MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

Nunca antes na história da humanidade, ocorreu tão inusitado enfrentamento a uma ameaça de contaminação e morte como a de agora com a pandemia causada pelo COVID-19.

Neste exato momento em que transcrevo essas linhas, a supradita, já se alastra por mais de 193 países, com mais de 3 milhões de casos e mais de 210 mil mortes.

O pânico devidamente instalado, trouxe mais dúvidas do que certezas aos governos, médicos e cientistas de todo planeta, quanto a melhor metodologia a ser usada para prevenção, combate e proteção contra o vírus assassino.

O método de prevenção mais radical e aceito pela maioria das nações, sob as recomendações da OMS, é o isolamento social (quarentena). Para alguns, tal medida não se ampara em nenhum critério cientificamente comprovado. Nosso país, assim como outros, aderiu a este isolamento, como forma de frear a propagação do vírus.

Com o caos instalado, começou a surgir um grande dilema social de nível planetário: Como saber interagir as pessoas, confinadas em suas casas por um longo, muito longo período?

Ante tão insólita situação, não faltaram palpites e dicas de “experts” sobre o tema. Uns sugerindo um leque de opções inseridas nas redes sociais, outros recomendaram as programações de TV, e por aí vai.

É consabido que pela internet, vamos encontrar um imenso leque de opções, vez que, sem sair de casa, poderá visitar museus, ver lugares e animais deslumbrantes do mundo, aprender cursos on-line de línguas, jogos, exercícios, gastronomia, e mais uma centena de atividades como forma de lidar com o enclausuramento imposto.

Ocorre que, esses “experts”, não levaram em conta que algo em torno de 40% da nossa população (Brasil), não possui acesso à internet. Teatro perfeito para aflorar dramas e traumas familiares, que vieram à tona com bastante intensidade, face ao indigesto confinamento compulsório.

Nesse impasse e dilema de país pobre, eis que…”De repente, não mais que de repente” surge uma entidade mágica e unanime, capaz de sanear e nivelar por igual, qualquer diferença social, econômica ou política, no que se refere a interagir, “viajar”, sonhar, crescer, se resguardar e conhecer … Sua majestade, O LIVRO. Este, um verdadeiro ágape espiritual. Trago algumas considerações e explicou o porquê:

A leitura em si, e, o livro, em particular, sem sombra de dúvidas, servirá como meio de transporte, onde o leitor será levado a um mundo ainda inexplorado. Atemporal, verá sua viagem se fundir em passado, presente e futuro. Imprimirá a cada viagem a velocidade do seu pensamento, saboreará iguarias culturais nunca antes degustadas, beberá em cristalinas fontes do saber, se abastecerá de plena inspiração, caminhará antecipadamente em terrenos onde seus pés nunca pisaram.

EMBASAMENTOS ACADÊMICOS

Ao manter o hábito diário da leitura, incontestável é o enriquecimento do vocabulário do leitor. O Hospital Rhode Island, principal hospital de ensino da Faculdade de Medicina Warren Alpert da Brown University, concluiu, após exaustivos estudos, que os pais que liam histórias para suas crianças de 8 anos, estas, desenvolveram em 40% a mais, seu potencial de acumulo vernacular.

Ainda como efeito colateral positivo, a leitura acrescenta, substancialmente, não só boa dosagem de conhecimento e cultura, como também, torna a pessoa mais participativa na sociedade e, consequentemente, menos preconceituosa. Isto consta num estudo do National Endowment for the Arts – NEA (é uma agência independente do governo federal dos Estados Unidos que oferece apoio e financiamento para projetos que exibem excelência artística), demonstrando que a leitura estimula uma receptividade maior de outras sociedades culturais. Ou seja, por costumes e hábitos antagônicos aos seus.

Não será surpresa para o leitor, quando se aperceber que a leitura reduzirá seu estresse, provocará relax e o ajudará a dormir melhor. Já que é patente que a tela da TV ou do monitor, ao emitirem sinais eletrônicos, deixará sua mente “antenada”, em estado de atenção permanente.

Quem tem o costume de ler umas páginas antes de dormir, sabe bem o que falo.

Tal fato, é endossado por estudos a cargo da Universidade de Sussex, no Reino Unido, atestando que uma boa dose de leitura diária de, pelo menos, 6 a 8 minutos, é tão ou mais eficaz que praticar uma caminhada ou ouvir música.

Outra façanha do salutar hábito, é induzir o leitor a valorizar sua autoestima. Em livros de autoajuda, por exemplo, além de importante aliado no combate à depressão, quanto se mergulha e se identifica com o conto e os personagens, maiores são as chances de tomar decisões e encarar circunstancias e situações adversas. Concluiu um relevante estudo produzido pela Universidade do Estado de Ohio. Note que muito se tem criticado a “indústria de livros de autoajuda”. Porém, dados científicos ajudam a desmistificar este mito. Constata-se que pessoas depressivas, seja em que grau se encontre, melhoram substancialmente após leituras, por um certo período, desse tipo de literatura.

Em estudos conduzidos pela Universidade Emory (Atlanta, Georgia) concluíram que a escrita de um bom romance, ativa a progressão e o desenvolvimento, por vários dias, o desempenho das atividades cerebrais, visto que, a sua interpretação, age tal qual um exercício estimulante para o cérebro. Os notórios benefícios orgânicos, estão relacionados a leitura de Romances. Nesse norte, não é nenhum segredo de que a leitura funciona como uma vacina que previne contra a demência e o Alzheimer. Mesmo que adormecidos, a leitura faz despertar e surgir novos ambientes de memória no cérebro.

Inegável então que, quando você trabalha o cérebro, ele reage e cultiva novas sinapses (região localizada entre neurônios onde levam informações aos neurotransmissores) aprimorando dessa forma, o armazenamento e, otimizando o espaço onde mais dados podem ser acumulados.

De certo que, quanto mais se ler, melhor se escreve, desenvolve-se estilos, seguindo os mesmos padrões em que músicos são influenciados pelas melodias as quais são afins.

SOCIABILIZAÇÃO

Como aqui expostos, vários estudos acadêmicos demonstram que o hábito da leitura, transfigura a pessoa num ser humano bem mais sensível, mais colaborativo e integrado socialmente às adversidades que os cercam e afligem.

Visto que, ainda que caros em livrarias chiques, muitos livros são acessíveis as todas as classes econômicas, podendo-se lançar mão de bibliotecas, onde o custo é zero, ou ainda, adquirir em sebos, livros de segunda mão a módicos preços. Pode o leitor também auferir obras online, onde se pode baixar dezenas de excelentes títulos de e-books gratuitos, para seu completo deleite.

Dificilmente se encontrará uma pessoa que cultive o hábito da leitura que não seja uma pessoa bacana, agradável e interessante.

Tome nota: Quando você encontrar uma pessoa, chata, ranzinza ou vazia, que só conversa enfadonhas bobagens, certamente ela tem aversão a leitura, pagando um alto preço por não cultuar este sublime e terapêutico costume.

4 pensou em “O ÁGAPE ESPIRITUAL

  1. Muito bom. Mas, ainda esbarra na limitação da internet. Eu recebi uma relação de PDF que podem ser baixado. Tem uns 30 livros da minha área.

    • Verdade, professor. Assuero, compadre! Vamos soltar essa relação divulgando aos leitores… como num efeito cascata.

      • Parabéns pela perfeição do texto, prezado Marcos André M. Cavalcanti!
        Apesar dos propagados benefícios que a leitura traz à mente, contribuindo para evitar a demência e o Alzheimer, ainda há pessoas que detestam livros, de modo geral.
        Para mim, o livro é o maior companheiro do homem, pois lhe proporciona grandes viagens, e lhe abre um universo cultural sem limites.. .

        “Um País se faz com homens e livros”. (Monteiro Lobato).

        Um abraço.

        • Honrado me sinto pelo seu belo comentário, cara confrade.
          Sabemos, o livro é ferramenta de evolução que ajuda o homem a ter senso crítico e discernimento.

          O grande poeta Castro Alves já declarava naquela época:

          “Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia E manda o povo pensar!”

          Muito agradecido pela participação.
          Forte abraço.

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