PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Minh’alma ardente é uma fogueira acesa,
É um brasido enorme a crepitar!
Ânsia de procurar sem encontrar
A chama onde queimar uma incerteza!

Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa
É nada ser perfeito. É deslumbrar
A noite tormentosa até cegar,
E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!…

Aos meus irmãos na dor já disse tudo
E não me compreenderam!… Vão e mudo
Foi tudo o que entendi e o que pressinto…

Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
Contar, não a chorava como agora,
Irmãos, não a sentia como a sinto!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

2 pensou em “O MEU IMPOSSÍVEL – Florbela Espanca

  1. Parabéns, caro Pedro Malta, por ter garimpado esse soneto-tesouro da inigualável Florbela d’Alma da Conceição Espanca. Sou admirador-mor dessa Bela Flor da poesia portuguesa.
    Florbela Espanca é um desses fenômenos que Deus envia à Terra a cada século.
    Intimamente, eu a chamo de “minha excêntrica poetisa”, pois quem diz:
    “Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora
    Contar, não a chorava como agora,
    Irmãos, não a sentia como a sinto!…”.

    “Minh’alma de sonhar-te, anda perdida
    Meus olhos andam cegos de te ver
    Não és sequer razão do meu viver
    Pois que tu és já toda a minha vida”,
    não pode ser normal.
    Parabéns, mais uma vez!

  2. Caríssimo Boaventura Bonfim,
    Agradeço o seu tão vibrante e emocionado comentário.
    Fraterno abraço, com votos de um excelente domingo.

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