A PALAVRA DO EDITOR

A Direita Liberal e a Mídia Amestrada fizeram o maior escarcéu com a notícia de que o apresentador Luciano Huck contraiu um empréstimo de R$ 17,7 milhões no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a compra de um jatinho privado. O jornal virtual O Antagonista posteriormente divulgou uma lista com outros 134 brasileiros proprietários de aeronaves adquiridas com financiamento do BNDES, entre eles jogadores de futebol e duplas sertanejas. Como pano de fundo um suposto escândalo vinculado à tal “Caixa Preta” do BNDES.

Ora, o que essas pessoas querem? O que nosso presidente Bolsonaro quer? Que essas pessoas comprem aviões no estrangeiro? Se não comprarem da Embraer vão comprar da Cessna, da Lear ou da Dassault. Todos os fabricantes de aeronaves no mundo têm incentivos governamentais de seus países para financiar suas vendas. Haja vista a grande batalha que a Embraer travou (e ainda trava) contra sua concorrente mais direta, a canadense Bombardier, que recebe muito mais incentivos governamentais que ela. Seria um absurdo que uma empresa brasileira (bem, hoje em dia nem tanto) não tivesse o mesmo tipo de apoio de nosso governo.

Entendam: o BNDES não financiou Luciano Huck, nem Claudia Leitte nem Victor e Leo, mas sim a Embraer que, não fosse isso, não teria como competir com os fabricantes estrangeiros.

O que estamos assistindo é uma campanha sistemática para a extinção de nosso banco de fomento, justamente quando o país enfrenta a maior crise de sua história, com níveis recorde de desemprego.

Critica-se muito o BNDES por ter financiado obras da Odebrecht e outras empresas de engenharia nacionais no estrangeiro. O erro não está em financiar empresas nacionais em concorrências no exterior, mas sim fazê-lo em países incapazes de honrar sua dívida.

Da mesma forma, não é errado um ex-presidente fazer lobby para empresas nacionais aproveitando-se dos conhecimentos obtidos durante seu mandato. Inúmeros ex-presidentes dos EUA fizeram (e fazem) isso. Mais uma vez insisto: o erro está em não se usar critérios bancários objetivos para nortear estes empréstimos e garantir o retorno do dinheiro aos contribuintes.

Um erro não justifica o outro. Em todo o mundo reconhece-se a importância dos bancos de desenvolvimento e seu papel central na promoção do crescimento e em estabilizar a economia.

Como muito bem disse o economista Joseph Stiglitz em recente artigo na Folha de São Paulo, “É por isso que a Europa vem expandindo seu banco de desenvolvimento, o Banco de Investimento Europeu, o maior do planeta. É por isso que alguns estados dos EUA criaram novos bancos de desenvolvimento. É por isso que o mais importante grupo de países de mercado emergente, o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), criou o Novo Banco de Desenvolvimento, que vem florescendo e fazendo uma contribuição importante ao desenvolvimento”.

Forças anti-nacionais, aproveitando-se da justa indignação popular com as maracutaias havidas no BNDES durante o governo do PT, tentam de todas as formas acabar com o banco. Se há algo errado no banco, que se tomem as medidas necessárias para corrigi-lo.

Não podemos esquecer que a Banca nativa cobra os mais altos juros do planeta e são incapazes de financias as pequenas e médias empresas. Mesmo assim, não admitem concorrência.

Poucas pessoas percebem que a corrupção existe tanto em empresas estatais como privadas. Porém, o grau de corrupção entre empresas privadas e o Estado é muito maior e nefasto do que com empresas estatais e os agentes públicos. Está aí a JBS que não me deixa mentir. Esta aí a Chevron e sua relação promíscua com o Senado Brasileiro como revelado pelo WikiLeaks.

Não nos deixemos enganar: o país está sob ataque. Esqueçam o boquirroto Macron e a França. Concentremo-nos na quinta coluna nativa que é muito mais perniciosa.

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