RODRIGO CONSTANTINO

Milhares de afegãos correram para o aeroporto de Cabul para tentar fugir do país, depois que o Talibã retomou o controle do governo neste domingo. Vários países ocidentais estão evacuando seus cidadãos do país, enquanto os Estados Unidos estão fazendo a segurança do aeroporto e mantêm controle do tráfego aéreo da capital.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, fugiu do país, o que resultou na tomada de Cabul pelos insurgentes e acelerou a retirada das delegações diplomáticas estrangeiras que já estava em curso. Imagens da multidão em desespero no aeroporto rodaram o mundo nas redes sociais. Há ao menos cinco mortos, por tiros ou queda do avião. São cenas chocantes.

Desde que o Taleban concretizou a ofensiva militar e tomou o poder de fato do Afeganistão, em meio à retirada de tropas militares ocidentais após 20 anos de guerra, multidões tentam deixar o país, com a lembrança do regime marcado pela violência e pelo desrespeito aos direitos humanos na última vez que o grupo fundamentalista esteve no poder, entre 1996 e 2001.

De quem é a culpa dessa confusão? Não é trivial definir. Claro que o presidente em exercício é Joe Biden, e boa parte dessa lambança tem ligação direta com sua decisão de retirar as tropas. Mas vale lembrar que mesmo Trump desejava fazer o mesmo – mas não fez, em sua defesa. Até jornalistas simpatizantes de Biden, como Guga Chacra, consideraram que a lambança foi uma humilhação para o presidente democrata:

Os ocidentais ficaram por duas décadas no Afeganistão, treinaram um exército local, e em poucos dias do anúncio da retirada um bando de bárbaros medievais tomaram o controle da capital. Como disse Matt Walsh, do Daily Wire, não tem como salvar um país que não quer ser salvo. Nas imagens da multidão em fuga, vemos vários homens jovens, em idade para lutar. Quantos desses abOandonaram suas esposas e filhas, sabendo que serão subjugadas pelos radicais do Talibã?

As cenas chocantes do aeroporto de Cabul mostram que o afegão médio já entendeu o que significa o fundamentalismo islâmico na prática, e o desespero é tanto que nem lhes passa pela cabeça enfrentar o troço. Nenhuma sociedade chegou à liberdade sem luta, porém. Ela não é um presente de Deus, tampouco pode ser garantida por ocupação estrangeira por tempo indeterminado.

Choca tanto quando essas imagens a reação de alguns no próprio Ocidente, que desfruta de ampla liberdade e garantias individuais. Em primeiro lugar, muitos ainda ignoram o que representa a chegada do comunismo, tão nefasto quanto o fundamentalismo islâmico, mas que costuma comer pelas beiradas. Vide a Venezuela.

Por falar em comunistas, o regime chinês foi o primeiro a demonstrar “boa vontade” com o Talibã. A Rússia também. Leandro Ruschel resumiu: “O regime chinês é o primeiro a reconhecer o regime dos terroristas do Talibã. É o mesmo regime que ajuda ditaduras brutais, como a cubana e a venezuelana, a manter o poder. O mesmo padrão se repete no resto do mundo. O regime chinês exporta o arbítrio e a desumanidade”.

Mas ainda tem idiota úfil que acha graça de piadinha do embaixador chinês no Brasil com a prisão do Bob Jeff, e senador capacho que enaltece esse regime opressor, sem falar dos jornalistas “dorianas” que provavelmente recebem China in Box para defender o indefensável dessa maneira patética.

O objetivo, está claro, é espalhar oo caos e a instabilidade no Ocidente. Ruschel apontou ainda a suposta incoerência dos chineses: “Não é interessante? Na China, o regime coloca muçulmanos em campos de concentração. No Afeganistão, os talibãs são tratados com deferência. O que move comunistas é a busca pelo poder absoluto. Para alcançá-lo, eles podem defender um ponto, e o seu inverso, ao mesmo tempo”.

O pior é que não vai faltar globalista apontando para o “conservadorismo religioso” do Talibã. Onde que coisas parecidas ocorrem pelo conservadorismo cristão ou judaico? É o contrário: foi o legado judaico-cristão que fez do Ocidente uma civilização tão mais livre e com garantias individuais. E os que apelam dessa forma são os mesmos dissimulados que denunciam como “islamofobia” qualquer crítica dos conservadores ocidentais ao Islã, que é radical em sua essência mesmo. No fundo, são cúmplices desses extremistas, aliados no ódio ao Ocidente judaico-cristão.

Em suma, tempos sombrios nos aguardam. E eis o que até o afegão médio já entendeu: que só uma elite boboca ou patológica enaltece a “diversidade” protegendo os radicais islâmicos, que querem destruir essa diversidade e nossas liberdades. E só suicida acha graça na aliança entre esses bárbaros e comunistas, que também desejam destruir os pilares da civilização ocidental.

2 pensou em “O AFEGÃO MÉDIO

  1. Quando confrontados com a ameaça real de invasão alemã, alguns políticos pusilânimes pressionaram Churchill a aceitar um acordo com Hitler, ao que o grande estadista britânico respondeu: …”nações derrotadas no campo de batalha se recuperam mais rápido do que aquelas que se rendem”

    O mesmo se deu em ralação ao então recém criado estado de Israel: quando foram ameaçados de aniquilação por uma coligação de nações árabes, seus lideres recusaram ser defendidos pelos EUA, ao contrário, pediram que lhes fossem enviadas armas para que defendessem a si mesmos.

    A história está aí para mostrar que tinham razão.

    Quanto à reação de nossa, digamos, “imprensa”, nenhuma surpresa; sempre ficam do lado errado de qualquer questão.

  2. Quanto à China se aliar com o Talibã para fortalecer a sua posição na geopolítica do Oriente, lembremos do que disse a Mulher Sapiens, alguns anos atrás: “…Nós fazemos aliança até com o diabo, para ganhar a eleição…”.

    No caso, podemos dizer, por analogia do modus operandi, que, entre a China e o Talibã, se trata de aliança entre o diabo e o demônio, aliança esta voltada para enfraquecer e, em última instância destruir o Ocidente, a sua cultura, os seus valores, a sua liberdade…

    Vade retro!…

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