A PALAVRA DO EDITOR

Pesquisas sustentam que uma das causas da mente do idoso trabalhar devagar, vagarosamente, é devido ao acúmulo de informações. Especialistas alemães atestam que a capacidade mental das pessoas não se altera com a idade. O processo cognitivo permanece ativo, acumulando experiências, apesar das lembranças fluírem vagarosamente. O processo tem semelhança com o disco rígido do computador que, lotado de dados, reduz a velocidade da máquina, durante o funcionamento. Por isso, a mente, na velhice, esquece facilmente determinados detalhes. São os lapsos de memória da velhice que dificultam a pessoa se lembrar momentaneamente onde deixou, por exemplo,a chave do carro. A bebida, o cigarro e as doenças degenerativas atacam o sistema nervoso central, provocando ondas de esquecimento. A demência para os velhinhos que julgam ter idade subjetiva menor do que a da certidão de nascimento, chega mais tarde, paulatinamente, em função da massa cinzenta do cérebro ainda apresentar maior volume. Quanto mais ativa for a rotina do idoso, tanto física, quanto mentalmente, a substância cerebral cinzenta levanta a moral da pessoa na terceira idade. Razão de muitos anciãos terem mente poderosa, capaz de lembrar de detalhes do passado, às vezes longínquo.

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No âmbito hospitalar, a saúde enfrenta triste realidade. Apesar de ostentar títulos de referência em determinadas especialidades, tem hospital apresentando sérias deficiências. Lotação, carência de leitos, falta de profissionais e de equipamentos básicos, o que leva a desativação de muitos leitos. Sentindo-se desassistido, o doente pena pelos corredores hospitalares, especialmente nas unidades da rede pública, onde conseguir atendimento é pura sorte. Os 400 mil médicos em disponibilidade no Brasil, que coloca o país como o quinto em número de profissionais da medicina no mundo. Porém, poucos estão sponíveis para atender a população, particularmente a do interior. Por isso, a faixa pobre da população, que dependente do SUS, reclama, com razão. É comum, faltar vaga, médico, materiais, equipamentos e medicamentos básicos que infestam a saúde pública de crises. Forçada a improvisar, a saúde pública não se liga nas deficiências. Não corrige os defeitos na manutenção preventiva ou corretiva, na precariedade nas instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias. Nem se toca na questão de muitas faculdades estar despreparadas para formar profissionais à altura, competentes, em função de péssima administração financeira, que ensinem a metodologia do atendimento desumanizado.

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Depois de analisar a situação, o Tesouro Nacional concluiu. O governo brasileiro é desajustado. Gasta pouco em saúde, mas, esbanja rios de dinheiro no pagamento de juros da dívida pública, Previdência e Tribunais de Justiça. No serviço público, então, desperdiça mais de 13% do PIB, praticamente em vão, superfaturando os orçamentos, cujos resultados pesam no bolso do contribuinte. No pagamento de juros da dívida pública, ultrapassa a média no mundo. Por isso, as reformas da previdência e tributária, são recomendadas para contornar a péssima situação, porque, uma vez reestruturada a política nos estados, as contas públicas deixam de pressionar o PIB. Favorecendo a distribuição de renda. Em 2016, o Brasil desviou 9,7 do PIB só para pagar juros da dívida. Despesas que, comparadas com a de países desenvolvidos, que só gastam 1,95% do PIB, provam ser o Brasil um país descontrolado. Desajustado. O mesmo problema se repete na Previdência Social. Para pagar as aposentadorias e pensões, o Brasil gasta 12,7% do PIB, enquanto os países ricos só retiram 8,2% da riqueza nacional para quitar tal compromisso. Com os Tribunais de Justiça, o Brasil devora fabulosa quantia, correspondente a 1% do PIB. Total equivalente ao triplo desembolsado pelas mais poderosas nações.

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A juventude do Judiciário tem outra cabeça. Adota outra precisa forma de trabalho, bem positiva. Concentrada apenas nos detalhes, os togados jovens mostram raça. Metem a cara na luta, sem medo de apanhar peixe grande. Coisa que antigamente era impossível de acontecer. Os juízes encobriam os crimes para livrar a grã-finagem de dissabores, mesmo tendo cometido deslizes. Situação que os consagrados magistrados fazem questão de ignorar para não se comprometerem. A prisão preventiva do ex-presidente Michel Temer, MDB, e mais nove pessoas, por atos de corrupção, obedeceu ao critério de garantir a ordem pública. Embora aguardadas, as detenções surpreenderam o país. A decisão, bem mais rápida do que a que rola no STF, engloba três crimes, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, peculato. Desvendou um segredo guardado em segredo por 40 anos. Temer comandava um esquema criminoso, liderava uma organização de má fé, enquanto ocupava altos cargos públicos no Brasil com o intuito de desviar dinheiro do povo. Saquear recursos federais, aproveitando as vantagens decorrentes das facilidades dos cargos. No total, a quadrilha embolsou R$ 1,8 bilhão, via propinas. Um fato ficou comprovado. Podem quebrar as pernas da Lava Jato, mas prender dois ex-presidentes, cinco governadores do Rio de Janeiro, empresários e figurões da política pelos jovens Delegados da Polícia Federal e juízes do Ministério Público, faz a sociedade confiar que só com mudanças, o Brasil recupera a ordem e o progresso. Engloba uma nova realidade. Elimina o comércio de favores, prática comum nos bastidores políticos. Temer não foi o primeiro presidente a enriquecer, usufruindo o poder do alto cargo. Embora possa ser solto logo,mas a lição contra a roubalheira e a corrupção foi bem dada. Não importa se o cara é forte e figurão. Meteu mão no alheio, prisão, mesmo considerada “absurda”. Porém, se soltam, é outra história que a história precisa esclarecer no futuro. Contudo, o que importa é agir com fé e coragem, dentro dos parâmetros da lei. Encobrir fardos, já era.

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