentimento popular: sente que não deve sua riqueza a favores e se considera livre para gastá-la consigo mesmo, da forma que preferir. É precisamente o reverso da atitude que justificaria uma renda excepcional sob a ótica popular. O povo quer sentir que essa renda é um presente seu, e quer demandar que os beneficiários façam um espetáculo de gala.

Por isso que o empresário que compra um iate é menosprezado, enquanto um presidente que vive no luxo, com roupas caras feitas de tecido egípcio, carro próprio para a cadela e viagens com avião novo é admirado. Mesmo que seja um operário eleito com o discurso de redução da desigualdade material.

A mensagem de Jouvenel fica mais clara nessa passagem: “A ingrata brutalidade dos reis em direção aos financiadores que os ajudaram sempre ganhou os aplausos populares. Isso talvez esteja relacionado ao profundo sentimento de que indivíduos não têm direito de serem ricos por eles mesmos e para eles mesmos, enquanto a riqueza dos governantes é uma forma de gratificação pessoal para as pessoas que pensam neles como o ‘meu’ governante”.

Lula já demonstrou mais de uma vez seu desprezo pela classe média, pelo seu “consumismo” de quem quer ter mais de uma televisão em casa, por exemplo. É cinismo que beira a psicopatia. É crueldade de quem debocha do povo trabalhador. E o pior que tem gente que ainda acredita na ladainha de “pai dos pobres”. Só se for pela imensa quantidade que seu populismo gera de pobreza no país…

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