CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

A paixão é a escravatura da alma. Reina absolutista e totalitária nos impérios do querer. É um voo aprisionado pelos céus da desilusão. É o dar de cara com nuvens antropofágicas e não querer sair de suas garras.

Quem sobrevive sob a hipnose da paixão não tem querer, e só tem querer. O apaixonado é um inimputável amoroso capaz apenas de subjugar-se ao querer da paixão, não dispõe de opções outras. É um súdito dos caprichos da paixão, ao tempo em que só dispõe de “vontade” pela cousa amada.

Penso que o amor seja o respirar profundo de uma criança em sono enternecido.

Ao contrário, a paixão é um fôlego de agonia numa apneia sem fim.

Confesso que gosto do viver entusiasmado dos apaixonados. Esse estado de alerta psicótico, no entanto, nos rouba paz. Feitos da mesma substância em dosagens diferentes, feito o remédio e o veneno, é o amor e a paixão. Talvez seja a paixão um amor em seu estágio mais primitivo de selvageria.

Parece-me ser da essência dos intensos a compulsão. Não saber tomar uma dose, comer um chocolate, gostar de conta-gotas. O intenso toma porre, tem gula e sofre de paixão. O compositor Cazuza fora uma dessas questões elevadas à potência máxima. O intenso conhece de overdoses, não necessariamente de drogas. O intenso não ri, gargalha, não chora apenas, soluça e se martiriza. Frases de Cazuza como “exagerado jogado aos seus pés”, “eu quero a sorte de um amor tranquilo” ou “eu sou um poeta e não aprendi a amar”, entregam que o compositor não era exatamente um adepto dos freios sentimentais. Guardadas as devidas proporções, dado os meus princípios por vezes conservadores, a minha essência é irredutível às dimensões ditas normais.

Desconhecer o descanso é procurar abrigo na euforia e, por mais que não queira, ser avessa a um mundo de discrições. É tentar dançar a valsa da humanidade, enquanto o seu peito batuca um samba de raízes profundas. E em um desses dias em que eu catava sair do ímpeto de caminhar contrária ao fluxo sereno da humanidade, por ironia, escutando samba – outra de minhas paixões – desabafei através das costuras de letras. E assim, rimando os meus desejos, vesti o papel de soneto. A sensação que tive é que combinara peças que não ornavam. Senti que usara a blusa do poá da paz com a calça “animal print” da paixão: em cores, tamanhos e texturas incompatíveis, avessa ao requinte, portanto. Liguei para o amigo e poeta oceânico Rangel Júnior e mostrei o que fizera escutando Martinho da Vila. Ele, com a generosidade e leveza que tem por manto, acudiu meus versos: – vou já buscar o violão…

De fato, a paz e a paixão se harmonizaram através do talento de Rangel e se tornou um samba de primeira ordem.

Permanece, o meu amar, desordeiro e desvalado. E na agudeza do “dever ser”, os meus não vivenciados escritos:

SONETO DE IMPOSSIBILIDADES

A paixão é um troço sedutor,
Que inventa que paga, mas sonega;
Esquentando camufla ser calor,
Dá prazer sendo fria na entrega.

A paixão rouba o sono de um amor,
Sua paz, o seu ar, depois ofega;
De “per si” a paixão tem o sabor,
De um veneno gostoso, mas que cega.

É possível amar e ser amado,
O amor com paixão é comparado,
Ao impulso que vem e emociona.

O amor com paixão nos traz mais paz,
Sentir isso, meu deus, é bom demais,
Se ter paz mesmo quando se apaixona.

18 pensou em “O ESTADO, DE PAIXÃO, SOU EU!

  1. Lindo dia! Maravilhoso domingo!
    Constância!

    Carismática.
    Original.
    Nobre.
    Sofisticada.
    Talentosa.
    Autêntica.
    Natural.
    Criativa.
    Irresistível.
    Adorável.

    Depois eu volto…

  2. Ruivona ruivosa, me perdoe,

    mas FREIOS SENTIMENTAIS são coisa para aquele caminhoneiro vendedor de cocos que dá espediente às sextas aqui no JBF.

    Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito” (APOCALIPSE 3:16) .

    E seu olhar não nega o vulcão que trazes dentro de si…

    Meu apelido, aqui em Uruguaiana é iceberg… PORTANTO:

    De acordo com os resultados divulgados no site da revista Smithsonian, o choque da lava com a neve produz a formação de BOLHAS pela vaporização do gelo.

    Estou imaginando milhões de bolhas, BOLHAS, bolhas…

  3. Dilemas… Si una langosta pierde una pata, le vuelve a crecer otra (y así deberíamos hacer cuando nos rompen el corazón).

    Espero que os corações de Freitas e Uchôxu tenham o mesmo poder de regeneração da lagosta, pois a ruiva irá despedaçar seus “vecchios cuores”.

    E é por essas e outras que Sancho resguardou seu coração e partliha belíssima amizade com a poetisa que a todos encanta neste “bertiano cantinho coração de mãe”: sempre cabe um montão de gente maravilhosa.

    Beijão, ruiva!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  4. É um show de poesia, no palco dos mais diversos estilos sua performance se destaca, ela entra para arrasar. Parabéns poetisa…

  5. Show de bola. Estar apaixonado é como nadar em meio a tubarões.. vale o risco. Va lá, mestre Vinicius “que seja infinito enquanto dure….”. E como disse Roberto Carlos na música 120, 150, … 200 km por hora, “preciso parar de pensar em você e prestar mais atenção a estrada”. Até o Dr. Honoris Coco sabe disso.

    • Assuero,

      Até o Dr. Honoris Coco, que sabido não é, sabe disso.

      Vou botar uma gigantesca peruca ruiva na “cabeça do cavalo” do meu Quixote Véi di Guerra e percorrer as estradas da Região Chuveste com meu caminhão tendo uma ruiva cabeleira esvoaçante e bela a deixar interrogações pelas estradas da vida. Vai ser uma belezura…

  6. Seu “SONETO DE IMPOSSIBILIDADES” e o preâmbulo que o antecedeu sôbre “O ESTADO, DE PAIXÃO, SOU EU!
    Sem dúvida, é uma das coisas mais lindas que li. Digno de “CONSTÂNCIA UCHÔA – “IN” CONSTÂNCIAS”.

    Decerto, foi escrito para alguém merecedor da sua atenção, do seu carinho e da sua paixão.

    Não poderia descrever; para você, como seu incomparável talento, o fez. Mas, meu sentimento, segue em movimento ainda aprendiz. Preenchendo as letras pontilhadas de um antigo caderno de caligrafia.

    Hipnotizado estou por essa fotografia. Irei lá fora respirar profundamente um ar de montanha e mar. Procurar o Sol ou pelo ao menos sentir seu calor através de alguns raios. Pois, o dia aqui, está nublado.
    Para admirar mais essa pintura.

  7. Com ar puro respirado. Aquecido pelos raios do sol. Ainda hipnotizado por essa obra de arte. Retorno à difícil, porém prazerosa tarefa de encontrar palavras que descrevam fielmente um monumento erguido ao encanto, à beleza e à feminilidade.

    Todas as vêzes que olhar essa foto. A sensação será sempre única para cada momento em especial.

    Vê-la, com esse olhar superior, encantador, sedutor…
    Uma aura de enigma e mistério no ar.
    Pura energia feminina à pulsar, serena e calma. Mas, um relâmpago se tornar. Se provocada for, em sua essência íntima de mulher.
    Ombros nus, sardas de charmes à mostra. Orelha saliente em harmonia com os cabelos.
    Sorriso lindo e quase imperceptível. O suficiente para moldar o rosto e desenhar em sua fronte o enigma que seu pensamento guarda.
    Mesmo sentada, percebe-se sua silhueta esguia e esse clássico cruzar de pernas, a direita sôbre a esquerda. Que só o fascínio de uma mulher pode provocar.
    E esse pé de deusa, quase descalço, levemente apontando para sua passarela onde irá desfilar.
    Posso ainda me deliciar, não com o vinho que está na taça que você sofisticada e delicadamente segura. Com os dedos bem juntinhos de sua mão aveludada. Mas, com toda a cena que retrata essa fotografia.

    Para o dia de amanhã. Onde a mulher é a maior homenageada.
    Peço sua permissão para oferecer-lhe, alguns vídeos do YouTube (não sei como colocá-los aqui diretamente) e fazer minha homenagem à você.
    Mais uma vez, não sei se você já viu. Se sim, tudo bem, veja de novo. Se não, assista. A emoção estará sempre comigo.
    Se puder seguir essa ordem, melhor.
    1) Hauser e Senhorita – Vivo per lei.
    Nos meus sonhos e devaneios, penso ser ele e ela ser você. Cena linda e tocante.

    2) Hauser – Caruso.
    Só ele tocando o seu violoncelo.

    3) Sunset in Positano Italy – música Caruso. Mostra o local onde ela foi composta por Lucio Dalla. Que teria se hospedado no mesmo quarto de hotel que o Caruso ficou. Tomou conhecimento de um amor proibido que o Tenor nutria por uma mulher bem mais nova que ele. Nessa Costa Amalfitana veio a inspiração necessária para fazer a música.

    4) Hauser – Nessun Dorma.
    Ele e seu violoncelo.

    5)Hauser – Torna a Surriento
    Ele e seu violoncelo.

    Um Feliz dia Caicoense da Mulher do Seridó.

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