AUGUSTO NUNES

Em 25 de maio de 2005, uma sessão conjunta do Congresso Nacional instaurou a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito concebida para devassar uma rede de pagamento de propinas localizada nas catacumbas dos Correios. Num vídeo gravado clandestinamente, divulgado dias antes, um diretor da estatal, Maurício Marinho, aparecera embolsando um punhado de cédulas enquanto descrevia a dois empresários o funcionamento da patifaria supostamente gerida pelo deputado federal Roberto Jefferson.

Presidente do PTB e aliado do governo Lula, Jefferson Irritou-se com o apoio de parlamentares do PT à criação da CPI, e consumou em 6 de junho o prometido contragolpe. Numa entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, revelou que os parceiros da base governista recebiam mesadas patrocinadas pelo PT. Foi assim que a CPI dos Correios entrou para a história rebatizada de CPI do Mensalão – o maior caso de corrupção da primeira década do século.

No momento, a CPI da Covid tem feito barulho concentrada nas denúncias de pecados e irregularidades atribuídos ao governo Bolsonaro. Minoritários na CPI, aliados do Planalto resolveram mudar o alvo do bombardeio – e vêm ampliando rapidamente o acervo de crimes cometidos por governadores e prefeitos contemplados com gordas verbas destinadas ao combate à pandemia de coronavírus.

O plano é tornar inevitável a investigação de bandalheiras bilionárias que envolvem desvios de dinheiro destinado à saúde, gastanças com hospitais de emergência que nem foram inaugurados e compras superfaturadas sem licitação. Nessa hipótese, o que Renan Calheiros chama de CPI da Covid se transformará na CPI do Covidão. E o país ainda convalescendo do Mensalão e do Petrolão será confrontado com o terceiro grande escândalo do terceiro milênio.

9 pensou em “O COVIDÃO RONDA A CPI

  1. Realmente, tens razão.

    Obedecendo aos requerimentos feitos e analisados nesta quarta, 9 governadores serão convidados a depor na CPI.

    Quem roubou deve pagar da mesma forma que os que mentiram ou se omitiram.

    Atenciosamente

    • Serão convocados: de Santa Catarina, Carlos Moisés, do Amazonas, Wilson Lima; do Distrito Federal, Ibaneis Rocha; do Amapá, Waldez Góes; do Pará, Helder Barbalho; de Rondônia, Marcos Rocha; de Roraima, Antonio Denarium; do Tocantins, Mauro Carlesse; de Tocantins e Wellington Dias, do Piauí. Integra a lista o governador impichado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

      Se forem culpados, ferro neles!!!

      • Hipólito, quem deveria ser convocado para responder pelo consórcio NE é o Carlos Gabas, responsável pelas compras dos 9 estados desta região.

        Este teria muito a contar, mas foi “poupado”. Wellington Dias é o Presidente do consórcio NE vai dizer que não sabe de nada, que nunca ouviu falar de nada. Quem fazia as armações é o Gabas e contra ele há o depoimento da empresária que em 20 minutos fechou o negócio, no dia seguinte tinha 48 milhões em sua conta e os respiradores nunca apareceram.

        Deste mato podem sair vários ratos

        • Como eu disse, se culpados, ferro neles!!!

          Agora, tem um porém que eu soube. Com exceção do Witzel, os demais podem ir ao STF e não comparecerem.

          De qualquer forma, a CPI não julga, se encontrar indícios, vai mandar ao MPF, que é quem deverá propor ação da PF para investigar. Aí, ninguém será condenado, como é o costume brasileiro. Vai prescrever tudo

          Pena.

          • PS: veja só a atitude correta do Ministro da Saude, afastou o superiuntendente do RJ que está envolvido em esquema de corrupção.

            Se ele vai ser condenado, não sei, mas acho que este tipo de atitude deveria ser constante no Brasil. Afasta e deixa o sujeito de defender. Se for absolvido, retorna (Como o Itamar fez com seu amigão Hargreaves).

            Isto deve ria ter acontecido com qualquer um integrante do governo (seja federal, estadual ou municipal) se for acusado pelo MPF. Também vale para o ministro Salles, claro.

            A lei deve ser igual para todos.

            Abraços

            • Hipólito, o inquérito do Salles não seguiu a lei do sorteio do Juiz natural, tampouco a PGR está ciente do que acontece, o que contraria a CF.

              A coisa está parecendo perseguição ilegal do Alexandre de Moraes.

              Se Salles for culpado, que pague, porém tem que seguir o devido processo legal.

              • Caríssimo João

                A chance do pleito do Aras vingar é virtualmente nula.

                Está claríssimo que ele está jogando para a platéia (Bolsonaro) no esforço titânico de ser nomeado para a vaga do Marco Aurélio.

                Mas ele não é terrivelmente evangélico, é só terrivelmente puxa saco.

                E cá entre nós, o Salles é mesmo um boiadeiro corrupto, independente de juizes naturais ou perseguições jurídicas.

                Deve ser afastado. Ou você acha que a bandeira anti-corrupção do Bolsonaro vai se manter?

                Abraços.

                • Hipólito,

                  Escrevestes às 17:23:

                  “A lei deve ser igual para todos”

                  Às 20:22 escrevestes:

                  “E cá entre nós, o Salles é mesmo um boiadeiro corrupto, independente de juizes naturais ou perseguições jurídicas.”

                  Para mim isso já basta, te revelastes, não há mais nenhum comentário a fazer.

                  Abraços

  2. Peguem o Gabas, peguem o Gabas, peguem o Gabas…………se precisarem de ratoeira e dólares, envio embrulhados, assim ele vem!

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