J.R. GUZZO

Lula agenda

Não há nada tão fácil de fazer quanto o balanço dos “primeiros 100 dias do governo Lula”: após três meses de funcionamento, tudo o que o atual governo se mostrou objetivamente capaz de apresentar ao público foi um comercial de propaganda, pago com o dinheiro dos seus impostos, como se estivesse anunciando um detergente ou um pacote de margarina. Mais nada? Mais nada, absolutamente nada – e, ainda por cima, copiou o anúncio que o governo de Michel Temer fez para comemorar o seu segundo aniversário.

É, mais uma vez, a fotografia exata da ação de Lula, do PT e da esquerda quando estão no governo: como não fizeram nada de útil até agora, e não têm nenhuma possibilidade prática de apresentar algum projeto coerente para qualquer coisa que seja, mentem. É sua política de governo. Em vez de resultados, servem uma realidade que não existe; é muito mais fácil.

Lula não tem a menor realização, mesmo modesta, nesses três meses de atividade; é pouco tempo, claro, e ninguém poderia cobrar obras prontas num período tão curto, mas o problema é que ele não mexeu um milímetro em nada que pudesse melhorar qualquer coisa neste país. Ao contrário: tudo o que fez foi demolir, ou ameaçar de demolição, as coisas positivas que encontrou ao assumir o governo.

Liquidou o novo marco do saneamento, que abria o setor para o investimento privado – exige que 100 milhões de brasileiros continuem sem esgoto e 35 milhões sem água, na dependência das esmolas do “Estado”. Liquidou o novo ensino médio, essencial para a melhoria da necessidade mais desesperada da sociedade brasileira – um ensino público um pouco melhor do que se tem hoje. Liquidou a Lei das Estatais, que tenta defender as empresas do Estado da pilhagem feita pelos políticos. Tudo isso eram leis, aprovadas pelo Congresso Nacional após anos a fio de debate; com um mero ato de vontade, Lula jogou tudo no lixo. Sua prioridade absoluta é manter o Brasil preso no passado – a única possibilidade de sobrevivência política para ele e para o PT.

A política externa dos primeiros três meses de governo Lula é um insulto público às democracias, à liberdade e à lei internacional. Na última vez que abriu a boca – depois de abrir os portos do Brasil a navios de guerra do Estado terrorista do Irã – foi para dizer que a Ucrânia tem de entregar parte do seu território à Rússia; ele decidiu que os ucranianos não podem “querer tudo”.

A política econômica não existe. Tudo o que se fez até agora foi amontoar papelório incompreensível e inútil sobre um “arcabouço fiscal” que não estabelece uma única medida de ordem prática e se resume a uma série de devaneios a respeito do futuro remoto. A política ambiental levou a Amazônia a ter, em fevereiro último, o pior índice de queimadas de toda a série histórica. O desemprego volta a aumentar. Há férias coletivas na indústria automobilística. A Bolsa de Valores, há três meses, sofre um processo de destruição em massa de riquezas. O agronegócio, o único setor da economia brasileira que funciona, é sabotado todos os dias pelo governo.

Pior que tudo: em lugar de propostas decentes, ou de qualquer solução, para qualquer coisa, Lula joga na “taxa de juros” a culpa de tudo o que vai mal no Brasil de hoje. Pronto, está tudo resolvido: se os juros caíssem, todos os problemas estariam resolvidos para sempre, e o seu governo seria o melhor do mundo. É o governo através da mentira oficial e permanente, como exposto acima – os juros, em que Lula não manda, são o que segura hoje a inflação. Isso é muito ruim, diz ele. O presidente diz que a meta atual para a inflação está ”errada”; quer mais inflação, e não menos, porque acredita que imprimir dinheiro é criar “desenvolvimento” econômico. Qual será a inflação que ele gostaria: 100% ao ano, como na Argentina que tanto quer copiar?

Esses são os primeiros três meses. Imaginem os primeiros três anos.

Um comentário em “O BALANÇO DOS PRIMEIROS 100 DIAS

  1. Nenhuma surpresa!!
    Alguém por acaso esperava algo diferente???
    Seria muita ingenuidade uma vez que o cidadão em foco sempre foi um o mesmo, desde os seus velhos tempos de mal cheiroso líder sindical: um malfeitor, e como todo o malfeitor mentiroso e falso (abstenho-me de registrar os outros adjetivos qualificativos que o definem por serem muito “pesados”)!

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