A PALAVRA DO EDITOR

A década de 80 destacou-se. Na política, marcou a despedida do militarismo, ensaiou a redemocratização do país com a abertura para um governo civil, via “Diretas já”. No campo econômico, para rolar as altas dívidas, empregou a ortodoxia econômica. Cortar custos do governo, aumentar a arrecadação. Mas, o que ficou de lembrança da década de 80 foram crises que provocaram excessivas dívidas externas, muitas impagáveis, enormes déficits fiscais e instabilidades inflacionárias e cambiais.

Na economia, o país se empenhou para apagar a imagem de década perdida. Combateu a hiperinflação e a braba fase de estagnação econômica. Pra isso, adotou vários planos econômicos, Cruzado, Bresser e Verão. Todos, malsucedidos, não trouxeram crescimento e muito menos o desenvolvimento econômico esperado. O retorno da democracia trouxe uma inovação. A reorganização do movimento social. Mas, não evitou a desaceleração do crescimento econômico que marcou intensos reflexos no mercado de trabalho, acionando o desemprego, na educação, que entrou em crise, e na saúde, com a redução de recursos disponíveis. No campo político, trouxe o PT que ontroduzu uma nova era.

Com o fim da guerra fria no mundo, o Brasil inovou. Implantou o modelo neoliberalismo, defensor de algumas ideias políticas de cunho socioeconômico. Redução do Estado na economia e no mercado de trabalho,inclusive com a redução de gastos do governo, privatização de estatais, abertura para o capital internacional, incentivos para conquistar empresas multinacionais, diminuição dos impostos de importação, fim das políticas sociais. De fato, o neoliberalismo abriu a porteira para introduzir uma sociedade industrial moderna. Diversificou a produção, fomentou a cadeia produtiva, passou a qualificar a mão de obra para substituir os serviços braçais. Nos bancos, engatinhava a automação. Máquinas substituíram a mão de obra humana. Método muito seguro no trabalho bancário. No fim das contas, o Brasil não pode comemorar as conquistas do neoliberalismo por mudanças de pensamentos políticos.

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Foi o navegante espanhol Juan Diaz de Solís, no início de 1516, que desembarcando no estuário do Rio da Prata, tomou o território do Império Inca para a Espanha. Acreditando no potencial dos recursos naturais, na força do setor agrícola, na alfabetização do povo e na diversificação industrial, a economia da Argentina evoluiu. Cresceu. Desenvolveu-se. Em 2013, o PIB alcançava a 22ª maior posição do mundo. A renda per capita era excelente. Uma das melhores marcas da América Latina. O país obteve altíssimo Índice de Desenvolvimento Humano. Vangloriava-se com a poderosa classe média da época.

Nas primeiras fases do Peronismo, a Argentina se deu bem. Repetiu por cinco vezes a taxa de crescimento de 3,8% ao ano. Porém, por volta de 1976, a política tirou o pé do acelerador. Começou a frear, encerrando a fase de protecionismo. Em consequência, empresas começaram a falir. O descontrole de gastos e as incertezas políticas produziram alta inflação. A taxa inflacionária chegou a 800% ao ano, aumentando a dívida externa exageradamente. Revelando uma pobreza até então desconhecida.

Em 1999, outro desastre econômico. Para atender ao FMI, o país começou a fase de cortes. Cortou o orçamento da universidade, cortou salário dos professores, pensões e programas de saúde. O governo teve de demitir 40 mil funcionários públicos, incentivando o desemprego. Em 2018, veio a realidade. Com a retração do PIB, alto desemprego, elevada inflação e taxa de juros a 65%, a mais alta do mundo, a Argentina passa por uma recessão que perdura por dois anos. A situação tá preta. O governo só fala em austeridade para controlar a turbulência. Os reflexos do estado de caos estão explícitos no aumento da pobreza, aceleração inflacionária, desvalorização da moeda e bolsas no vermelho. Por causa do estágio político, a Argentina navega num mar de incertezas e de alta complexidade economica. .

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A lista de países que que deram show no índice desenvolvimento mantem-se sugestiva e firme. Só contém gigantes, donos de conquistas econômicas e sociais. Os maiores destaques no registro de crescimento econômico em 2018 pertencem à China, 6,5%, EUA, 2,9%, Espanha, 2,5, Zona do Euro, 1,9, Alemanha, 1,5, França, 1,5 e Reino Unido, com 1,4%. Nesse embate, o Brasil é fraco. Como anda desengonçada, a economia brasileira ficou na 40ª posição no ranking de crescimento mundial, obtendo apenas a marca de 1,1%, dentre os melhores desempenhos de 47 nações. Neste âmbito, o Brasil faz companhia ao Japão, que registrou somente 0,7% de crescimento.

Na América Latina, algumas economias comemoraram vitórias. O Peru registrou crescimento de 5,4%, Chile, 5,3% e México, com 2,7%. Enquanto persistir desatento às questões tributárias e de infraestrutura, a econômica brasileira perderá competitividade. Emperradas, as empresas não resolvem os seus problemas de ociosidade. A alta taxa de juros real de curto prazo e o spread da taxa de juros inquietam. Atormentam os investidores.

Faz dez anos, o Chile se desdobra para solucionar alguns graves problemas internos. Agora, após duras batalhas políticas, os chilenos comemoram bons resultados. A taxa de crescimento foi de 4%, o desemprego fechou 2018 em 7% e a inflação marcou somente 2,4%. O que tem contribuído para o Chile alcançar excelentes dados é a sequência de vitorias. É a estabilidade macroeconômica e o equilíbrio fiscal. A dívida pública bruta causa inveja. Consolidou-se em apenas 25%. No momento em que o Brasil bate cabeça com a previdência, o Chile curou este calo em 1983. Converteu o sistema púbico de Previdência para um modelo de capitalização privado, que vem dando certo até o momento.

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O petróleo é a mola do mundo. A principal fonte de energia. É o recurso natural mais disputado no planeta. Como é extraído do subsolo, com elevado custo, a exploração comercial do produto é caríssima. Do petróleo, além da gasolina, obtém-se óleo diesel e lubrificantes, GLP, produtos asfálticos e petroquímicos, querosene, solventes e até insumos para medicamentos. No Oriente Médio, o petróleo é a principal fonte de renda.

No começo da era cristã, os árabes já destinavam o petróleo para fins bélicos e de iluminação. Todavia, a indústria petrolífera só começou em meados do século XX. Porém, a explosão de consumo só aconteceu após a descoberta do refino. Em 1960, a Arábia Saudita, o Irã, Iraque e a Venezuela formalizaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. A finalidade de OPEP foi o de assegurar a soberania sobre as reservas petrolíferas.

No Brasil, a instalação da primeira refinaria aconteceu em 1932, na cidade de Uruguaiana, RS. O pais importava petróleo do Chile para refinar. Mas, com a descoberta da reserva da Bacia de Campos, a história mudou. Em 2007, surgiu a descoberta da camada do pré sal, numa extensão que se estende do Espírito Santos até Santa Catarina. Reserva que deve durar pelas estimativas até 2040. No mundo, cometa-se que o fim do petróleo pode ocorrer em 40 anos.

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