A PALAVRA DO EDITOR

Faz tempo, o alerta de que o país estava prestes a quebrar ocupava espaços nas redes sociais. Dava manchetes. Como não deram bolas, fizeram ouvido de mercador, o fato aconteceu. É verdadeiro e, embora machuque, mostra que a economia fraquejou. Caiu no fundo do poço. Prostrou-se. A recessão de 2014 colaborou com a queda. A falta de políticas econômicas de impacto, forçou o baque. Ajudaram o Brasil a quebrar. Agora, é procurar levantar-se e ir em frente. Cair em campo, com vontade de trabalhar.

Basta fazer uma análise rápida para constatar a triste realidade. A dívida pública, incluindo os gastos do governo federal, INSS, governos estaduais e municipais, só faz crescer. Fechou 2017 com a cifra de R$ 3,5 trilhões. A causa do disparo da dívida foi a apuração dos juros dos títulos públicos com os novos empréstimos que o país teve de contrair “pro mode” cobrir o déficit primário. Quem acompanha o noticiário nacional deve estar lembrado de dois detalhes. A dívida brasileira vem crescendo desde 2004. Em 2015, com novas emissões de títulos do governo, para conseguir empréstimos, e segurar o descontrole das contas públicas, a barra pesou. O pulo foi gigantesco. Bem maior do que o do consagrado atleta João do Pulo, nos jogos Pan-Americanos do México, em 1975. Com o pulo brasileiro, o país acrescentou quase R$ 500 ao montante dos débitos.

Puro desastre.

Outro petardo devastador da economia é o sistema previdenciário social que funciona sob o regime geral e de filiação obrigatória. Do jeito em que se encontra, não pode ficar. Tem de ser alterado, pra poder fechar a conta. A população cresceu, não é a mesma de 1990, envelheceu e o desemprego sobe, assustadoramente. Então, pra cumprir os compromissos, o país tem de alterar as normas atuais. Afinal, a dívida pública, crescente, tá impagável. Já afoga 70% do PIB. As contas primárias não batem. Como os juros estão estratosféricos, a nação perdeu a confiança do investidor que foge de incertezas. Se a economia não crescer, não baixar o déficit primário, bau, bau. Então, permanecer no mato sem cachorro, é ignorância. Alguma atitude, popular ou impopular, tem de ser tomada. Custe o que custar.

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Em 2016, usando um perfeito instrumento de democracia, a decisão popular, apoiada pelo Ministério Público, enviou ao Congresso Nacional, um projeto de lei, visando combater a corrupção e a impunidade. A proposta seguiu com mais de 2 milhões de assinaturas. Mas, como ficou engavetada, o novo governo entregou nova proposta contendo 10 medidas contra os crimes de corrupção.

Dentre as medidas apresentadas, constam a criminalização de enriquecimento ilícito de agentes públicos, partidos políticos e punição para o Caixa 2. O novo projeto explicita o aumento das penas, criminaliza como crime hediondo o desvio de valores públicos. Impõe velocidade nas ações de improbidade administrativa, prisão preventiva para garantir a recuperação dos roubos.

O projeto sofreu críticas do meio jurídico porque não visa atualizar o Código de Processo Civil que tá caduco à beça. Especialistas afirmam que o projeto pune com mais rigor o preso pobre, embora vise em primeiro lugar punir os peixes grandes, enquadrar os poderosos dentro da lei. Na prática, o que tem acontecido são os magistrados e o Ministério público soltar de carrada, pessoas ricas com registros em casos de corrupção. Aí, desse jeito, o Brasil não se livra da terrível corrupção porque, incentivando a impunidade, os cupins dilaceram a economia.

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O que faz o consumo crescer é a segurança financeira. Segurança financeira é a possibilidade de o cidadão vislumbrar saídas para escapar da crise de dinheiro. É uma situação de emergência que livra o devedor do aperto de modo a recuperar o equilíbrio financeiro. A fuga do sufoco para permitir alimentação, saúde, moradia, educação e transporte. Oferecer condições de pagar as contas em dia. Enfim, obter meios para viver em paz, tranquilo, sem insônia e estresse. Garantir no futuro uma aposentadoria decente.

De início, para se preparar para novas e positivas empreitadas, a pessoa tem de entender detalhes sobre educação financeira. Noção que só é valorizada, quando o sujeito passa por privações, dificuldades de dinheiro. Quando o sujeito cai nessa armadilha, deduz que nunca se preocupou em construir e manter uma reserva financeira.

Diz o ditado popular que “dinheiro não traz felicidade porque na realidade é a felicidade que traz o dinheiro”. Então se a pessoa não se movimentar, cair em campo com altivez, adeus sonhos de êxito e prosperidade. Como a juventude não se interessa por assuntos financeiros, então, preocupado com a estatística que aponta muitas famílias ter entrado no negativo em 2017, começam a aparecer no ensino médio e fundamental, noções sobre aplicação do planejamento financeiro. Situação que permitiu a classe média dos Estados Unidos ter acesso ao crédito fácil e detonar a economia americana a partir de 1945, tendo por base a educação financeira.

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A Petrobrás agigantou-se. Com o inchaço, despertou a atuação de corruptos que, descaradamente, arrombaram o patrimônio da empresa, via desvios de recursos e lavagem de dinheiro. Com a perda de controle, a estatal do petróleo entrou em crise, motivada por vários fatores. Elevação do custo de produção, alto endividamento, queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, desaquecimento econômico global e, principalmente, pelos absurdos praticados contra a companhia, desde 2013.

Antes da crise, a Petrobrás estava avaliada em R$ 510 bilhões, a preço de 2008. Depois dos coices, o valor de mercado caiu para R$ 311 bilhões. Em quatro anos de gatunagem, a Petrobrás acumulou 80 bilhões reais de prejuízo. Somente com o pagamento de propinas e fraudes em contratos, entre 2010 e 2018, a roubalheira chegou a R$ 200 milhões. De juros pagos aos credores da dívida, a soma importou em R$ 85 bilhões.

Para fugir da crise, a Petrobrás instituiu o plano de reestruturação. O objetivo é recuperar a credibilidade. O plano é amargo, mas imprescindível. Começa pela redução de investimentos, suspensão momentânea do pagamento de dividendos a acionistas, revisão da política energética e venda de ativos, iniciando por oito refinarias, estimando apurar R$ 80 bilhões. A sorte é ó pré-sal ser um projeto altamente viável. Capaz de gerar boas receitas. Aí, quando detonar, a estatal vai tirar o pé da lama. Contar boas histórias. Alegrar os investidores.

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