CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

Introito

Em terras potiguares, eu e a professora Socorro Lopes de Araújo, ou simplesmente, Maria Caramujo, escrevemos a história de Severino: Natureza Severina. (vide matéria “Natureza Severina”, publicada nesse Jornal em 21 de março de 2021).

Severino, um resignado morador do lixão, é um menino cuja família não dispõe de recursos (de real), feito as de tantos Severinos reais. No entanto, por capricho de nosso Senhor, seu espírito pertence à realeza dos céus da dignidade.

O livro, jamais publicado, fora escrito assim: esta colunista provocava a professora com alguns parágrafos e ela, com a criatividade que lhe é inerente, respondia com outros tantos.

Abaixo entrego aos leitores alguns parágrafos enviados, numa rara manhã chuvosa, à sertaneja Maria Caramujo.

II. O BESOURO DE MINHAS QUEIXAS 

Severino gostava tanto de bicho que pôs na cabeça que um sinal que tinha em seu queixo era um besouro que resolvera ficar por ali. E assim que acordava, corria para o pequeno e desgastado espelho de bordas laranjas para verificar se o besouro permanecera em seu queixo de ilusão.

Certa vez, a professora pediu para que todos escrevessem uma redação a respeito de seu melhor amigo. Eis o título da redação de nosso menino Severino: O Besouro de meu queixo.

A professora sorriu com o título e chorou com o lirismo dos escritos. Ela percebera que os colegas debochavam do referido e indiscreto sinal de seu aluno. Severino significara aquela marca como um sinal de amor, afinal era “carne de sua carne”, como tão bem descrevera no corpo de sua redação.

Era uma declaração de amor ao infortúnio. Nela trazia consigo, dentre outras, a reflexão seguinte: “Não me deixa e nem se queixa por ouvir as minhas queixas, fica ali tão satisfeito. Tão abusado que sou! Ele jamais reclamou, por não lhe dividir meu pão. Rezo por mim e por ele, pois ter um amigo daquele, vale qualquer oração. E fica ali em meu queixo, “me perdoa” se lhe deixo, às vezes, sem atenção. Ele pode contar comigo, pois não tem somente amigo, nós somos também irmãos”.

Dona Romilda percebera que seu aluno seria um escritor e resolveu estimulá-lo: publicou no jornal da Escola. Na oportunidade, sugerira apenas a mudança do título respectivo para: O Besouro de minhas queixas.

13 pensou em “O BESOURO DE MINHAS QUEIXAS 

  1. “Socorro, socorro, socorro”, gritava esbadorida a menina,como se um besouro tivesse se emaranhado em seus belos cachos ruivos…
    Era um Caramujo!!!!!!!!
    Ao saber tratar-se de outro bichinho ouviu-se novamente a voz da menina…
    “Socorro, socorro, socorro”, gritava esbadorida a menina, agora certa de que um caramujo estava emaranhado em seus belos cachos ruivos…

    Que as senhoras Socorro, Uchôa e Caramujo tenham um espetacular domingo…

  2. Cons,
    E ao sair do automóvel solicitado ao “aplicativo de viagens” ecoa em meu coco (abração, Sancho), a frase proferida pelo motorista: “Existem três tipos de mulher: 1)as bonitas;2) as inteligentes; e 3) a maioria”.

    Certeza tenho que preenches as alternativas 1 e 2, para desespero das que estão na opção 3…

  3. Dearest Mrs Uchôa,

    “Bridgerton”- temporada 2 – “Daphne seguirá siendo una esposa y una hermana devotas, que ayudará a su hermano a navegar la próxima temporada social y lo que tiene para ofrecer: más intriga y romance de lo que mis lectores pueden soportar”

    Yours Truly,
    Lady Whistledown

  4. Constância, minha Branca de Neve, que satisfação eu sinto lendo suas publicações.
    Inteligência genial.
    Vai chegar o dia, e nós iremos ler aqui, os seus relatórios à Justiça Federal, do seu trabalho, em versos. Dê-me este presente. Você é capaz disso.
    Forte abraço minha querida amiga! Deus a abençoe e a faça feliz! Amém!

Deixe uma resposta