ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância.

Augusto dos Anjos

É fato que salta à vista a brutal incompetência da administração pública, nos seus diferentes níveis, em prover a população com meios de transporte de massa e vias de circulação que apresentem condições mínimas de trafegabilidade. Para corroborar tal constatação, basta uma pequena circulada pelas mesmas.

Diante deste fato que, ademais, não é privilégio de nossa cidade, sendo o mesmo presente em maior ou menor grau em todo o restante de nosso país, temos índices de acidentes de trânsito que fariam corar ao mais desalmado dos carrascos nazistas. São, proporcionalmente, cerca de 50 mortes por acidentes de trânsito, em nosso país, para cada uma nos países minimamente civilizados. Esta é a razão pela qual morrem cerca de 50.000 pessoas a cada ano e para termos miríades de cruzes a margear as nossas catastróficas estradas. Aparentam verdadeiros cemitérios lineares. Fosse este costume de implantar cruzes em locais onde morreu alguém por acidente de trânsito estendido às nossas cidades, habitaríamos em verdadeiros cemitérios.

Além da carnificina acima mencionada, temos ainda que considerar que, para cada morte verificada no trânsito, temos cerca de 10 pessoas incapacitadas, temporária ou permanentemente. Esta é a principal razão pela qual nosso sistema hospitalar é sempre incapaz de atender à monstruosa demanda, assim como a origem do verdadeiro frenesi instalado em nossos caridosos governantes a fim de prover “acessibilidade” a esta multidão de 500.000 aleijados (permanentes ou não) produzidos a cada ano por esta máquina de moer gente que é o nosso trânsito. Administram porcamente a consequência e não eliminam a causa. Isto sem falar na falência de nossa previdência ao aposentar esta multidão de incapacitados (Despesa de R$ 800 Bilhões este ano – quase 20% do PIB – e crescendo exponencialmente).

A brilhante solução encontrada pelos nossos “gênios” de plantão é sempre reduzir os limites de velocidade permitidos. Solução simples, rápida, barata, óbvia, imediata e, para variar, TOTALMENTE ERRADA! Assim, o grande problema do nosso trânsito passa a ser o fato das pessoas simplesmente desejarem se deslocar de forma rápida e segura. Andássemos todos nos arrastando a 10 ou 20 Km por hora, os problemas desta trupe estariam todos resolvidos. Lógico que os da população estariam totalmente esquecidos, como de fato tem estado nos últimos tempos. Não sabem eles, ou não querem nem saber, que as estradas da Alemanha possuem faixas SEM LIMITE DE VELOCIDADE, ou onde a velocidade MÍNIMA é de 110 Km/h, e sem que haja nem de longe a quantidade de acidentes que temos. Como será que eles fazem?

Acresce a esta brutal incompetência já mencionada, se é que é só incompetência, o total arbítrio na tomada de decisões. O limite de velocidade imposto ora é 60 Km/h, ora é 30, ora é 40, ora é 20, ora é 80.

Não há critério algum! O critério é o mais absoluto arbítrio, ou mesmo o mau humor do dirigente de plantão, cuja credencial maior para ter sido nomeado para o cargo, normalmente, é o fato de ser irmão do cunhado da sobrinha da empregada doméstica da amante do deputado que está na assim chamada “base aliada”. Fantástico! Isto quando não é o “operador” do partido que lhe conseguiu a mamata. E pior ainda: acham que estão realizando uma grande obra.

Tudo isso sem falar das mil vezes amaldiçoadas lombadas, invenção demoníaca dos demagogos brasileiros que já foi banida inúmeras vezes de nosso país, através da legislação do CONATRAN, e que insiste em retornar cada vez com mais pujança. Até a Polícia Rodoviária já a aplica a seu bel talante, mesmo em rodovias que, supostamente, deveriam ser autopistas.

A consequência do festival de horrores acima narrado é termos um verdadeiro “apagão” em nosso direito de ir e vir devido aos constantes engarrafamentos. Trajetos que deveriam durar 5 ou 10 minutos demandam horas. Os que seriam para durar horas, duram dias. O prejuízo econômico imenso causado é difícil até de mensurar. Isto sem mencionar o tremendo desconforto e infelicidade causados a toda a população quotidianamente. Ao se estrangular o trânsito com estas reduções arbitrárias nos limites de velocidade, este passa a fluir com tremenda lentidão, se é que flui. É o que os médicos chamam de IATROGENIA. A doença é causada pelo remédio aplicado, chegando este até mesmo a matar o paciente. Esta é sempre a consequência final de aprendizes de feiticeiros incompetentes e arrogantes, aboletados em dezenas de órgãos, em diferentes níveis governamentais, palpitando todos em uma mesma área e nenhum deles resolvendo o problema para o qual foram criados e cevados.

Para completar, não basta cair do cavalo: a queda tem que ser seguida do coice. Instalam-se milhares de controladores eletrônicos de velocidade, mesmo nos locais mais inusitados e inapropriados. Virou uma farra! O cidadão é depenado sem dó nem piedade por este “Big Brother” amaldiçoado. A espoliação é tanta que já virou fonte de receita significativa para miríades de municípios falidos e de “contribuições não contabilizadas” para os desonestos tiranetes locais, mancomunados com as empresas provedoras de tais dispositivos.

No meio deste quadro dantesco, segue o cidadão sendo esfolado vivo diuturnamente: seja através dos impostos estratosféricos embutidos no preço do automóvel, seja através das taxas escorchantes que lhes são cobradas para poder circular em veículo de sua propriedade, seja através do custo do combustível, seja através das artimanhas legais da abjeta “indústria de multas” acima descrita. Tudo isto, só porque acreditou na parte da constituição brasileira que lhe assegura o direito de ir e vir.

Recife, 20/06/2015

Este foi o primeiro artigo por mim escrito para o JBF, já se vão quase 05 anos. Entra ano, sai ano, e o papel de otário feito pela população brasileira, muito especialmente a nordestina, sujeita a todo tipo de desmando e de arbitrariedades oriundas da abjeta classe de administradores públicos, só se agrava.

Em cada esquina de nossas cidades, encontram-se sempre e impreterivelmente milhares de guardinhas de trânsito, municipais, estaduais e até federais, todos de bloco e caneta em riste, sempre prontos e ávidos para empurrar o pau sem pena em todo e qualquer cidadão que apresente a mínima possibilidade de ser por eles esfolados através das multas atrabiliárias e escorchantes.

Se coçar a orelha…. É porque estava usando o celular. E TOME MULTA!

Se passar em baixa velocidade pelo semáforo e este mudar para amarelo enquanto isso…. Atravessou com o sinal fechado! E TOME MULTA!

Precise o cidadão da ajuda, qualquer ajuda, dessa multidão de parasitas, para constatar que a missão dos mesmos não tem nada a ver com ajudar ninguém que não seja o canalha instalado no poder que o nomeou para o cargo. Mas… E o cidadão, como fica?

O CIDADÃO QUE SE LASQUE!!!

5 pensou em “O HORROR! O HORROR!

  1. Essa praga infestou o país inteiro. Aqui no PARANÁ, terra do “ratinho” alem do pedágio que encheu as burras de ex governadores, prefeitos, deputados, hoje livres leves e soltos gracas a outra praga travestida de preto, a dos pardais, infestam nossa rodovias. Estas quando eram de faixas simples permitia-se a velocidade de 110 km/h, hoje nos trechos duplicados, a velocidade permitida é de 80 km/h.. Se isso não é industria da multa, não sei, o que é. Enquanto isso as concessionárias que deveriam ter duplicado as rodovias no prazo de 7 anos, estão faturando há quase vinte anos e não duplicaram 30% do contratado. Deputados, prefeitos e governadores nunca se interessaram em cobrar o cumprimento dos contratos porque esses consórcios alimentaram a campanha desse vagabundos que deveriam ser nosso representantes.

  2. Adônis, que sai da BR 101 na direção de Paulista, PE, encontra uma lombada com velocidade de 60km/h. Assim que sai da abrangência dela, nas proximidades de um terminal integrado, tem outra com 40km/k. A quantidade de multas é grande porque o motorista é levado ao erro.

  3. A função das placas de velocidade não é (não deveria ser) a de obrigar o condutor do veículo a manter aquela velocidade, mas a adverti-lo que aquela é a veloidade de segurança para o local.
    Acontece que o motorista tem olhos e inteligência, e à vista de placas que indicam a velocidade mais reduzida ele deve prestar mais atenção e observar que o perigo que o aviso de redução propõe necessita a manutenção de uma velocidade de, digamos, 30, 40 ou 50km por hora.
    Vejamos: em uma estrada por onde passo tem uma placa que reduz a velocidade porque há uma passagem de escola à frente. Passo por lá á noite, com freqûencia quando não tem aula, não tem sentido diminuir a velocidade a 30, 40, 50km. Logo mais á frente há um retorno em ambos os sentidos, com radar. Dápara ver à distância se não vem carro algum, mas… tens de reduzir para não seres multado…

  4. Complementando: Viajo bastante, todos os anos; vou a Brasília várias vezes, vou ao Rio, vou à Bahia, vou à Região dos Lagos, vou ao Espírito Santos,a Minas Gerais, a Goiás. São milhares e milhares de quilômetros. Para dar um exemplo: é impossível eu ir do Rio a Brasília e não levar uma ou duas multas na ida, idem na volta. É um absurdo, são estradas de 110km/h, cheias de radares/armadilhas. Quando chega próximo a Brasília, são dezenas de radares que se alternam, um de 50 km por hora, outro de 30, outro de 60, outro de 40, outro de 30, outro de 60, é uma loucura, à menor distração passas a 60 no de 50,… ou a 40 no de 50, ou a 40 no de 30 e por um absurdo desses lá vai mais uma multa absurda. Isso precisa ser revisto, não pode ser assim. Além de tudo, aumenta o gasto de combustível, de freio, de pneu, de paciência.
    Temos de ir às ruas no dia 15 de março para protestar contra isso.

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