ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Pindorama, ano de 456 d.S. (depois de Sardinha), e ainda vivemos uma doce utopia de que o melhor de nós está em nós mesmos. Parece sina, mas os nossos caetés se iludem com essa falsa ideia de que o brasileiro é o melhor que o Brasil tem. Mas, vamos por parte e por assunto, se não tudo vira uma salada que ninguém entende.

Há um ditado popular que diz que “o melhor do Brasil é o brasileiro”. Mentira mais deslavada e lorota mais sem graça é essa. Se o que estamos vendo é o “melhor”, não quero nem imaginar o que seria o “pior” que o brasileiro tem a mostrar de si para os outros. Desde a famosa “lei de Gerson – levar vantagem em tudo -“, até as pavorosas politizações sobre cadáveres, há muito tempo o Brasil vem demonstrando, não somente um lado medonho, mas também hipócrita. Façamos como Jack, o estripador: vamos por parte.

Em 2011 o mundo assistiu estarrecido o terremoto que atingiu o nordeste do Japão, seguido de ondas gigantes, os famosos tsunamis, que quase arrasaram a cidade de Fukushima. Sabe-se que as cidades vizinhas, e mesmo os comerciantes da região, para ajudar a população vendiam alimentos a preço de custo, arcando com os impostos e encargos, tudo com o intuito de ajudar as vítimas da cidade.

Ouvi dizer, mas não sei se é verdade, que, após a explosão que destruiu o porto de Beirute, taxistas faziam corridas gratuitas e auxiliaram muitos parentes de vítimas daquela explosão. Como disse, não sei se é verdade, ou lorota. O que sei é que a corrente de solidariedade naquele país mostrou o melhor dele.

Agora, voltemos a Pindorama e façamos uma reflexão histórica para ver se o melhor do Brasil é mesmo o brasileiro. Em 2018 vivenciamos uma das maiores paralisações de corporação da nação: a dita greve dos caminhoneiros. Nesse episódio vimos o melhor que o brasileiro tinha a oferecer: donos de postos de combustíveis aumentando em até 1.500% o preço dos combustíveis, supermercados triplicando o valor dos produtos, atacadistas de hortifrutigranjeiros, simplesmente sumindo com hortaliças, frutas, verduras e legumes, a fim de forçar a subida de preço. Passada a greve, os preços voltaram ao seu normal, ninguém foi punido pelo abuso, quem especulou com preços se deu bem. Esse foi o melhor que o brasileiro tinha a demonstrar em 2018.

Em 2020 tivemos a crise da pandemia do coronavírus – e toda vez que vejo jornalistas falando “pandemia global” quase me cago de tanto rir, afinal, se é “pan”, por si só já diz que é global, mas deixa isso para lá -, e essa PANdemia revelou o que o brasileiro tem, de fato.

Governadores brincando de governar, tal criança mimada que, se não forem o capitão do time levam embora a bola para casa. Trancaram sua população e saíram de férias. Tiveram um ano de aprendizado, e como os Médici de Florença não aprenderam nada, mas também não esqueceram nada. Cada governador, cada prefeito de Pindorama resolveu chamar para si a administração da pandemia, isso mesmo, administraram a pandemia e não uma solução para a superação da mesma, ou sua erradicação. Aqueles que assim o quiseram fazer foram impedidos, seja pela justiçam seja por governadores que nada deixaram a dever a Jean Bedel Bokassa, ou mesmo Idi Amim Dada.

O resultado dessa brincadeira foi a mais longa quarentena – palavra cuja raiz é quarenta, ou seja, quarenta dias – da história da humanidade. E, administraram bem a pandemia – mais de 217 mil mortos -. Hoje, temos pessoas morrendo sufocada por falta de ar, simplesmente porque governadores e prefeitos desviaram dinheiro do contribuinte, sumiram com oxigênio, brigaram entre si. Ainda estão se refestelando com uma tíbia do bispo Sardinha.

O, que Deus me perdoe, supremo tribunal federal – assim mesmo em minúsculo, pois reflete o caráter daquele ajuntamento -, arvorou-se, igual o professor Ludovico Von Pato, do gibi do Tio Patinhas, especialista em infectologia, virologia, imunologia, e o diabo a quatro. Alguns ministros suspeitíssimos, a quem eu não confiaria nem com um estilingue, estão, até hoje, fazendo igual àquela dupla de Sobral: dando dois, quatro, máximo de cinco dias para que ministros se expliquem sobre como agirão com a vacina, seringas, agulhas, lata de leite condensado, e goma de nicotina. Aí, quando alguém pergunta como um processo que se iniciou no tempo da monarquia só teve seu desfecho 105 anos após seu início, eu digo… vá no supremo tolete federal e questione lá.

Bilhões de reais do nosso dinheiro foram aplicados na gestão da pandemia. Isso mesmo. Foi aplicado na gestão da pandemia e não na sua solução. De uma hora para outra, o vírus passou a agitar bandeira, falar “cumpanhêro” e a não sair mais da rua. A imprensa amedrontou de tal forma o brasileiro que, aqui na gloriosa Campo Grande eu vejo gente dirigindo carro, apenas ela dentro do auto, com os vidros fechados e usando máscara. Essoutro dia, andando no parque aqui do bairro vi um monte de gente fazendo caminhada sozinha, ao ar livre e… de máscara.

Há duas semanas, jantando com um amigo, mal estávamos saboreando umas costelinhas de porco frita em azeite especial quando o garçom chegou com a conta pedindo para que acabássemos o mais rápido possível porque era a “hora do vírus”, ou seja, das seis da manha até as vinte duas horas o vírus se mantém quieto em seu canto, mas depois das vinte e duas ele sai e faz estrago. Perdi o apetite, apesar daquela costelinha estar saborosa. E, via-se nos olhos do garçom o pavor a respeito do vírus.

E, ao que parece, 2021 vai continuar na mesma toada. O medo se espalhando, a hipocrisia, a safadeza, a ligeireza vai continuar ditando as regras, enquanto gente que deveria estar pensando no Brasil só pensa naquilo: derrubar o presidente da república. Aliás, eu fico pensando… o que isso tem a ver com a cueca??? Derrubar o presidente vai nos livrar do vírus, vais acabar com a pandemia? Para os Bokassa e Idi Amin de Pindorama isso não tem a menor importância. O que importa é colocar alguém lá que vai irrigar os seus bolsos, carteiras e cus, ou cuzes com maços e maços de lobos guarás e garoupas. Enquanto isso, mais brasileiros irão morrer sufocados, dentro de uma atmosfera que é propícia à vida aeróbica.

Essa pandemia se teve algo de bom e pedagógico foi desmontar mitos e mentiras sobre nós, caetés. Aqueles que detêm o poder de fazer algo demonstraram uma incompetência oceânica em agir para evitar a contaminação da população, logo em seguida politizaram o vírus até à beira da irresponsabilidade homicida, jogaram toda a culpa nas costas do chefe do executivo federal e saíram de férias…afinal eles não são nenhum Churchill. Poderiam ser algum tipo de Pierre Laval do século XXI. Mas isso são apenas encrencas de minha parte.

Por outro lado, nós, os demais caetés só nos indignamos no twiter, no facebook, no instagran e no youtube. Aquela centelha cívica, que um dia levou um sinhozinho todo tremido de maleita, com o câncer roendo-lhes as entranhas, que atendia pelo nome de Teotônio Vilela, a percorrer o país e se indignar contra o arbítrio, não existe mais. Trocamos a centelha da indignação cívica pelos likes e número de seguidores que pudermos angariar nas redes sociais. Isso é o melhor do brasileiro. Queira Deus que, com a continuação da pandemia não mostremos o pior do caeté que temos escondido em nossas almas.

10 pensou em “O MELHOR DO BRASIL

    • Meu caro Gonzaga…. hoje, até delas, eu tenho um pouco de desconfiança… como disse… aquela centelha que um dia animou Teotônio Vilela foi apagada por likes e seguidores. Hoje somos os indignados do twitter.

  1. Nunca acreditei nessa patacoada de ” O melhor do Bananil é o babuíno brazilis!!”
    Parabéns pelo texto RNC!!
    Conseguiu em algumas linhas exprimir, de forma didática, todo nosso, pra lá de suspeito, caráter!!!

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