NOTAS

Apesar de estar acostumada a decepções, acontece a toda hora no país, a sociedade se surpreendeu com mais uma notícia triste e negativa. O Banco Central divulgou as novas taxas para as operações de crédito. Tem sido praxe, elevarem os juros do cartão de crédito e do cheque especial. Agora, ao parcelar dívidas do cartão de crédito, o cliente paga 178,41% a.a. É o quinto aumento consecutivo. A taxa realmente é assustadora. Mete medo. Então, por enquanto nada de pagar o mínimo da fatura, senão dança. A taxa de cheque especial também aumentou tanto que dá calafrio só em pensar no furo do bolso da pessoa que entra no saldo devedor. Em ambos os casos citados, os aumentos são recordes. O problema é saber até quando as taxas de juros continuarão subindo, subindo, sem parar. Sem apresentar sinais de baixa. Pelo menos por enquanto.

A tendência natural do aumento da taxa de juros é elevar as demais taxas de juros do mercado. Com isso, a renda familiar cai, retem o consumo, segura a produção, podendo causar, inclusive mais desemprego. A salvação tem sido a taxa Selic se manter abaixo de 10% ao ano faz um bom tempo. A intenção é manter a inflação sob controle.

No momento, contrair dívidas nas modalidades do cartão de crédito e do cheque especial nem pensar. Só em última instância. Todavia, quem tá no fogo é bom sair logo da encruzilhada. Quem puder trocar tudo pelo empréstimo consignado, que também é empréstimo, embora com juros menores, o mais recomendável é tentar se manter longe dos empréstimos por uma razão muito simples. A situação brasileira anda muito controversa. Daí as lojas e financeiras, também cobrarem juros bem acima do normal, sob algumas alegações. Garantir o risco nas operações, envolvendo valores, situação cadastral do cliente e o prazo da operação. Afinal, sair do vermelho o quanto antes, é a melhor decisão. Trocar os gastos supérfluos pelos estritamente necessários, o item mais recomendável. Faz bem à beça.

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Para compensar o pequeno tamanho territorial, Israel, no Oriente Médio, toma construtivas medidas. Agiganta-se na tecnologia para oferecer bom nível de vida aos quase 9 milhões de habitantes. Com apenas 70 anos de fundação, foi constituído em 1948, e sobreviva sob tensão nas fronteiras com o Líbano, Síria, Jordânia e Cisjordânia e o Egito, o Estado Judeu obtém destaque em vários aspectos. É elogiado, sobretudo pelas nações mais desenvolvidas.

É sucesso na educação, de alto retorno, registra excelente estágio de desenvolvimento econômico, industrial e médico, os indicadores sociais são elevados, graças ao PIB de 350 milhões de USD, principal moeda negociada no mundo, oferece boa expectativa de vida à população, preserva os direitos políticos e civis. Embora conte com limitação de recursos naturais, o país experimenta autossuficiência na produção de alimentos. Exporta frutas, vegetais, produtos farmacêuticos, software, tecnologia militar e diamantes. Possuidor de rico patrimônio arqueológico, Israel ganha boa receita com o turismo, principalmente o religioso.

Para comprovar a riqueza cultural, 12 cientistas israelenses foram laureados com o Prêmio Nobel, dos quais cinco pertencem as áreas da ciência que contribuem para o progresso da agricultura, ciências da computação, eletrônica, genética, medicina, óptica, energia solar e em várias áreas da engenharia. Com bom porte científico, Israel domina nos setores de biotecnologia agrícola, irrigação por gotejamento, solarização de solos, reciclagem de águas de esgoto para uso no campo.

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O adulto, com certeza, lembra do passado dos Correios. Instituição séria, competente, rentável e de forte credibilidade na praça. Naquela época, as críticas à instituição eram mínimas. A desorganização da ECT praticamente começou com o excessivo pagamento de dividendos à União, responsável pelo controle dos Correios. Com o impasse, a ECT descontrolou-se. Perdeu o essencial, inclusive o nível de qualidade dos serviços. Situação que piorou drasticamente depois que as administrações desastradas passaram a comer pelas beiradas o patrimônio financeiro da empresa.

De 2007 em diante, a empresa nunca mais conseguiu segurar a capacidade de investimentos e a viabilidade econômico/financeira. A tecnologia, os roubos de carga, inclusive os desvios internos, os incêndios nos centros de distribuição, a concorrência dos motoboys, as más gestões, gerando monstruoso prejuízo de R$ 2 bilhões, mexeram nas estruturas dos Correios. Fraquejado, a empresa teve de tomar sérias decisões impopulares. Demissão em massa de trabalhadores, fechamento de agências, especialmente nas pequenas cidades.

Sem contar com os Correios, a população dos pequenos municípios enfrenta problemas. Com os assaltos e destruição de agências, os bancos preferem, em vez de recuperar o que foi destruído pelos bandidos, fechar as agências. Por falta de segurança. Com isso, as operações bancárias passaram a ser executados pelos correios. Evidente, que sem os Correios, as pessoas terão de viajar para os municípios mais prósperos. Para tirar os Correios do buraco, falam em privatização. A ideia não é nova. É cópia da experiência da Alemanha, Holanda, Áustria e Bélgica. A intensão é acompanhar a evolução do mercado, ter condições de concorrer com o bom desempenho do comércio eletrônico, que bomba. Lógico que a privatização machuca. Deixa mágoas e traumas. Mas, é preferível privatizar, caso seja a melhor solução para o caso, a suportar a lembrança do Postalis, fundo de pensão dos Correios, que ficou arrobado em R$ 7 bilhões, fruto de falcatruas administrativas.

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De fato, o Brasil de hoje, não é o Brasil que o povo quer. A sociedade sonha. O cidadão exige. Os desequilíbrios travam a economia, causam incertezas, mancham a imagem do país no exterior, destroem planos, envergonham a Nação. No espaço de um ano apenas, no período entre 2016 e 2017, a pobreza evoluiu 4%. Passou de 52,8 para 54,8%. Como as mazelas não são eliminadas, a pobreza extrema subiu acima da média. Marcou 13%. Revelou existir no país 15,3% de indigentes. Morrendo de fome. Enchendo as ruas e as comunidades de maltrapilhos, pedindo esmolas. Atraídos pelas bocas de fumo.

Segundo apurou o IBGE, o acréscimo de 2 milhões de pessoas pobres alarga as necessidades econômicas, expande as carências sociais. Como a recessão desgastou o mercado de trabalho, o PIB cresceu pouco, bem abaixo das necessidades. O desemprego explodiu, a taxa de desocupação agigantou-se, a informalidade cresceu. Então, é evidente que a renda familiar caiu e a pobreza aumentou. Para classificar o trabalhador pobre, a renda mensal não passa de R$ 406 mensal. Já para ser considerado integrante da pobreza extrema, a renda individual por mês, esbarra em R$ 140.

Lamentavelmente, quase a metade da pobreza, cerca de 25 milhões de brasileiros, vive no Nordeste. O Sul abriga apenas 3,8 milhões de pobres e o Sudeste fica com 15,2 milhões de carentes. É preciso mexer na política de distribuição de renda que no Brasil permanece péssima. Do jeito em que se encontra, o contingente de 10% da população ativa, concentra quase a metade do conjunto de rendimento dos brasileiros. A desigualdade social estimula a miséria, a fome, a violência, a criminalidade. Fora isso, acirra também a desigualdades racial, desnivela a educação. Lamentável verificar que em termos de desigualdade social, o Brasil ocupa a oitava posição no mundo. Bem diferente da Noruega, Japão e Suécia, onde as desigualdades sociais são superbaixas.

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