O AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

“Quando por algum motivo
Um crime qualquer ocorre
Uma mãe desesperada
Pra casa da outra corre
Que a mãe do filho que mata
Consola a mãe do que morre.”

Ivanildo Vila Nova

“Depois que meu pai morreu
Minha mãe ficou sozinha
Na sua vida de pobre
Trabalhando pra vizinha
Estragando a vida dela
Pra dar conforto a minha.”

Ismael Pereira

“A mãe tem capacidade
De adivinhar sentimentos
Seus prantos servem de néctares
Nos mais amargos momentos
Os seus sorrisos são luzes
Seus beijos são alimentos.”

Pedro Bandeira

“Me iludi com a vida
Porém hoje eu não me iludo
Minha mãe me deu conselho
Carinho, abraço e estudo
Em troca de quase nada
Mamãe me deu quase tudo.”

Zé Viola

“Estão vendo essa velhinha
Toda envolvida num manto,
Com os olhos rasos d’água,
Tomando banho em seu pranto?
Cantava quando eu chorava,
Hoje chora quando eu canto!”

Zé Catota (1917 – 2009)

9 pensou em “O AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Tive a oportunidade de ler uma excelente seleção de estrofes sobre o amor materno. O amor de mãe é o que mais se aproxima do amor de Deus pela humanidade. Toda pessoa pode ser abandonada por um ente querido, entretanto a mãe jamais deixará o filho sozinho. Se eu fosse escolher uma dessas sextilhas, a minha preferida seria a do repentista Zé Catota: “Estão vendo essa velhinha/Toda envolvida num manto,/Com os olhos rasos d’água,/Tomando banho em seu pranto?Cantava quando eu chorava,Hoje chora quando eu canto!”

  2. Vitorino,

    É gratificante receber o comentário de quem já teve oportunidade de assistir a grandes desafios de cantadores e festivais por todo o Nordeste. Concordo com seus argumentos sobre a fidelidade do amor da mãe pelos seus filhos. Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar um poema de Mário Quintana sobre esse sentimento belíssimo – amor materno – com o nobre leitor fubânico:

    MÃE…

    São três letras apenas,
    As desse nome bendito:
    Três letrinhas, nada mais…
    E nelas cabe o infinito
    E palavra tão pequena-confessam mesmo os ateus-
    És do tamanho do céu
    E apenas menor do que Deus!

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  3. Parabéns pela bela postagem, prezado Aristeu Bezerra! “O AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS” está sensacional. O tema é emocionante. Os repentistas selecionados por você são geniais.

    Destaco :

    “A mãe tem capacidade
    De adivinhar sentimentos
    Seus prantos servem de néctares
    Nos mais amargos momentos
    Os seus sorrisos são luzes
    Seus beijos são alimentos.”

    Pedro Bandeira

    Um abraço e uma ótima semana!

    Violante Pimentel Natal (RN)

  4. Violante,

    Muito obrigado por seu incentivador comentário.Amor materno é algo que não pode ser comparado com nada. É tão sublime, tão profundo, tão intenso, tão sincero. É um amor que nasce antes do filho vir ao mundo quando está se desenvolvendo, dia a dia, no ventre materno. Amadurece com um corte no cordão umbilical e se torna eterno transcendendo a existência, Amor de mãe é luz que ilumina o caminho do filho sempre. Compartilho um poema da inspirada poetisa Cora Coralina (1889-1985) com a prezada amiga:

    MÃE

    Renovadora e reveladora do mundo
    A humanidade se renova no teu ventre.
    Cria teus filhos,
    não os entregues à creche.
    Creche é fria, impessoal.
    Nunca será um lar
    para teu filho.
    Ele, pequenino, precisa de ti.
    Não o desligues da tua força maternal.

    Que pretendes, mulher?
    Independência, igualdade de condições…
    Empregos fora do lar?
    És superior àqueles
    que procuras imitar.
    Tens o dom divino
    de ser mãe
    Em ti está presente a humanidade.

    Mulher, não te deixes castrar.
    Serás um animal somente de prazer
    e às vezes nem mais isso.
    Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
    Tumultuada, fingindo ser o que não és.
    Roendo o teu osso negro da amargura.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  5. ARISTEU,
    Parabéns,pela matéria de hoje!
    Cora Coralina,nos deixou este maravilhoso poema falando de mãe!
    Mãe

    Renovadora e reveladora do mundo
    A humanidade se renova no teu ventre.
    Cria teus filhos,
    não os entregues à creche.
    Creche é fria, impessoal.
    Nunca será um lar
    para teu filho.
    Ele, pequenino, precisa de ti.
    Não o desligues da tua força maternal.

    Que pretendes, mulher?
    Independência, igualdade de condições…
    Empregos fora do lar?
    És superior àqueles
    que procuras imitar.
    Tens o dom divino
    de ser mãe
    Em ti está presente a humanidade.

    Mulher, não te deixes castrar.
    Serás um animal somente de prazer
    e às vezes nem mais isso.
    Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
    Tumultuada, fingindo ser o que não és.
    Roendo o teu osso negro da amargura.

    Cora Coralina
    Espero estar colaborando com esta homenagem que fizeste as mães,pois entendo que mãe sejam todos os dias especiais.

    Abraços.
    Carmen.

    • Obrigada, prezado Aristeu, por compartilhar comigo o belíssimo poema Mãe, da grande poetisa Cora Coralina! Esse emocionante poema continua muito atual, pois reflete a realidade da sociedade em que vivemos, onde as crianças são deixadas em creches, para que as mães possam trabalhar fora de casa.
      Esse hábito é cômodo para os pais, mas prejudicial às crianças, que são privadas do cheiro e do carinho de suas mães.

      Um abraço e uma ótima semana!

      Violante

  6. Carmen,

    Muito obrigado pelo seu comentário poético. Cora Coralina (1889 – 1985), pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ril de 1985), foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes das nossas escritoras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência.
    Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.
    Há um poema da antologia poética de Cora Coralina que considero um dos mais belos da língua portuguesa. Compartilho-o com a prezada leitora fubânica:

    SABER VIVER

    Não sei… Se a vida é curta
    Ou longa demais pra nós,
    Mas sei que nada do que vivemos
    Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

    Muitas vezes basta ser:
    Colo que acolhe,
    Braço que envolve,
    Palavra que conforta,
    Silêncio que respeita,
    Alegria que contagia,
    Lágrima que corre,
    Olhar que acaricia,
    Desejo que sacia,
    Amor que promove.

    E isso não é coisa de outro mundo,
    É o que dá sentido à vida.
    É o que faz com que ela
    Não seja nem curta,
    Nem longa demais,
    Mas que seja intensa,
    Verdadeira, pura… Enquanto durar.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  7. Realmente mãe tem tudo isso e muito mais.
    Exemplo disso tenho eu que perdi a minha tem pouco tempo, as lembranças veem em dados momentos, talvez isso me conforte, quem sabe mais ainda em saber que partiu por já ter executado sua missão na terra.

  8. Marcos Ribeiro,

    Grato por comentários com observações sobre a saudade de sua mãe. Ela está presente na sua memória afetiva e cumpriu a missão de educar seus filhos para a vida. Quis prestar uma homenagem às mães porque o comércio se aproveita para vender no dia, em que se convencionou ser o dia das mães, então tira o brilho do tributo a quem se dedica a cuidar do filho desde o nascimento até a fase adulta.
    Compartilho um poema sobre o tema do grande poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) com o prezado amigo:

    MINHA MÃE
    Rio de Janeiro , 1933

    Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
    Tenho medo da vida, minha mãe.
    Canta a doce cantiga que cantavas
    Quando eu corria doido ao teu regaço
    Com medo dos fantasmas do telhado.
    Nina o meu sono cheio de inquietude
    Batendo de levinho no meu braço
    Que estou com muito medo, minha mãe.
    Repousa a luz amiga dos teus olhos
    Nos meus olhos sem luz e sem repouso
    Dize à dor que me espera eternamente
    Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
    Do meu ser que não quer e que não pode
    Dá-me um beijo na fronte dolorida
    Que ela arde de febre, minha mãe.

    Aninha-me em teu colo como outrora
    Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
    Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
    Dorme. Os que de há muito te esperavam
    Cansados já se foram para longe.
    Perto de ti está tua mãezinha
    Teu irmão, que o estudo adormeceu
    Tuas irmãs pisando de levinho
    Para não despertar o sono teu.
    Dorme, meu filho, dorme no meu peito
    Sonha a felicidade. Velo eu.

    Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
    Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
    Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade.
    Afugenta este espaço que me prende
    Afugenta o infinito que me chama
    Que eu estou com muito medo, minha mãe.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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