JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

Com o fim da Segunda Guerra, em 2/9/1945, a Europa era um grande escombro. Como no poema de T.S. Eliot, uma Waste Land (Terra Devastada). “Jamais pensei que a morte a tantos destruíra/ E cada homem fincava o olhar adiante de seus pés”. Mas já em 12/7/1947, menos de dois anos depois, reuniam-se Alemanha e Itália, que perderam a guerra, mais 13 países que venceram. Para instituir o Comitê Geral para a Cooperação Econômica. E, em 18/4/1951, foi criada a CECA. Para explorar o carvão do Vale do Ruhr (Alemanha). Reunindo França, os três países do Benelux (Bélgica, Holanda, Luxemburgo) e, mais, Alemanha e Itália. Na cerimônia de assinatura do tratado, Riccardo Monaco (em seu Cenni Storice sullo Sviluppo dell’Integrazione Economica Europea) observou que todos, naquela mesa, haviam perdido algum parente na guerra. O que não os impediu de sentar juntos. Em livro que escrevi sobre o tema (1973), duvidei que algo assim pudesse acontecer na América Latina. Por nos faltar maturidade cultural.

O Brasil, agora, sofre com isso. E sangra. Erra o governo, por agir como se as eleições não tivessem ficado para trás. O passado desune, mas o futuro pode unir. Sem conseguir representar a todos, os que ganharam e os que perderam as eleições E erra a oposição, mais preocupada em só buscar votos nas próximas eleições. E contra quaisquer medidas do governo. Só por virem do governo. Inclusive as corretas. Por razões ideológicas, se desculpam. O que é lamentável. Que precisamos pensar no país. Um pouco mais de grandeza, senhores. Todos ficaríamos gratos.

Mas onde está o essencial? Para mim, no cenário econômico. “É a economia, estúpido!” Como na frase do marqueteiro James Carville. Quando sugeriu a Bill Clinton, ainda hesitando em ser candidato, que Bush (pai) era vulnerável. Por conta da recessão então vigente, nos EUA. Numa quase ironia, nosso ditador mais sanguinário, Médici, foi o presidente militar com maior aprovação popular. Porque o país crescia 7% ao ano. Nosso futuro pode ser resumido em poucas palavras. Se a economia for bem, o governo vai bem. Se for mal, vai mal. E se for muito ruim, cai. Simples assim. Há razões de otimismo, no entanto. Que temos uma equipe econômica respeitável. Fazendo enorme contraste às improvisações (e grandes vícios) de nosso passado recente. Vamos todos rezar, então, para que dê certo. E logo, se possível.

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