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Editorial Gazeta do Povo

Bandeira de Cuba é exibida durante procissão católica em Havana

Bandeira de Cuba é exibida durante procissão católica em Havana

A ditadura cubana, endeusada por setores da esquerda como um exemplo de “democracia popular”, e chamada pelo presidente Lula de “defensora de uma governança global mais justa”, não tem limites quando o assunto é massacrar sua população – incluindo bebês que ainda não nasceram, especialmente quando são filhos de presas políticas. Ativistas de direitos humanos e familiares divulgaram o caso de uma jovem, Lisdany Rodríguez Isaac, de 25 anos, presa durante os protestos de julho de 2021, e condenada a 8 anos de prisão. A moça está grávida do primeiro filho e vem sendo pressionada pelo regime de Miguel Díaz-Canel a abortar contra a própria vontade.

Cumprindo pena na prisão de Guamajal, localizada na província de Santa Clara, Lisdany também está sendo privada de alimentação adequada, medicamentos e atendimento médico, o que pode comprometer a gravidez. O caso ilustra bem o pouco apreço com a vida humana, tão característico das ditaduras, e que não tem nenhum escrúpulo em punir injustamente até mesmo os filhos dos presos políticos do país. O crime de Lisdany – e de sua irmã gêmea Lisdiany, também condenada a 8 anos de prisão – é o mais terrível que pode ser cometido dentro de um regime ditatorial: o de protestar contra o governo e clamar por mudanças.

As duas irmãs participaram das manifestações do dia 11 de julho de 2021, quando milhares de cubanos foram às ruas exigir melhores condições de vida. Não foram apenas as duas jovens que foram presas. Centenas de cidadão também acabaram atrás das grades das prisões do regime, a maioria condenada pelos mesmos crimes das duas irmãs: desordem pública, propagação de epidemias (na época do protesto, em plena pandemia, Cuba editou uma lei proibindo aglomerações nas ruas), desacato, algumas a penas de até 30 anos.

Todo o horror vivido por Lisdany é contado por sua mãe, Barbarita Isaac, que desde a prisão, buscou auxílio de grupos de direitos humanos para tentar recuperar as filhas. Hoje ela cuida da neta, filha de Lisdiany, que não vê a mãe desde os três anos de idade. A gravidez de Lisdany lhe dará o segundo neto (ou neta), isto é, caso o regime cubano permita que a gravidez vá adiante. A ONG Prisoners Defenders, que acompanha o caso, compartilhou um vídeo nas redes sociais com uma gravação da mãe das jovens, Barbarita Isaac Rojas, alegando que sua filha está grávida de sete semanas e está sendo ameaçada com um aborto forçado. No áudio, Barbarita afirma: “Agora a Segurança do Estado quer obrigá-la a tirar o bebê. E então ela me disse que ia ver se eu denunciaria isso porque ela não quer tirar a criança. Ela se sente muito mal”. Como bem resumiu Javier Larrondo, presidente da Prisoners Defenders, “um aborto forçado contra a vontade de uma mãe e sem motivo clínico não é nada menos que um assassinato como produto do terrorismo de Estado”.

País declaradamente comunista, Cuba orgulha-se de defender “os direitos sexuais e reprodutivos” das mulheres cubanas. O aborto é legal no país desde 1965 – entusiastas do abortismo festejam Cuba como o primeiro país latino americano a legalizar a prática – e as taxas de aborto são altíssimas, ficando entre as maiores do mundo. Além da pobreza e da falta de perspectivas, que forçam muitas mulheres a interromper a gravidez, o aborto eugênico de bebês diagnosticados com alguma condição médica é frequente, a ponto de influenciar até as taxas de mortalidade infantil do país. Há poucas mortes de crianças porque os bebês que exigiriam mais cuidados médicos e melhores condições de vida são mortos antes de nascerem.

A própria constituição cubana de 2019 tem um trecho especificando que o Estado garante às mulheres o “exercício dos seus direitos sexuais e reprodutivos, protege-as da violência de gênero em todas as suas manifestações e espaços, e cria os mecanismos institucionais e legais para isso”. Mas isso só se materializa no empenho do regime cubano em promover abertamente a prática do aborto – e até obrigar as mulheres a fazê-lo, como no caso de Lisdany. Quando se trata de proteger o direito à vida e à maternidade das presas políticas, a constituição cubana de nada vale. Por mais que os defensores do comunismo cubano insistam em negar, é esta a verdadeira face do regime: o desprezo pela vida dos cidadãos, das mulheres, crianças e famílias, que há 60 anos são obrigadas a viver num sistema retrógado que só sabe oprimir e manter a população sob o sórdido jugo do terror.

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