ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Antes de mais nada, devo dizer que sou profundo admirador do povo judeu. É um povo bem diferenciado de todos os demais. Suas realizações na música, filosofia, ciência, e em todos os demais campos das mais nobres atividades humanas, são esplendorosas e falam por si! Embora não ultrapassem 0,5% da população mundial, mais de 19% dos prêmios Nobel foram concedidos a pessoas de ascendência judaica. Creio que as perseguições de que foram vítimas ao longo dos dois últimos milênios, se deve mais à inveja dos seus talentos superiores, que propriamente ao fato de terem rejeitado Jesus como sendo o Messias prometido.

Recentemente entrou na moda, em palestras e livros de autoajuda, um termo emprestado da metalurgia: Resiliência. Aí entendido como sendo a capacidade de se manter fiel às suas características originais mesmo submetido a pressões e agressões extremas. Se há um povo que incorpora esta característica em grau máximo é o povo judeu. Dois mil anos de dispersão pelo mundo, perseguições as mais diversas e constantes, e não foram suficientes para fazê-los se desprenderem de seus princípios morais, éticos e religiosos.

Assisti nesta semana que passou a uma excelente explanação do professor Heni Ozy Cukier sobre a situação geopolítica do Estado de Israel. Foi uma apresentação simplesmente brilhante. Altamente sensata e ponderada, detalhou todas as difíceis escolhas colocadas diante do povo e do governo judeu, de modo a sobreviver como nação, dadas as constantes agressões de seus vizinhos e as características do seu território. A única ressalva que faço ao ilustre professor, é quando, já no final do vídeo, o mesmo embaralha (propositalmente?) os conceitos de POVO (Etnia), RAÇA e CIDADANIA. Fez isto para atacar a condenação recebida da ONU, pelos sionistas, quando esta considerou aquele movimento como sendo “Racista” (Sic). Clique aqui para ver o vídeo completo.

A rigor, o termo “Racista” é imbecil na origem. É mais uma idiotice que os esquerdistas tentam nos impingir. Não existem diferentes “Raças” humanas. A espécie humana é uma só e, portanto, impossível ser contra algo que não existe. Pode-se até falar de preconceito, mas aí já seria uma outra conversa. Quanto ao Sionismo ser autocrático, exclusivista e excludente de todos os demais povos, é uma verdade incontestável, independente do termo que se use para designar este comportamento. O fato de quererem um “Estado Judaico” no país que criaram é direito deles. Até aí, tudo bem! Podemos até entender este anseio, especialmente quando lembramos todo o sofrimento pelo qual passaram. O danado é que o pedaço de terra que ganharam já tinha habitantes milenares lá instalados. Em função disto, decidiram fazer uma “Limpeza Étnica” no seu “Lebensraum”, de forma a estabelecer um 3º Reich judaico, nos moldes nazistas. Segundo o professor, a 1ª existência de Israel como nação se deu cerca de 1.200 anos antes de Cristo, liderado por Josué, e durou até a divisão em dois reinos e a conquista da Judeia pela Babilônia. A 2ª manifestação se deu no ano 540 a.c., quando os Persas derrotaram os Babilônios e os liberou para retornar à palestina. Este período se caracterizou por sucessivas invasões e domínios estrangeiros, culminando com a derrota para os Romanos na última rebelião, em 70 d.c., quando o povo judeu se dispersou pelo mundo. Desde então, foram quase 2.000 anos de diáspora.

O 3º Reich judeu foi formalmente criado em 1948, com a decisão da ONU relativa à partilha da Palestina entre árabes e judeus. A luta para chegar a este ponto culminante vinha desde fins do século XIX. De lá para cá, independente do radicalismo árabe, sua luta foi sempre no sentido de expulsar a maior quantidade de palestinos que pudessem, fosse por que meio fosse. O novo Estado Judeu, desde a concepção, foi sempre pensado como um estado TEOCRÁTICO, exatamente como os estados Islâmicos. Toda a legislação do país, assim como seus aspectos culturais e comportamentais, tem de ser totalmente baseada nas tradições e leis judaicas, com exclusão de TODAS as demais. Os estados islâmicos e o estado judeu são as duas faces da mesma moeda. Misturam totalmente questões de estado com leis religiosas. Como consequência, qualquer pessoa que deseje viver na sua zona de influência, e que não seja judeu, será imediatamente reduzido à condição de cidadão de 2ª classe e terá obrigação de se submeter a todos os ditames oriundos da tradição judaica, queira ou não. Assim, não poderá abrir o seu comércio no Shabat, terá que folgar no feriado do Yom Kipur, e dezenas de outras determinações semelhantes. Tudo isso decorrendo do simples fato de confundirem NACIONALIDADE com ETNIA, ou até mesmo RELIGIÃO. Só como exemplo, basta dizer que os palestinos possuidores de cidadania israelense não podem servir ao exército, já que este mesmo exército está lá exatamente para combater os seus irmãos e, preferencialmente, expulsá-los todos de lá, nunca para protege-los.

Este estado de coisas difere totalmente do que ocorre aqui no Brasil. Para nós, é totalmente indiferente se o indivíduo é católico, protestante, judeu, espírita, macumbeiro, muçulmano, ou qualquer outra designação religiosa que porventura possa exista. A pessoa será considerada brasileira exatamente da mesma maneira que todas as demais. De forma semelhante, a origem étnica é indiferente! São os descendentes de armênios, sírios, libaneses, judeus, japoneses, italianos, húngaros, poloneses, chineses, alemães, junto com descendentes de negros, índios, portugueses e holandeses de Pernambuco, como eu, TODOS SÃO BRASILEIROS!

Sabem quando essa situação vai existir em Israel, mesmo sendo só duas etnias (e primas)? NUNCA!

Cada uma das etnias presentes na formação do povo brasileiro possui a característica singular de fazer molecagens com todas as demais com quem divide o espaço. Só que nunca chegam a sair na porrada. Termina sempre os filhos de uma etnia casando com as filhas da outra, o que torna o povo oriundo dessa mistura um dos mais bonitos do mundo e faz com que toda encrenca termine em pizza (ou sushi, ou até mesmo faláfel). Sempre foi assim, até chegarem os comunas e dizerem que os negros são uns coitadinhos e devem ser carregados no colo pelo estado.

Todo o território de Israel, com as Colinas de Golã e Jerusalém Oriental, tem 22.145 Km2. O Brasil, com 8,5 milhões de Km2, corresponde a 384 vezes o território de Israel. Lá vivem cerca de 9 milhões de habitantes, dos quais 74% são judeus, e 21% são árabes. O restante é composto por uma miscelânea de etnias e nacionalidades: Drusos, Armênios, Bahai, etc.

Jamais se trabalhou para ser construído ali um estado multiétnico, nos moldes do Brasil e dos Estados Unidos; ou mesmo um país bilíngue, tal como o Canadá e a Bélgica. Não dá! Os judeus querem um estado JUDAICO! Não uma miscelânea onde todos convivam em paz. Esse conceito lhes é intragável. Para realizar esta visão excludente de país, passaram a expulsar os palestinos do território através de todos os meios e em todas as ocasiões que se lhes apresente. Primeiro, arrasaram centenas de pequenas vilas palestinas e expulsaram seus habitantes para o deserto da Jordânia e Faixa de Gaza. Depois de 1968, ocuparam militarmente a Cisjordânia e passaram a ir comendo seu território pelas beiradas! Hoje, são mais de 564.000 judeus (2.014) nos assentamentos, todos incentivados e subsidiados pelo governo de Israel, ou bancados por judeus ricos do mundo. O minúsculo território da Cisjordânia (5.640 Km2) parece hoje um queijo Suíço, com a população palestina de 4.550.000 dispersa pelo território e arrodeada de assentamentos judaicos, cabendo à Autoridade Palestina o papel dos “Sonder Kommandos” dos campos de concentração nazista: administrar a subserviência de seu próprio povo na servidão abjeta aos senhores da guerra.

O conflito entre Israel e os palestinos não está só na disputa de terras, mas de água. Na Cisjordânia estão grande parte dos recursos hídricos que abastecem Israel. Segundo os palestinos, um habitante de Israel usa, em média, três vezes mais água que um habitante da Cisjordânia, e 73,5% dos recursos hídricos da Cisjordânia são desviados para Israel. Cada acordo de paz só tem servido para legalizar o que Israel já abocanhou, e para lhes dar mais tempo para irem cinicamente ocupando o que querem. A continuar o ritmo atual, mais algumas décadas e Israel anexará definitivamente a Cisjordânia. Só restarão alguns milhares de palestinos famélicos e dispersos naquela terra. Igualzinho ao que nossos avós portugueses fizeram com nossos antepassados índios, ao que Stalin fez na Moldávia e nos países Bálticos, ao que Hitler queria fazer nos países do Leste Europeu e ao que a China fez no Tibet e está fazendo com os Uigures Mulçumanos, enchendo seu país de colonos Han. A forma mais eficaz de resistência encontrada pelo povo palestino tem sido a geração de crianças. Os 750.000 palestinos, que se estima terem sido expulsos, transformaram- se nos atuais 2,048 milhões de Gaza, mais os 4,550 milhões da Cisjordânia, totalizando 6,6 milhões de miseráveis, mais uma quantidade imensa e incerta que se encontra nos países limítrofes e que deseja ter o “Direito de Retorno”, para uma terra que já tem uma das maiores densidades populacionais do mundo. Fazer o que, com esse povo todo? Um novo holocausto?

Os sionistas já fizeram Limpeza Étnica, ao expulsar os palestinos de suas terras na ponta das baionetas; já criaram um imenso Campo de Concentração, ao cercar os palestinos com um muro de concreto; já ocuparam suas terras, militarmente e com colonos, mesmo indo contra todo o mundo civilizado; só lhes resta agora assumirem de vez o caráter nazista e partirem para uma “Solução Final” com relação aos palestinos.

Temos visto com monótona frequência bons BRASILEIROS de sobrenome judaico ocupando posições no governo brasileiro. São os Lafer, Krause, Weintraub, Weingarten, Levi, e por aí segue. Nunca vi uma só menção depreciativa sobre suas ascendências judaicas. A análise é sempre focada na sua competência, ou na falta dela. O mesmo se dá em todos os setores da nossa sociedade, especialmente aqueles com mais exposição pública, como os meios de comunicação, representados pelos Abravanel, Block, Huck, etc.

Rezo a Deus para que profissionais como eles venham a ocupar posições de destaque no governo de Israel, a fim de levar-lhes algumas lições de tolerância, convivência pacífica, respeito pelas diferenças nas crenças individuais, e outras características maravilhosas que o povo brasileiro esbanja, e que está fazendo uma falta danada naquele pequeno e conturbado país. Isso, e darem um pouquinho mais de atenção ao Rabi Jesus de Nazaré, quando este preconizou a caridade e a tolerância como sendo os únicos caminhos para a salvação.

Shalom! Ou Salaam!

5 pensou em “O 3º REICH JUDAICO

  1. Grande, gigante, enorme, monstruoso, ciclópico Adônis!

    Isso não é uma coluna, é um verdadeiro tratado. Há muito tempo eu esperava ver esse tema tratado de forma tão isenta, tão lúcida, deixando de lado coitadismos e simpatias por uma parte ou outra.

    Mas Bertoluci, o monotemático, pergunta: Qual o papel dos governos nessa história? Afinal, é o povo judeu que não gosta dos palestinos e quer varrê-los do mapa, ou temos apenas mais um governo fazendo o que governos fazem (reunir poder), neste caso através do velho expediente de criar e fomentar um inimigo externo?

    Quem coloca dinheiro e máquinas para construir assentamentos é o governo, apoiado por gente rica que gosta de usar seu dinheiro para demonstrar poder e por políticos que por mais poder negociam qualquer coisa (já li mais de uma vez que os partidos religiosos mais ortodoxos de Israel, em troca de privilégios para os seus, votam qualquer coisa que o governo pedir).

    E do outro lado, os pobres e desesperados palestinos não acharam seus foguetes no quintal (nem seu fanatismo religioso): ambos, os foguetes e o fanatismo, foram pagos por árabes ricos, confortavelmente instalados em seus palácios sauditas, qatarianos, abudabhianos e kuwaitianos, que se divertem em usar miseráveis para cutucar um inimigo de quem eles não gostam, pelo simples prazer de exercer o poder.

    O fator religião atrapalha todas as análises sobre este assunto, mas cada dia mais me convenço de que essa é apenas mais uma guerra de conquista, nos exatos moldes do que faziam condes, duques e barões durante a idade média: colocar o povo para morrer na guerra apenas pelo prazer de tomar o território do outro e aumentar seu poder. Pelo menos, na idade média, eles cavalgavam junto com seus exércitos.

  2. Antes de mais nada, PRIMEIRAMENTE devo dizer que sou profundo admirador do povo judeu, principalmente por Gal Gadot.
    SEGUNDAMENTE que mais de 167 judeus ganharam o premio nobel, significando 22% do total de todos os premios, enquanto ainda não saimos do zero em tal quesito.
    TERCEIRAMENTE que é m povo a amar a DEUS sobre todas as coisas, o que me faz mais fã dos milhões que povoam o mundo.
    QUARTAMENTE que sofreram e sofrem desde sempre com perseguições e escravidão por vários recantos do mundo.
    QUINTAMENTE PORQUE ELES SÃO phodda bagarai, assim “como ADÔNIS” (não, Sancho, ninguém come Adônis). kkkkkkkkkkkk.

  3. Caro Marcelo,
    O melhor exemplo daquilo que ocorre por lá foi uma vez que estava retornando de Adis Abeba (Etiópia) e o aeroporto com conexão mais próximo de Amann, onde eu estava morando e trabalhando, era em Tel Aviv. A distância entre estas cidades é de apenas uns cento e poucos Km. Ao pousar em Tel Aviv, tratei de pegar um micro ônibus até Jerusalém, distante uns 50 Km, de onde esperava pegar outro ônibus até à fronteira no Rio Jordão, em Jericó. De lá, após as burocracias usuais, pegaria outro até a minha residência.
    Chegando em Jerusalém, esperei que todos os outros passageiros descessem e solicitei ao motorista que me levasse até o ponto de ônibus que fica junto à Porta de Damasco, bem em frente ao Monte Sion, de onde partem os ônibus para a fronteira.
    Ele me perguntou o que eu ia fazer lá e eu disse que pretendia ir para Amann. Ele caiu na risada. Falou que a fronteira estava fechada pois era o dia do Yom Kipur, feriado sagrado deles. Eu perguntei a ele: E agora ? Que é que faço ?
    Ele disse: – Vamos lá para minha casa e, de lá, vemos o que podemos fazer.
    Fomos então para um pequeno e simpático apartamento ali perto. Ele fez um gostoso café (árabe) e me ofereceu junto com um gostoso pedaço de bolo. Falou que era viúvo e que tinha outro apartamento exatamente igual a aquele em Tel Aviv. Assim, tinha sempre onde dormir nas duas cidades.
    Começamos a falar dos filhos e a mostrar as fotografias de família, como sempre se faz nestas ocasiões. Até que ele me falou que seu filho se encontrava servindo ao exército israelense e que, muito provavelmente, saberia melhor o que fazer. O filho dele informou que não tinha maneira nenhuma de conseguir ir para a Jordânia naquele dia.
    Foi quando ele me deu a ideia de pegar um avião. Havia um voo que saia de Tel Aviv para Amann todos os dias, no final da tarde. Era parte do acordo de paz, assinado ao final de uma daquelas guerras infindáveis deles, que a Air Jordânia manteria este voo como sinal de amizade.
    Beleza! Vamos de volta para Tel Aviv. Entramos no ônibus e saímos. Só que o cara foi na direção do deserto da Judeia, ao oeste, e não para o Norte, onde seria a direção correta.
    Comecei a ficar com medo, achando que o cara ia me sequestrar, pensando que eu seria algum espião do Hamas ou coisa assim. Eis que surge, lá no meio do deserto e sem nada por alguns Km em volta, uma pequena choupana com um cercado e algumas cabras. Chegando lá, o motorista desceu e foi logo saldando em altos brados, em árabe, um beduíno velho que veio nos receber. Tacaram beijos nas faces e saíram andando de mãos dadas para vir falar comigo.
    O beduíno tinha um tanque de diesel ao lado da tapera. Acho que ganhava o óleo dos produtores árabes e vendia a preços módicos aos “amigos” judeus. Os dois eram amigos de infância. Um árabe e o outro judeu. Perguntei pela família dele e me disse que seus dois filhos estavam no exército palestino.
    Meu queixo quase cai! Não disse mais nada.
    No caminho de volta, já estava tão íntimo daquele motorista legal que ousei dizer que ele, juntamente com o amigo beduíno dele, eram dois filhos da puta. A punição seria o filho de um terminar matando o filho do outro, enquanto eles faziam que não sabiam de nada.
    Ele só me disse: FAZER O QUE?
    Tive vontade de chorar.

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