ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Conforme relatei em artigo anterior, grande parte da minha vida profissional foi dedicada à busca pelo aumento da produtividade nas empresas onde trabalhava. Normalmente, esses ganhos se davam através da automação de operações repetitivas, com a consequente eliminação da necessidade daquela mão de obra de baixa qualificação.

As cenas que eu presenciei, ao ver dezenas de pobres operárias sendo demitidas em consequência do trabalho que havia realizado, eram de cortar o coração. Teria que ser muito insensível para não me condoer com o destino que esperava aquelas pobres criaturas. Muitas delas haviam deixado uma vida de prostituição, na favela em frente à fábrica, para serem humildes e honradas operárias. Um salto quântico na qualidade de vida delas.

Já naquela época, eu tinha bem claro em minha mente que o problema não estava nos ganhos de produtividade que haviam sido propiciados pelos projetos que eu houvera implantado. O problema era o destino que era dado aos ganhos financeiros propiciados por aquelas imensas reduções nos custos de fabricação.

Nesses casos, há sempre quatro partes interessadas: a empresa, os operários, os consumidores e o governo.

Os ganhos obtidos poderiam ter aumentado os lucros da empresa. Não me pareceu ser ter sido o caso. Poderiam ter propiciado aumentos salariais aos funcionários remanescentes. Nunca foi o que ocorreu. Poderiam ter reduzido os preços dos produtos, repassando os ganhos aos consumidores. Também não foi o caso.

Toda a riqueza gerada foi vorazmente expropriada por uma estrutura governamental absolutamente canalha e voraz. Aquela nova riqueza, que poderia propiciar aumentos de salários, redução nos preços, ou mesmo a abertura de novos investimentos, que gerariam mais empregos e renda, foi totalmente sugada pela maldita carga tributária. Foi direcionada para sustentar multidões de nababos parasitas. Estima-se que a carga tributária atual esteja em 40% de toda a riqueza por nós produzida anualmente. A tendência é de subir ainda mais.

Em paralelo, mesmo abocanhando cada vez mais do produto do trabalho dos pagadores de impostos, a dívida pública seguiu sempre ascendente. Estima-se que, com a sangria desatada provocada pela aquisição de produtos fajutos, sempre a preços estratosféricos e adquiridos sem licitação, juntamente com os famigerados “Hospitais de Campanha”, que não serviram para absolutamente nada, tenhamos chegado a uma dívida correspondente a 100% do PIB. A desgraça provocada pela roubalheira nunca é tão grande que não possa piorar. Se a atual bonança financeira mundial, com juros baixos e abundância de capital disponível, reverter para uma situação de redução na liquidez e alta de juros, o Brasil quebra no momento seguinte. Basta os EUA saírem na bala com a China.

Só estamos aguentando pagar os juros desta dívida monstruosa porque as taxas estão baixas. Se subirem qualquer coisinha, a dívida explode!

Outra consequência fulminante, nesta situação de falência postergada, é uma brutal concentração de renda. Aqueles que conseguiram se posicionar do lado dos cobradores de juros desta dívida monstruosa, estarão cada vez mais auferindo lucros descomunais, sempre às custas da falência do país. A sua atuação é semelhante à do câncer que, ao ampliar a sua área de atuação através das metástases, termina por matar o hospedeiro.

Outro detalhe interessante é que esse pequeno grupo paga pouquíssimo imposto de renda. A maioria dos seus rendimentos são considerados como “Não Tributáveis” pela Receita Federal.

Todas as vezes que uma inovação tecnológica propiciou ganhos de produtividade, a primeira reação foi culpá-la pela eliminação daqueles empregos, quando na realidade, ela estava propiciando aumento no bem-estar de toda a população. Foram esses ganhos de produtividade que tornaram possível sustentar a pão de ló a multidão de canalhas parasitas que se encontra dependurada nas gordas tetas do governo brasileiro atualmente, seja através da cobrança de juros sobre a dívida pública, que consome metade de todos os impostos que pagamos; seja através da multidão de marajás encastelados na maldita corte brasileira. Sem falar na roubalheira desbragada em todas as obras governamentais.

A próxima onda tecnológica que está em fase de gestação, a Inteligência Artificial – ou A.I., tem potencial para ser muito mais disruptiva que todas as anteriores, como a do vapor, na revolução industrial, ou a da eletricidade. Estima-se grosseiramente que 50% das profissões atuais deixarão de ser necessárias em curto período de tempo. Assim, o fator trabalho continuará sendo cada vez mais substituído pelo fator capital nas empresas. Desta forma, os detentores das grandes riquezas só tenderão a serem detentores de uma parcela cada vez maior desta mesma riqueza. A concentração de renda, cuja curva ascendente das últimas décadas tem provocado a ascensão de todo tipo de esquerdismo escroto, assim como de demagogos canalhas, estará cada vez mais presente no futuro.

Teremos, cada vez mais, uma economia altamente produtiva, SÓ QUE SEM CONSUMIDORES, já que toda a riqueza estará sendo apropriada pelos gigolôs da nação. As multidões, de uma população desprovida de todos os meios para prover a própria subsistência serão cada vez mais atraídas pelo “Canto da Sereia” do socialismo. Serão hordas de INIMPREGÁVEIS e INÚTEIS, sem renda, sem educação e sem a mínima perspectiva de melhoria. Estarão condenados a viver eternamente das esmolas estatais, ou a apelarem para a criminalidade. A miséria será avassaladora, a par com uma casta privilegiada de proxenetas da nação que viverão intermediando a exploração de nossas riquezas pelos gringos.

Hoje, ultrapassamos o “Point of no return”! Não temos mais como reverter este quadro. Seremos cada vez mais um mero fornecedor de matérias primas, sempre a preços de banana podre, e consumidores das tecnologias desenvolvidas nas economias de vanguarda. Em paralelo, o “Sistema S” fica dando cursos de cabeleireira. Viramos a terra das cabelereiras! Em vez do governo aplicar a imensa massa de recursos arrecadados em cima dos salários no desenvolvimento de empresas de vanguarda, torraram tudinho nas esbórnias e na corrupção.

É por isso que multidões de demagogos se digladiam para participar deste festim macabro e amaldiçoado.

Preparem-se que multidões de decisões imbecis ainda virão. Quem viver, verá!

8 pensou em “O FUTURO DO BRASIL

  1. Prezado Prof. Adonis, como sempre, concordo com tudo que voce escreve, seu pensamento é corretíssimo, mas, o“Point of no return” ainda é possível, basta o Presidente fazer uso da Constituição/88 para DEMITIR ministros vagabundos do STF mas tem que “costas quentes” e culhões, reduzir a Camara (50%) e Senado, apenas dois por Estado e acabar com suplentes, estes seriam por ordem de chegada e se, o teto salarial é o salário do Presidente, por que o presidente da Petrobrás pode ganhar 3 vezes mais? Por que 45% de impostor em um carro, e os alimentos?

  2. Minha sobrinha, que trabalha há mais de 15 nos EUA, numa empresa de ponta, chegou, hoje ao Brasil. Ficará por aqui até 2021. Bem antes da pandemia, ela já fazia Home Office algumas vezes naturalmente. Com a pandemia passou a “ser Home Office” todos os dias. Dias atrás o chefe dela a liberou para trabalhar em Home office no Brasil, até janeiro de 2021, ou a combinar a data de retorno ao EUA, pois ela poderia estar trabalhando ou situada em qualquer parte o mundo. Como ela é brasileira a liberou para o Brasil. Já imaginaram nas leis trabalhistas brasileiras o que isto acarretaria?

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  4. Mestre Adônis, concordo com tudo, como de costume, mas faço uma ressalva: estamos condenados a um futuro horrível, mas a culpa não é apenas do desenvolvimento tecnológico em si. A tecnologia destrói empregos de um lado mas gera oportunidades do outro. O problema por aqui é que sempre fomos apenas fornecedores da mão-de-obra barata, enquanto ensinamos aos jovens que lucro é palavrão e empresários são seres abjetos. Nossas escolas fazem de tudo para evitar que nossos jovens sejam capazes de empreender.

    Me contaram ontem que um colega de escola de meu sobrinho-neto (que tem 16 anos) está na folha de pagamento da Microsoft. Alguma coisa a ver com video-games. E o resto da turma, o que quer da vida? Provavelmente sonha em ter um emprego público.

    A China forma 450.000 engenheiros por ano, e todos eles sonham em montar uma pequena empresa e aproveitar a onda das novas tecnologias. Aqui, distribuímos diplomas de sociologia, filosofia, ciências políticas e coisas parecidas para gente que não sabe fazer nada e cujo único sonho na vida é passar em um concurso na própria universidade, se aboletar em uma vaga com estabilidade e passar o resto da vida militando por utopias socialistas.

    Sim, já passamos do “point of no return”, e a culpa é só nossa. Como disse Nelson Rodrigues, “subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos”. Ou, de autor desconhecido, “o maior problema estrutural do Brasil é a burrice”.

    • Prezado Marcelo,

      Na condição de fã dos seus escritos, fico imensamente lisonjeado com suas considerações.

      Infelizmente esta é a nossas triste realidade. Enquanto insistirmos neste modelo de democracia de merda, em que um bando de jumentos elegem sempre os mesmos canalhas, nosso destino está traçado.

      Grande abraço.

  5. Agora dá para entender o porque do Congresso não pautar e nem votar reformas econômicas para enxugar as contas de custeio, ou é preciso desenhar!

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