GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Há pouco escrevi um artigo para o Jornal da Besta Fubana, intitulado “Os Dias Contados da Direita no Poder”.

Nele, cantei a pedra do tiro no pé que começou com a tentativa de prender os responsáveis pela obtenção ilícita de conversas telefônicas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da república Deltan Dallagnol, dentre outros, e que culminou com sua efetiva detenção.

Vários comentários foram feitos ao texto, por meus queridos leitores.

Um deles dizia: – Mais delírios e fantasias de uma mente alucinada!

Outro, resumia: – Mas que idiotice!

E mais um gritou: – Cacete, eu li isso! O que será que esse articulista bebe? Xixi de jumento?

Bem, para resumir, um outro me mandou juntar-me ao Adélio Bispo e aos “raqueadores” presos; teve quem dissesse que sou cego , tonto ,perdido e totalmente confuso, inventando estória para defender a corrupção da qual está parecendo que que me alimento; que eu fujo da verdade como o diabo foge da Cruz; que a minha loucura, infantilidade, cegueira, e seja lá o que for, já está passando dos limites; que eu sou uma latrina com o dom da palavra.

Isso tudo porque não aceitaram a pedra cantada: eu declarei que a grande surpresa, caso os suspeitos estivessem realmente envolvidos com os crimes visados, era que isso poderia resultar em um efeito colateral indesejado por quem se mostrava interessado na busca dos hackers, uma vez que o material obtido de forma ilícita, tais sejam as escutas telefônicas não autorizadas por ordem judicial, poderia eventualmente levar à confirmação da existência dos diálogos, de sua integralidade e da não-edição, derrubando os argumentos em contrário.

A oposição mais insistente, e logicamente articulada, de alguns leitores foi a de que mesmo tendo havido os diálogos, isso não serviria para derrubar as provas dos processos contra Lula e o fato de ter ele sido julgado por um juiz e ter tido sua condenação confirmada nas instâncias superiores.

Expliquei minha divergência, argumentando que caso os diálogos demonstrem conluio do juiz com o Ministério Público e que o juiz instruiu parte no processo, e outras ocorrências, e isso vier a determinar a nulidade do processo, aquelas alegações sobre provas e quantidades de julgadores seriam insubsistentes face a tal nulidade.

Pois bem, além de o juiz das causas ter metido os pés pelas mão, apressando-se, já como Ministro da Justiça, na pretensão de destruir as provas – o que não se pode admitir, sabendo-se que elas podem servir em favor de condenados (inclusive o Lula) para a revisão de processos respectivos, a imprensa, finalmente, despertou o que aqui já havíamos exposto, revoltando aqueles leitores: Da prisão dos envolvidos e da descoberta de que os diálogos foram realmente capturados dos telefones das personalidades públicas referidas, deve decorrer sua comparação com os elementos divulgados pelo The Intercept – e eles poderão ser periciados! E a perícia poderá concluir que eles correspondem ao divulgado, não foram objeto de articulação descontextualizada e nem foram editados.

Daí para ver Lula na rua e eleito presidente da república em 2022 é um pulo.

 

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