O OUSADO SEQUESTRO DO EMBAIXADOR AMERICANO

O ano era 1969, o bairro Botafogo no Rio de Janeiro, há 50 anos aconteceu um fato inesperado, um grupo formado por revolucionários brasileiros ousou sequestrar um embaixador dos Estados Unidos: Charles Elbrick era o seu nome. Às 9 horas da manhã do dia 4 de setembro o grupo se posicionou para a ação na região do Largo dos Leões, dois deles hoje são muito famosos, não pelo sequestro, mas pela vida política que seguiram: FERNANDO GABEIRA, jornalista, político e escritor e FRANKLIN MARTINS, jornalista, ministro da secretaria de comunicações do governo Lula.

Esse era o horário que embaixador passaria na Rua Marques, esquina com Irajá, e não atrasava, mas nesse dia atrasou. Meio-dia chegou um aviso do líder do grupo: temos que almoçar, e assim fizeram no boteco Pé Sujo, ponto de encontro de boêmios, cachaceiros e trabalhadores na hora do almoço, mas voltaram para suas posições combinadas e as 14 horas e 20 minutos surgiu o carro diplomático em um sentido diferente do costumeiro. Sebastião Rios, um dos sequestradores não faz o sinal, percebeu que o veículo era da embaixada de Portugal, se não fosse por esse zelo de Rios, talvez o sequestrado teria sido do português.

Cadillac da embaixada americana abandonado após o sequestro

Às 14 horas e 30 minutos, o grupo já começava a demonstrar sinais de cansaço, mas surge um Cadillac preto com a bandeira americana balançando sobre um dos paralamas, o carro era blindado, mas vinha com os vidros abertos, a placa CD-3 indicava ser o alvo, Rios que segurava um jornal a altura do umbigo desde às 9 da manhã, o levantou para o nível dos olhos, esse era o sinal, começou ai a história de jovens revolucionários apoiados por outros mais experientes, o episódio visava libertar o líder estudantil Vladimir Palmeira, preso no congresso estudantil da UNE em Ibiuna.

O Cadillac parou para um Fusca azul manobrar na rua, o Fusca era conduzido por Franklin Martins e fazia parte da emboscada, o motorista do embaixador quando percebeu a movimentação engatou a marcha ré, mas já era tarde, por trás outro Fusca vermelho, dirigido por Rios impedia o retorno, quatro do grupo se aproximaram, tomaram a direção do motorista. Paulo de Tarso gritou para Charles: “be quiet” já com o revolver apontando para sua cabeça, e seguem até a Rua Vitório Costa onde uma Kombi os aguarda, transportados todos para a Kombi, o embaixador reagiu e tentou tomar o revólver de Virgílio, um dos terroristas, mas tomou uma coronhada de Cyrilo e desistiu.

O Cadillac diplomático é abandonado com o motorista e uma carta com duas exigências do grupo: ler uma manifesto nas rádios e libertar 16 presos, entre eles José Dirceu e João Leonardo (já contei a história deste aqui no JBF. Clique aqui pra reler)

Casa cativeiro de Charles Elbrick, hoje é uma republica de estudantes

O governo autorizou a leitura do manifesto, escrito por Gabeira e libertou os 16 presos, que foram enviados para o México em um avião Lockheed Hércules da FAB. Apesar de a ideia inicial ser de libertar Vladimir Palmeira, os sequestradores incluíram outros com o objetivo de evitar uma futura perseguição direcionada a Vladimir e favorecer outros companheiros que sofriam na prisão. Alguns dos libertados não sabiam por que estava sendo libertados e ao chegarem ao México, a autoridade militar daquele país entrou na aeronave brasileira e ordenou: “saquen las esposas”, Ibraim, um dos libertados respondeu: “nós viemos sós, nossas esposas ficaram no Brasil”, João Leonardo cochichou no seu ouvido: “esposa em espanhol é algema, ele mandou o soldado soltar nossas mãos”. Ao chegar a notícia no Brasil, os sequestradores iniciaram uma operação para libertar o embaixador.

13 presos libertados no embarque na Base Aérea do Galeão, no Rio, mais dois se juntariam ao grupo: Gregório Bezerra no Recife e Mario Zangonato em Belém do Pará

1 pensou em “O OUSADO SEQUESTRO DO EMBAIXADOR AMERICANO

  1. Vendo essa foto posso compreender como a força Aérea foi incompetente. Se eles fizessem voo de passarinho com esses terroristas, muito provavelmente bandos criminosos como o Comando Vermelho e o PT nem existissem, pois foram esses criminosos daí – olhem a cara de tarado moral do Zé Dirceu, o segundo em pé, da esquerda para a direita – que ajudaram a criar essas organizações criminosas que hoje destroem nosso país.

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