A PALAVRA DO EDITOR

O turismo é um santo remédio contra o atraso geral. Quando o turismo acontece, energiza a economia, alegra o ambiente, planta sementes germinativas na hotelaria, gastronomia, transportes, agricultura, recursos culturais. Fortalece, enfim, a economia de forma generalizada porque, segundo especialistas, a lista de áreas favorecidas pelo turismo é de 52 atividades.

O turista é louco por natureza, sol, praia com água transparente, falésias e biodiversidade. As riquezas turísticas do Brasil, somadas, chegam a 100 destinos selecionados no capricho. Quem procura parques, cachoeiras, dunas, lagoas, cidades históricas, monumentos famosos, acha. Tanto no Norte, quanto no Sul do país. Embora seja uma atividade crescente, no entanto o Brasil precisa acelerar a recepção de turistas.

Afinal, no continente americano, o Brasil ocupa a terceira posição em opções turísticas, depois do Canadá e Estados Unidos. Em 2018, por causa da presença de 7 milhões de visitantes, o turismo injetou US$ 5,92 bilhões na economia brasileira. Só que, comparado à cidade de Nova York, que recebeu 65 milhões de turistas em 2018, o Brasil é insignificante na atividade turística. Não passa de um aprendiz no ramo de atrair estrangeiros para visitas. Alguns motivo afugentam o tursita do Brasil. Recessão, fraca promoção no exterior, incontrolável violência, constantes assaltos a bancos e pessoas, incertezas políticas.

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O Produto Interno Bruto é a riqueza do país. Consiste na soma dos produtos que a economia produz durante determinado período na indústria, agropecuária e serviços. É evidente que quanto maior a produção, mais alto é o consumo e os investimentos, melhor é o ciclo produtivo e comercial. Vai desde a fabricação do pão na padaria, como a montagem do carro nas montadoras, quando se trata de bens e produto finais. Lógico que os bens utilizados na produção de outros bens finais, não entram no somatório. Na parte de serviços, entenda-se os serviços executados pelos bancos e as diaristas em nossas casas.

No entanto, um fator preocupante relaciona-se com o crescimento da dívida pública. Neste aspecto, o Brasil vai mal das pernas. Cambaleia. Segundo estimativas do governo federal na proposta orçamentária de 2019 enviada ao Congresso, focando a realidade nacional, consta que a grosso modo a coisa tá ruim de verdade. A causa da preocupação é a dívida pública crescente. Encontra-se acima do quadro apresentado pelos demais componentes do Brics (Rússia, Índia, China e África) e da América Latina.

Enquanto os membros do Brics fecharam o ano de 2017 batendo a dívida pública na casa de 54,4% do PIB, o Brasil tem uma dívida pública beirando os 83,9% do PIB. Alta demais. Neste ponto, o medo é a necessidade de o Brasil ter de aumentar a taxa básica de juros para conter as pressões inflacionárias. O que vem acontecendo de verdade, jogando por água abaixo os projetos para baixar os juros. A dívida pública brasileira aumentou no passado em função justamente da alta da taxa Selic, que em 1999, registrou o pico de 45%.

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Faz um ano que a Holanda inaugurou uma ponte de concreto protendido, projetada por uma impressora 3D na Universidade de Tecnologia de Eindhoven. Inicialmente, a ponte de pequenas dimensões, foi destinada aos ciclistas. Na construção, a ponte recebeu apenas o concreto necessário. Sem perder a segurança, mas, reforçada para receber a imensa quantidade de bicicletas que circulam entre duas importantes estradas do país.

Resistente, os construtores calculam que a ponte, além de durar mais de trina anos de uso, tem estrutura para suportar peso de até cinco toneladas. A construção que demorou somente três meses fica na cidade de Gemert. Dessa forma, a Holanda se integra aos EUA e à China no grupo de países que substituem a mão de obra pela máquina.

A tecnologia tem um dom. Despreza as formas tradicionais de construção e através da automação, implanta o trabalho automático, utilizando máquinas inteligentes e equipamentos autossuficientes. A técnica da robótica faz o computador, munido de conceitos fundamentais, facilitar o trabalho das pessoas, enquanto aumenta a produtividade. O lado negativo é o desemprego, com a redução de postos de trabalho. Mas, em país desenvolvido, o desemprego não preocupa. Emprego tem demais, oferecendo ótimo salário.

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No passado, devido ao atraso do país, hospital público só prestava atendimento médico a quem tinha carteira assinada. Era contribuinte da Previdência Social. Quem não se enquadrava nesta situação, sobrava. O Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social-Inamps, órgão oficial da saúde pública, não atendia trabalhador que não fosse classificado. Mas, apesar da discriminação, havia respeito e consideração com a população.

O SUS-Sistema Único de Saúde só apareceu em 1988. Como é obrigação da União atender o povo nas doenças, mas, devido à quantidade de pacientes, presta péssimo serviço a 80% da população. Em função da precariedade, o SUS é criticado por mais de 166 milhões de pessoas que não tem plano de saúde. Porém, mesmo censurado, o SUS é tido como um dos programas de assistência pública no mundo, em eficiência.

Para um país pobre, custear um serviço público tremendamente caro, é dose para o Brasil. Ainda mais quando é mal administrado. Obrigado a prestar assistência a pessoas de reduzido poder aquisitivo que envelhecem rapidamente. Para 2019, a Lei Orçamentária Anual reserva R$ 128 bilhões para a saúde pública, quantia considerada insuficiente para o custeio do SUS. Faz 30 anos, os gestores classificam a saúde como despesa, embora seja investimento para os entendidos na matéria. Daí a redução da contribuição dos municípios cair para 3% e do governo federal despencar para apenas 40% dos investimentos. Com isso, quem sofre é o povo que se sente, com razão, desassistido.

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